Doriva e o imediatismo



Doriva está no Vasco há cinco meses e ganhou o Carioca (Foto: Cléber Mendes/LANCE!Press)

Doriva está no Vasco há cinco meses e ganhou o Carioca (Foto: Cléber Mendes/LANCE!Press)

Doriva chegou ao Vasco como mais uma das apostas do clube para o ano. Pegou um elenco desacreditado, em processo de remontagem, sem estrelas e conseguiu levar ao título carioca. Ganhou com um futebol contestável, é bem verdade, mas alcançou um feito que os bons times de 2011 e 2012, por exemplo, não conseguiram.

Afinal, é melhor ser campeão com altos e baixos ou vice jogando bem? Eu sei a sua resposta.

O treinador foi contratado para tirar leite de pedra. E conseguiu. Pegou um elenco que talvez na mão de outro técnico sequer chegaria às semifinais do Estadual e o levou ao topo. Agora, um mês, cinco empates e uma derrota depois, já há quem peça a sua cabeça. Mais uma vítima do imediatismo do futebol brasileiro.

Acredito que Doriva tem muitas coisas para repensar em relação ao esquema tático e o aproveitamento – assim como a não utilização – de alguns jogadores. Mas daí a pedir sua saída, como muitos torcedores tem feito nas redes sociais e até mesmo em comentários aqui no blog, na minha opinião, é muito precipitado.

O Vasco, até agora, empatou com o campeão goiano, com o campeão gaúcho – um time que tem Réver, Anderson, Alex, Nilmar e Rafael Moura não pode ser simplesmente chamado de ‘reserva’ -, com o finalista do Catarinense – que será decidido no TJD -, fora de casa, e perdeu apenas para o campeão mineiro e da Copa do Brasil do ano passado, também em domínios adversários.

E por falar em domínio, somente o Galo realmente se mostrou superior em campo, os outros não. Empatou mas poderia ter vencido, com o mesmo futebol. E aí ninguém se importaria, estaria tudo ok.

O time se igualou àqueles com quem brigará durante o ano no meio da tabela – se o Inter B fosse outro clube seria ali que ficaria – e perdeu para aquele que é claramente superior, o Atlético-MG, certamente um dos favoritos ao título. Até aí, nada muito fora do esperado para o grupo vascaíno. De tropeço, talvez apenas o empate com o Goiás na primeira rodada, por jogar em casa. Mas vale lembrar que os goianos são um dos três invictos na competição até o momento.

Doriva conseguiu mais do que se esperava até agora, apesar do mal início de Brasileirão. Entre tantas coisas que precisam ser mudadas no time, desde a lentidão na recomposição dos laterais até a falta de criação no meio-campo, a última delas é o técnico. É Doriva que precisa mudar, repensar certas coisas, não o Vasco repensar Doriva. Não agora.

Uma vitória convincente sobre a Ponte e o imediatismo mudará de lado, (quase) tudo será esquecido e a semana correrá mais tranquila. Mas é preciso vencer para que não se dê mais motivos para falar em crise.

Que se questione alguns pontos do trabalho, não o profissional por completo. Ao menos não com 4 rodadas, apenas uma derrota e somente um mês após encerrar um jejum de 12 anos.

Doriva começou maio como o cara que levou o Vasco ao título carioca e o treinador revelação do futebol brasileiro. Teve sua permanência em São Januário comemorada como uma vitória do time, quando recusou o Grêmio. No mês seguinte, já não serve? Precisamos mudar esse pensamento.



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