A derrota dos vascaínos



Alexandre Campello foi eleito o presidente do Vasco (foto: Paulo Fernandes/Vasco)

“O Vasco não pode ter seu futuro decidido por 4 mil pessoas. É muito pouco. E isso facilita as artimanhas de quem pretende se perpetuar no poder.”

Essa foi a resposta de Alexandre Campello, presidente eleito, sobre democratizar as eleições do Vasco, em entrevista feita aqui para o blog. Para o candidato, na época – em outubro -, 4 mil pessoas não poderiam decidir o destino do Cruz-Maltino.

Nesta sexta-feira, porém, apesar da chapa Sempre Vasco liderada por Julio Brant ter vencido a votação entre os sócios, Campello não teve a menor cerimônia em aceitar o apoio do grupo de Eurico para ganhar em uma eleição de 300 pessoas.

O discurso de democratização e perpetuação de poder acabou antes mesmo de sua posse. Campello foi pró-Brant para vencer Eurico. E pró-Eurico para vencer Brant. E Eurico foi anti-Brant o tempo todo.

Ninguém foi Vasco.

Aliás, se essa eleição serviu à alguém, certamente não foi ao vascaíno. O sócio votante, que representa os milhões que não possuem esse direito, pela primeira vez em toda a sua história não teve o seu desejo atendido. Foi desrespeitado entre risos, alianças e baforadas.

O que fica claro após a decisão desta noite é que ser ou não sócio do Club de Regatas Vasco da Gama, criado pelos braços de sua torcida, é simplesmente irrelevante.

Os ‘100 cabeças brancas’, como se referiu Euriquinho sobre os beneméritos, é quem definem o destino do clube. Na hora em que as contas apertam, entretanto, é do vascaíno comum que cobram apoio, doação para reforma de quadra, associação em massa, São Januário lotado, venda de produtos e até compreensão.

Só não pedem um cafuné porque não sabem abaixar a cabeça.

A eleição foi tão inacreditável, que o nome gritado após o anúncio do vencedor foi o de um dirigente que sequer foi candidato: Eurico Miranda. O eleito, Alexandre Campello, foi simplesmente ignorado durante a vitória, sendo cumprimentado por Julio Brant, o derrotado, e discretamente por alguns mais próximos. Claramente, figurantes no velho monólogo político vascaíno. Assim como o torcedor.

A cena dos votantes gritando o nome de Eurico enquanto era feito o anúncio do novo presidente soou como se Campello recebesse a notícia que seria pai, mas o parabenizado era o vizinho.

Essa é a prova irrefutável de que o único vencedor na eleição foi Eurico, mesmo ele não sendo o predileto dos sócios e nem da torcida em geral – vide qualquer pesquisa feita por qualquer meio ou veículo. O Vasco, mais uma vez, se tornou apenas mais um adereço do ego de Miranda, que provou novamente ser capaz de manipular, principalmente dentro de São Januário, a tudo e a todos.

O Vasco agora será presidido por Alexandre Campello, que aporta no clube com a incrível façanha de ser ainda menos querido pela torcida que Eurico em seu retorno. Aliás, Campello conquistou um apoio pontual para vencer as eleições, mas que tem tudo para ser cerceado em breve, tornando a briga política no clube interminável.

Eurico deixou a presidência, mas não o Vasco. Brant, aclamado pela maioria dos vascaínos, foi derrotado. E Campello, 4ª força na disputa, assume o clube sem o apoio real das principais chapas. E o pior: sem o menor carisma ou respeito de grande parte dos torcedores.

O Vasco, que por anos buscou a democracia além de seus portões, hoje, mais do que nunca, se viu prisioneiro do que ocorre dentro deles.

Campello era a última opção dos sócios e dos torcedores. De Eurico, neste momento, porém, era a única. E ainda assim venceu.

Essa é a prova definitiva de que o Vasco, há anos, não está nas mãos dos vascaínos. Não da maioria.



MaisRecentes

Maxi López marca seus primeiros pontos no Troféu Ademir Menezes



Continue Lendo

Presente de grego



Continue Lendo