Erros não tiram os méritos de Vasco e Botafogo



Gilberto marcou o gol que classificou o Vasco (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)

Gilberto marcou o gol que classificou o Vasco (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)

Por que é tão difícil falar de futebol? Por que é complicado analisar primeiro os méritos dos finalistas para então depois questionar os ‘ses’ e os ‘poréns’? Vasco e Botafogo chegam às finais do Carioca porque mereceram, mesmo não apresentando uma qualidade técnica digna de suas tradições. Mas tiveram mais coração que os rivais e em nada deixaram a desejar.

Bota e Flu fizeram uma disputa emocionante, decidida após 22 cobranças de pênalti. Qual a dificuldade em enaltecer a emoção desse momento? Será que foi a Federação que isolou a bola de Cavalieri? E todo o resto, todo o campeonato, resumido em um lance? Não dá.

Se é para botar em xeque a idoneidade da competição, como explicar partidas tão duras e iguais? Será que o ‘esquema’ foi tão mal montada que teve que contar com uma bicuda de um goleiro na 21ª cobrança para ir à frente? Aí já é forçar demais.

Eu também não daria o pênalti em Serginho, mas teria expulsado Jonas, Cirino e Wallace ainda no 1º tempo do primeiro jogo. O que faria o time da Gávea com sete na linha? Se existe esse tal complô, perderam uma excelente oportunidade de ver o Vasco golear, definir a vaga uma semana antes e tudo o que aconteceu neste domingo seria apenas história.

Erros? Vários! Para todos os lados. Podemos começar com o gol do Flamengo que a bola não entrou, contra o Madureira, cujo presidente é amigo de Eurico e de Rubens Lopes. ‘- Ué, os ‘aliados’ prejudicados?’. Sim, inúmeras vezes. Mas é só um ponto a ser discutido, assim como o pênalti do Vasco. Mas cada um conta a história do jeito que quer: uns pelo início, outros pelo fim.

Se acertarmos esse resultado, somado a vitória tirada do Vasco sobre o Barra Mansa, com um gol mal anulado aos 46 do segundo tempo, o Fluminense sequer avançaria para as semifinais, essa é a verdade. E quem teria a vantagem do empate seriam os vascaínos e não os rubro-negros. Então, que armação foi essa? Quem foram os beneficiados?

Vamos começar a moralizar então? Tem que ser agora? Então todo mundo começa a devolver os pontos com lances duvidosos e alguns até inquestionáveis. O Fluminense volta para a Série B e devolve o Carioca de 2002, que teve um gol mal anulado do goleiro do Bangu, no último minuto, o que pôs o time na final da Taça Rio. O Flamengo devolve os títulos que conquistou sobre o Botafogo ajudado pelos erros. Aproveita e manda o de 2014 para São Januário também.

Mas isso ninguém quer, a lei é boa para aplicar nos outros. ‘Aos amigos, tudo! Aos inimigos, a lei!’. É assim que funciona?

Pronto, já é um bom início para começarmos a mudar o todo e não apenas aproveitar a situação para desmerecer aos que chegaram a final agora. Não gostam do Estadual? Ok. Mas respeitem os clubes que foram até o fim e os torcedores que acompanham desde o início, fazendo uma bela festa no Maraca e no Engenhão neste fim de semana.

Se Flamengo e Fluminense tivessem passado, será que se recusariam a disputar a final? Ora, se é uma vergonha, uma aberração, não vale nada, para que jogar? Duvido muito que o fariam.

A verdade é que Fla e Flu estiveram muito aquém do que se esperava no início do ano e viram as duas zebras ganharem corpo durante a competição, até chegarem à finalíssima. O Bota, aliás, campeão da Taça Guanabara com a melhor campanha. Então por que o espanto?

O Vasco de Doriva jogou de igual para igual em todos os clássicos do Estadual, contra os três. Perdeu apenas um, quando traído por uma poça. Venceu dois e empatou outros dois. Não é mais fácil reconhecer o trabalho que vem sendo feito?

