A despedida ao Capita



Jogadores do Vasco com camisa em homenagem a Carlos Alberto (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Jogadores do Vasco com camisa em homenagem a Carlos Alberto (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Não vi Carlos Alberto Torres jogando, ao vivo, infelizmente.

Acompanhei Alexandre, seu filho, com a camisa do Vasco. Uma outra torre alta e forte que por tempos defendeu a camisa cruz-maltina com toda honra e fibra que carrega o seu sobrenome. Venceu estaduais, Brasileiro e Mercosul, e registrou seu nome sem precisar passar sobre ninguém.

Na Colina, foi Tri, como seu pai. Só que Carioca, não mundial. Mas fica a referência, ainda mais para quem sempre foi uma.

Um com a 4 às costas, o outro com a 3. Os dois formando os onze em décadas distintas. Defendendo o 1 e impedindo o 9.

Em 70, foram 90 milhões em ação. Aos 72, se foi deixando 206 milhões sem reação.

Encontrei o Capita apenas uma vez, em uma outra lateral, em 99. Foi no Estádio Atílio Marotti, em Petrópolis, já muito tempo após trocar a braçadeira pela cartola. Ele, coordenador. Eu, torcedor.

Foi o único momento em que vi, in loco, Carlos Alberto partir pela lateral.

Era um Serrano x Americano valendo o acesso à primeira divisão carioca. Porém, o único acesso do time da casa foi de raiva. Como o vigor físico que sempre teve, rompeu a barreira de seguranças e foi em cima do zagueiro do Cano que havia agredido um dos jogadores serranistas.

Hoje entendo que aquela cena representou bem mais que uma invasão de dirigente. Nas nuances,  um espelho de sua carreira. Um lateral que não apenas defende, ataca – raro em sua época. Alguém que protege, comanda e assume a responsabilidade. Que briga, literalmente, por justiça. Parte para cima dos zagueiros sem medo e com uma força impressionante.

Onde o Capita pisou naquele dia, nunca mais nasceu grama. Se cresceu, é diferenciada.

Carlos Alberto nunca vestiu a camisa do Vasco em uma partida. Em homenagem, o clube se vestiu de Carlos Alberto para se despedir. Assim como acolheu seu filho em duas oportunidades (92-94/2000-2001).

Um abraço ao homem que eternizou a braçadeira. Que fez do braço um ponto do futebol tão importante quanto as pernas. Carlos Alberto foi o pai dos capitães, tanto quanto de Alexandre.

Na Colina, com a bola rolando, porém, apesar de algumas tentativas de lançamentos ‘à la Gérson’ de Andrezinho e a boa movimentação de Douglas Luiz – meia dos bons como Clodoaldo, que também surgiu novo e com personalidade -, o tributo se encerrou. Faltava um Pelé, um Jairzinho.

Um Capita.

Madson até teve duas oportunidades de homenagear o rei da sua posição, mas falhou. Na primeira, furou. Na segunda, a bola explodiu na mão de Luan, do Avaí, que acabou expulso.

Em vão.

O jogo ficou mesmo no 0 a 0, em noite onde Renan foi Banks, para parar os cabeçaços cruz-maltinos. E as faltas de Nenê.

Resultado ruim em uma atuação relativamente boa, se comparada às últimas, que começou com uma homenagem mais do que justa, mas que a ‘parte lateral de São Januário’, e os que acham que estão acima, estragaram mais uma vez.



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