A dificuldade do Vasco em assumir o protagonismo



Nenê saiu no 2º tempo (Foto: Geraldo Bubniak/AGB)

Nenê saiu no 2º tempo (Foto: Geraldo Bubniak/AGB)

Protagonismo.

Essa foi a palavra escolhida por Milton Mendes antes da bola rolar para Coritiba e Vasco na Vila Capanema. Era um indício de algo novo no Cruz-Maltino ou ao menos uma tentativa de alteração na postura. Mas não foi o que aconteceu. Ou se viu.

Aliás, é comum em São Januário o discurso seguir em direção contrária ao trabalho.

Há, nitidamente, um excesso de fé nas palavras. Uma busca por frases motivacionais, mas que quase sempre são seguidas por apresentações desanimadoras. Foi assim, mais uma vez, neste domingo.

O torcedor do Vasco que se presa inicia o dia de jogo fora de casa com uma prece. Mesmo sendo ateu. É uma necessidade quase que instintiva, como um palavrão em momento de turbulência no avião.

Aliás, problemas aéreos causam a mesma reação na torcida.

É um levantamento adversário e uma obscenidade proferida nas arquibancadas. Uma imoralidade futebolística contínua em razão da zona vascaína.

O ‘Deus nos acuda’ ganhou expressões mais sucintas e menos religiosas nos últimos anos.

A timidez defensiva do Vasco para expulsar uma bola de sua área se assemelha a de uma debutante em sua valsa de 15 anos, tamanha a inocência. Bola aérea se tornou uma festa para muitos convidados, uma boca livre.

E foi ali, após uma jogada de pinball dentro do retângulo da alegria, que Kleber empatou o placar, antes aberto por Thalles. Algo que se desenhava desde que a bola rolou.

A falha defensiva parecia tão certa quanto uma novidade no banco de reservas do Vasco, que desta vez apresentou Eder Luis – em campo, inclusive.

O Vasco não tem uma defesa sólida o suficiente para suportar 90 minutos retraído sem sofrer gols, como muitas vezes faz o Botafogo, por exemplo. Menos ainda tem um contra-ataque encaixado para aproveitar os avanços adversários, a exemplo do Corinthians.

A arma vascaína contra o Coritiba talvez fosse a posse de bola, para evitar ser tão agredido. Mas não conseguiu.

Pelo contrário: o elenco de São Januário teve a sua pior marca de passes certos no Brasileirão 2017 até agora, com apenas 176 acertos, segundo o Footstats.

O time tem vivido num limbo eterno da imprecisão, em todos os setores. Simplificando: não tem sido confiável nem para atacar e nem para defender. Aposta, constantemente, na sorte, em bolas rifadas e em levantamentos aleatórios.

É pouco. Muito pouco.

O Vasco segue sendo, na verdade, o que era antes: um conjunto que torce para que em algum momento a individualidade se mostre suficiente. Seja num cruzamento certeiro de Henrique ou numa cabeçada bem feita de Thalles. Quem sabe, talvez, numa sobra de escanteio.

Casualidades com poucas coletividades.

A equipe de Milton Mendes ainda assusta de forma quase que acidental, não é dominante como um protagonista deveria ser. Ou como o discurso do treinador tentava transparecer.

A atitude retraída que o técnico espelha na equipe está longe de ser de um protagonista.

Milton está mentindo para si ou para a torcida.

Dos três meias ofensivos do time, apenas Nenê tentou sair da sombra maciça de figurante que assola o clube. Curiosamente, foi também o primeiro a deixar o gramado, substituído por Wagner.

Mateus Vital e Yago Pikachu, pouco produtivos, conseguiram mais minutos em campo que o camisa 10, com o segundo atuando em tempo integral. Opções que aumentam o questionamento sobre Milton.

O Vasco conseguiu seu primeiro ponto fora de casa, é verdade. Porém, desperdiçou outros dois, ao sequer tentar assumir o protagonismo antes anunciado.

Esse medo do sucesso – ou temor do insucesso – precisa parar de acompanhar o Vasco, caso queira se colocar novamente em seu lugar.

É a postura que precisa ser alterada, não somente o discurso.



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