Oito pênaltis podem ser muito, mas não é crime. A penalidade faz parte do jogo, tá na regra. Aliás, o único clássico que foi derrotado, o gol saiu num pênalti para o adversário.

Destes, três são questionáveis, o que não quer dizer que seja unânime. Inquestionável é impedimento, saber se a bola entrou ou não… Tudo isso é simples, claro, óbvio, não é interpretação. Todo o resto é. E o Vasco não foi beneficiado em nenhum destes casos inquestionáveis. Mas foi prejudicado contra Barra Mansa e Friburguense, por exemplo, com lances que claramente foram mal marcados. A imagem não mente.

Fora isso, os toques na mão acontecem, assim como o contato nos jogadores. Se você acha que foi ou não pênalti, é simplesmente interpretação. Nesse caso, não há certo ou errado. Há a minha visão e a sua. Se fosse no meio campo seria falta, por que na área não? Aí é de cada um.

Aliás, três destes oito pênaltis saíram no único jogo que o Vasco perdeu para um chamado pequeno. Ou seja, não ajudaram em nada, não somaram um ponto sequer para o clube. Pelo contrário, o time ainda sofreu a derrota com um gol impedido e outro com falta em seu jogador. Mas isso ninguém analisa, só jogam os números a esmo sem qualquer responsabilidade. Inconsequentes.

Querem mais pênaltis para os outros times? Peçam para eles ficarem levantando bola na área assim como a equipe de Doriva faz. Pênalti só existe dentro da área, se você não entra, complica… Dos oito, quatro saíram após cruzamentos – inclusive em cobrança lateral – e um numa bola prensada. Mas isso só sabe quem analisa futebol, não números frios.

Três são toques de mão, algo que sempre será questionável: ‘Mão na bola ou bola na mão?’. Até hoje não definiram isso. A única vez que vi intenção em um toque foi o de Luiz Suárez na Copa, o resto, pra mim, tudo involuntário. Mas se marca contra, tem que marcar a favor. Voltamos a questão da interpretação. Quem abriu os braços dos zagueiros, a Federação?

Essa é apenas a segunda vez em 16 anos que a dupla Fla-Flu não terá um representante na final. Isso mesmo, nos últimos 16 anos, apenas em 2006 nenhum dos dois esteve presente na final e ninguém questionou os méritos dessa sequência dos dois. Por quê? Por que agora a ‘nova dupla’ Bota-Vasco tem que ser alvo de críticas? Por que acabou a polarização?! Por que as diretorias não são de seu agrado? Isso não é motivo.

Antes era erro e agora é manipulação? Isso é uma coisa muito séria para ser jogada ao vento sem nada de concreto. Ou os olhos que tanto falharam nas últimas decisões agora deixaram de ser passíveis de erros? Difícil aceitar.

É mais fácil colocarmos na cabeça de uma vez que há um enorme problema no Brasil – não só no Rio – em relação a arbitragem. O que Fla e Flu reclamam, até outro dia saía da boca de vascaínos e botafoguenses e muitas vezes foram tratadas como choro de perdedor. Por que mudou agora? Os erros estão aí desde Charles Miller, não começaram neste fim de semana.

O problema tá ali, nos caras com o apito na mão, nas regras que dão brechas absurdas para interpretações de inúmeras maneiras e na não utilização da tecnologia para auxilia-los. Enquanto a troca for de acusações e não dos meios de dar transparência ao espetáculo, passaremos por isso toda semana. Há quem goste.

Questionar os méritos de Vasco e Botafogo é uma covardia com seus torcedores e jogadores. Não tenho dúvidas de que farão uma excelente final, assim como fizeram na semi. E, por mais que queiram diminuir e até invalidar a conquista, de lá sairá o campeão real. Na bola.

Que seja um belo espetáculo!

Saudações vascaínas! /+/

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