É oficial: Vasco perdeu seu coletivo



Guiñazu também não foi bem no jogo (Foto: Paulo Sérgio/LANCE!Press)

Guiñazu também não foi bem no jogo (Foto: Paulo Sérgio/LANCE!Press)

Rodrigo tenta o lançamento (chutão), a bola bate em Renato Cajá, Julio dos Santos não coloca no chão e prefere a cabeçada. A bola sobra para Diguinho, na posição que era para estar um meia de criação. Ele cai no chão, cava a falta e a jogada segue. Madson, como de costume, está lançado à frente da bola, como um ponta, não lateral. A Ponte ataca, Luan é driblado, Christianno chega atrasado, Rodrigo não trava e sai o primeiro gol.

Tudo isso reflete bem o que tem sido o Vasco. E aconteceu em apenas 50 segundos de jogo. Um resumão vascaíno em menos de um minuto: chutão, falta de domínio de bola, inversão de papéis, simulações excessivas e espaço nas laterais.

O que se viu depois disso, foi apenas consequência. Um time que não dá combate – exceção de Guiñazu -, que deixa seu adversário trocar passes na intermediária, afobado na hora de atacar, psicologicamente fraco…

Desde o início do ano, quem olha para o elenco, de forma individual, torce o rosto. E com total razão. Porém, coletivamente, o Cruz-Maltino vinha sendo efetivo. Se não era fantástico, ao menos era consistente, principalmente na defesa. Mas era o Carioca, e parece que Doriva ainda não entendeu a diferença. Não dá para repetir as atuações do Estadual, pelo simples fato de que não é a mesma competição, com os mesmos adversários.

Quer entender a dificuldade que o Vasco vem enfrentando? Pegue os números e compare as vezes em que Luan pegou na bola e quantas Dagoberto fez o mesmo. A teimosa linha de três – Julio, Dagoberto e Rafael Silva – simplesmente não participa do jogo. E o problema não é apenas a falta de um 10, porque até mesmo Messi precisaria tocar na bola para fazer algo. Falta também uma saída eficiente, mas é preciso que os laterais joguem atrás da linha da bola, não à frente.

Contra a Ponte, o time repetiu a formação que já não vinha funcionando e se limitou a ver Luan, Rodrigo, Guiñazu e Diguinho – depois Caucaia -, trocando passes na defesa e fazendo lançamentos longos. Mais nada. Isso é o Vasco hoje de Doriva. E não é por um erro ocasional, a equipe treina assim.

Para o treinador, a grande arma são os laterais, que em seis meses jogando ainda não acertaram um cruzamento para gol, como eu já havia alertado após a partida contra o Atlético-MG. Eles sobem, não ajudam na transição – apenas com passes para trás – e ainda expõem os flancos. Não se portam como laterais e nem produzem como pontas.

O Vasco se perdeu depois do Estadual. E isso é inegável. Opções de mudanças existem várias, eu tenho minhas sugestões, você tem as suas, até minha mulher tem a dela. Agora está na hora de Doriva mostrar a dele, do jeito que está não pode ficar. Chega de trocar seis por meia dúzia. Basta de dar murro em ponta de faca.

O Vasco precisa se reencontrar coletivamente, porque individualmente será muito difícil se destacar. E é bom que seja rápido. O Brasileiro é mais curto do que parece. A paciência também.



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