A dificuldade em fazer o simples



Vasco é o atual bicampeão carioca (Foto: Celso Pupo)

Vasco é o atual bicampeão carioca (Foto: Celso Pupo)

Todo mundo sabe que os Estaduais precisam passar por uma reformulação. Não é novidade. Porém, apesar da necessidade de mudança – até urgente – ela não pode ser feita de qualquer maneira. Já escrevi aqui sobre a importância do Carioca para os pequenos e, consequentemente, deles – os clubes – para o futebol nacional. Mas eles irão sofrer novamente.

Saiu ontem uma matéria dos colegas do FutRio com Marcelo Vianna, diretor de competições da FERJ, em que o dirigente confirma um novo formato para a competição com uma primeira fase – se recusou a chamar de seletiva, por mera escolha de palavras – com seis equipes chamadas pequenas: os dois que subiram e os quatro últimos colocados que não caíram este ano.

Destes seis, dois irão para a Série B sem ao menos enfrentar os grandes. Ou seja, sem realmente disputar o Carioca, já que a grande recompensa vem dos jogos televisionados – apenas partidas de Bota, Fla, Flu e Vasco possuem transmissão – e, consequentemente, patrocinadores pontuais para estes duelos, além do ganho nos ingressos. Os outros quatro se juntam aos dez pré-classificados.

A justificativa dada por Marcelo é de que a detentora dos direitos de transmissão pediu estas mudanças, focando na redução de jogos. Ok, beleza, era necessário reduzir. Mas tinha que ser deste jeito? Limitando o rebaixamento a seis times?

O nome pode até ser outro, mas o que estão criando é sim uma seletiva para o Carioca. Fizeram isso em 1999, quando o Serrano, de Petrópolis, foi campeão da Série B e teve que enfrentar o Americano, então rebaixado, para subir. Não venceu e não jogou a Série A. Pode acontecer algo parecido com o Novo Iguaçu, atual campeão da Segundona, e o Campos, vice.

‘Mas e aí, Garone, deixa tudo como está? Como manter 16 clubes e ainda reduzir o número de jogos?’. Muito simples. Até demais. Já ouviu falar em Copa do Mundo? Então, a resposta – ao menos uma delas – está lá. A pergunta na verdade deveria ser: como conseguimos fazer uma Copa com 32 países jogando em um mês mas somos incapazes de organizar um Carioca com 16 times – metade das seleções – no mesmo tempo? A solução é simples: mais grupos com menos clubes = menos jogos na 1ª fase.

Para conquistar o bicampeonato estadual em 2016, o Vasco precisou disputar 18 jogos. Em 2017 não deve mudar muito. Nos moldes da Copa do Mundo, seriam apenas 12. No máximo! E estes 18 foram sem final de Taça Guanabara e Taça Rio, duas disputas que costumavam acender a rivalidade do torcedor na década de 90 e que vem morrendo nos ‘novos modelos’.

‘Mas não valem nada’, você pode dizer. Em termo de relevância pode ser, mas mexe com a torcida. Quando se coloca dois rivais em uma decisão, seja ela qual for, o Rio se mobiliza. Pode ser torneio municipal de porrinha, se tiver escudo dos grandes na briga, tem gente.

Pois bem, voltando ao formato. Com grupos de quatro equipes, como na Copa do Mundo, teríamos quatro chaves com os grandes nas cabeças. Três jogos dentro grupo para cada, os primeiros avançam, semifinal e final da Taça Guanabara em partidas únicas. Cinco duelos e uma taça em disputa. Campeão garante vaga na finalíssima.

No 2º turno – Taça Rio -, grupo A x B e C x D. Quatro jogos. Semifinal e final no mesmo esquema e o vencedor vai para a decisão do Carioca contra o ganhador do 1º. Ou seja, mais seis duelos.

Final do Carioca em jogo único no Maracanã. Caso um time vença as duas taças, automaticamente fica com o título estadual sem a necessidade do jogo final – era assim nos anos 90, não é novidade. As duas equipes com menos pontos somando a fase de grupos dos dois turnos caem.

Resumindo: cinco jogos na Taça Guanabara, seis na Taça Rio e mais a final geral, totalizando 12 partidas, sendo três decisões.

Os pequenos jogariam de forma justa para todos, em igualdade de condições e com um mínimo de dois jogos contra as principais equipes. Os grandes disputariam mais finais, consequentemente o interesse do público aumentaria. Tudo isso com menos datas, como querem os jogadores, treinadores, a tv e até os torcedores.

Todos sairiam ganhando. É tão difícil fazer o simples?



  • Jorge Pontes

    Perfeita conclusão, gostei desse formato.

  • gilson junior

    Mas os INCOMPETENTES da FERJ não sabem fazer o simples. O sonho deles deve ser repetir a esdrúxula formula de São Paulo. Incrível como os grandes do Rio assinam isso.

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