Cristóvão Borges no Vasco



Cristóvão Borges será o técnico do Vasco em 2017 (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Cristóvão Borges será o técnico do Vasco em 2017 (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Em meio à toda tragédia envolvendo a Chapecoense, o Vasco decidiu anunciar seu treinador. Não vou entrar no mérito do respeito, que é questão de opinião, criação, mas se tratando de comunicação, era totalmente evitável o desconforto que causou, inclusive entre grande parte de seus torcedores.

Foi como anunciar um casamento durante um velório. Não ofende ninguém, é relevante, mas não para aquele momento. Destoa, sabe? Dava para ter adiado ao menos mais algumas horas para virar a noite. Ao menos o dia. Ao menos na minha opinião.

Luto é isso: silêncio. Quanto mais, melhor. Faltou um pouco de sensibilidade.

Pois bem, sobre Cristóvão.

A função de treinador é a mais complicada de ser analisada, no meu modo de ver. Por ser o responsável pelo todo do time em campo, seu trabalho conta com diversas variáveis. A principal delas, a qualidade técnica do elenco.

Um técnico ruim com um excelente grupo, tem chances de ser campeão. Ao menos deve ficar pela ponta. Porém, um treinador excelente com um elenco ruim, dificilmente irá muito longe. Um meio de tabela já dá para comemorar. E se destacar.

Cristóvão, na minha opinião, está no meio disso. Nem tão bom que faça sonhar com grandes títulos, nem tão ruim que sacramente de forma antecipada a luta para não cair. Para termos um panorama mais real, apenas após a definição de quais “variáveis” ele terá em mãos. Qual será o plantel vascaíno para 2017?

Seu melhor trabalho foi no Vasco (2011/2012), desde então, jamais esteve próximo de um título nacional. Após deixar São Januário, foi no Fluminense (2014/2015) onde montou seu time mais interessante, tendo Jean e Cícero muitas vezes formando a dupla de volantes, com Wagner e Conca à frente.

Aliás, esse é um dos pontos que me agrada em suas equipes, a preocupação com a saída de bola. E é algo que faltava ao conjunto de Jorginho.

Mesmo sem se firmar nos outros clubes, o técnico chega ao Cruz-Maltino com números que, se mantidos, o deixará na Série A ao final de 2017. Ao meu ver, é esse o principal objetivo do time no ano: parar a gangorra.

Cristóvão tem um aproveitamento na 1ª divisão de 50,4% dos pontos, segundo o site OGol. O que lhe daria cerca de 57 pontos no fim da competição.

Com este desempenho, neste momento, o time estaria na 5ª colocação, se classificando para a pré-Libertadores.

Isso quer dizer que colocará o Vasco na disputa continental? Não, não é. Porém, mostra que é possível que o treinador faça um trabalho seguro, onde o time não caia novamente. Seus números mostram isso.

Aliás, nenhuma equipe que foi comandada por Borges – Bahia, Fluminense, Flamengo, Atlético-PR e Corinthians – até hoje foi rebaixada no ano de sua passagem.

Cristóvão, com um elenco reforçado – ele ou qualquer outro precisaria de contratações -, pode fazer com que o clube tenha um ano mais digno que os últimos. No meio da tabela, longe da posição que a história do clube permite comemorar, porém, sem sustos, o oposto do que tem sido recentemente.

O histórico mostra que é possível. Agora, é necessário que a diretoria dê as ferramentas para isso.



  • Junior Peixoto

    Pois é Garone, a maior questão nem é o Cristovão em sim, mas o time que ele vai ter em mãos! A torcida cobra, pq não quer ver o time em meio de tabela, mas no momento a gente não pode sonhar com muito mais do que se manter em meio de tabela.
    Temos de ver quem vai ser contratado ano que vem e se vai vir pra ajudar o time. De resto, só resta torcer pro Cristovão ir bem e a gente não voltar a B, pq isso sim seria desastroso.

    • Fernando

      Excelente Junior.

