Derrota à primeira vista



Vasco foi derrotado pelo Cruzeiro por 3 a 0 (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Vasco foi derrotado pelo Cruzeiro por 3 a 0 (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Quem assistiu a Vasco x Cruzeiro, nesta quinta-feira, talvez tenha presenciado a partida mais rápida da história do Campeonato Brasileiro. Com apenas um minuto de jogo já tínhamos, em Volta Redonda, um vitorioso e um derrotado bem definidos.

Acreditem, amigos, é possível até questionar se o insucesso cruzmaltino não aconteceu antes mesmo da bola rolar. Foi um embate tão cômodo para a equipe mineira que pareceu combinado de antemão. Sei que não foi, mas um desavisado poderia achar, tamanho o acanhamento ofensivo do mandante.

O Vasco foi tão inofensivo quanto um vegetariano em uma churrascaria.

Só isso explicaria mais uma mudança drástica de Milton Mendes na equipe, sacando os jovens Guilherme Costa e Mateus Vital para as entradas de Wagner e Escudero. Mais incompreensível ainda: antes titulares, os garotos sequer se tornaram opções para a etapa final.

E não são os primeiros a passarem por isso – Pikachu e Nenê que o digam.

O trabalho de Milton Mendes à frente do Vasco, até o momento, tem a consistência de uma moleira de um recém-nascido. Os critérios técnicos e táticos parecem variar de acordo com o mapa astral de cada atleta. Se Júpiter estiver em Virgem, jogam os aniversariantes setembro. Do contrário, apenas os nascidos em datas com números primos.

Ou algo parecido, não sei.

O gol de Thiago Neves, fruto de um chute despretensioso em diagonal, contou com o olhar preguiçoso de Martin Silva, que apenas acompanhou a bola morrer no canto. Nem um salto, daqueles que se conhece a ineficiência mas ajuda a esconder a falta de atenção. Ou reação. Nada, nenhuma ação.

Lembrou a infância no pinball, quando a bolinha descia exatamente pelo meio e pouco havia a se fazer. Apesar disso, apertávamos os botões, balançando as hastes com toda força e velocidade para evitar a derrota. Há honra na tentativa, apesar do insucesso.

Martin, entretanto, já pegava uma nova ficha quando a bola quicou pela segunda vez dentro da área sem que ninguém a tirasse. Foi o primeiro vencido entre os derrotados.

E quando um time se propõe a sofrer um gol de cruzamento com um minuto de jogo, amigos, não há nada que mude seu destino na partida. É algo que se padece apenas em dias onde a derrota é iminente. E foi.

Depois disso, todo o resto foi cerimônia.

E o Cruzeiro, o cerimonialista.

Já o Vasco, um mero convidado. Mais uma vez.



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