  • Marcos Vinícius

    Durante seu rexto,notei que algumas vezes aparece “queda”,ou “medo de cair”,ou “manter-se na primeira divisão”.

    Acho que pensar assim é pensar pequeno,e isso não condiz com o Vasco. Um erro de planejamento,em confiar em um elenco que ganhou um estadual fraquíssimo,além de insistir em um treinador que perdeu completamente o controle do elenco,fizeram com que o Vasco caísse em 2014. Não creio que isso vá acontecer novamente,é certo que reforços virão,pois com esse time… Claro que não devemos nos enganar achando o Vasco será campeão de tudo em 2017,mas devemos,todos,apagar a mancha da última queda e pensar em algo bem maior do que apenas não cair.

    Quanto à Cristóvão,se tiver ovos pode fazer um bom omelete.

  • Dirceu

    Os números nos mostram claramente, que o Cristóvão não é um técnico de ponta. Eles, melhor do que ninguém, demonstram que seu trabalho é, no maximo, mediano. Talvez tenha sido exatamente essa constatação, que tenha levado o nosso ditador de charuto cubano, a contratá-lo, pois sua pretenção é que nossa torcida sofra por mais um ano, para pagar pelas vaias e críticas a ele feitas e para provar a todos que ele sempre faz o que quer.
    Voltando ao Cristóvão, 50% de aproveitamento, agora com um elenco de menor qualidade que os dos outros clubes pelos quais passou, significa que, na melhor das hipóteses, estaremos lutando por uma posição no meio da tabela, ou beirando a zona de rebaixamento. Considero um risco grande para corrermos em 2017.
    Some-se, ainda, o fato de que não observamos nada de moderno no futebol apresentado por suas equipes, e que, em termos de organização tática, não apresentaram qualidades que marcassem seu trabalho.
    Mas como você disse, mais importante do que o técnico, é o material humano que ele terá a sua disposição. Como o Vasco continuará a sofrer as quase mesmas restrições financeiras deste ano, a reformulação do elenco teria que ser feita com jovens revelações e um nome de maior peso. Neste ponto, todo o planejamento para a procura, identificação e negociação, já deveriam ter começado há muito tempo.
    Era preciso que nossos dirigentes tivessem a competência para planejar essas novas contratações, e serem respaldados pela confiança de parceiros e torcedores, para levantar os recursos necessários para a formação de um time que desse-nos a segurança da permanência na série A.
    Quando vemos que foram esses mesmos dirigentes os que planejaram o nosso brilhante ano de 2016, fica difícil acreditar que em 2017 a história será diferente.
    Temos que mudar radicalmente, mas mudar sob o comando de nosso decrépito presidente, que diz ter o clube necessidade de seu trabalho, o que demonstra sua cegueira ou seu cinismo incomensuráveis, será uma missão impossível. Lembrem-se que, de 2001 até hoje, foi ele que esteve à frente do Vasco por 5 mandatos, exatamente no período em que vimos experimentando um longo processo de decadência. Se nosso clube quer se destruir, nosso pseudo ditador é o comandante certo. A realidade dos fatos está aí.
    Assim, como nada diferente acontece, se a teimosa cabeça se acha competente e imprescindível, continuaremos os mesmos, com o mesmo sofrimento de todos esses últimos anos, carregando por mais um ano a nossa cruz de malta.
    Resta-nos rezar para que os céus nos traga a ajuda divina, já que, se dependermos de trabalho sério e competente, de planejamento, acompanhamento e controle, e de confiança para gestão competente de nosso clube, estaremos náufragos sem um bote salva-vidas.
    Que Deus nos livre desses maus, e que os ditadores e seus cubanos se encontrem em breve.

    • Fernando

      Cada uma sandice que a gente lê por aqui, que chega a ser surreal. Um monte de filosofo de relvado que nao sabem nada do dia a dia do clube, e nem ao menos se associam ao clube para de alguma forma ao menos saber do que estao falando!

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