Clubes do Rio precisam romper a barreira estadual



Torcida do Vasco marcou presença em Cariacica (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Torcida do Vasco marcou presença em Cariacica (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Quantas vezes será que um morador do Rio de Janeiro visita o Cristo Redentor por ano? Quantas selfies um parisiense tira em frente à Torre Eiffel antes de passar a tratá-la com naturalidade? Será que os moradores de Orlando vão todo fim de semana a Disney? Às vezes é difícil admirar o belo quando ele se torna comum. Esse parece ser o momento do futebol carioca na relação entre times e torcidas.

Claro, o nível técnico geral da disputa é baixo, pouco atraente para a maioria – porém fundamental para a permanência dos pequenos em atividade, ao meu modo de ver -, mas principalmente para quem tem acesso aos jogos o ano inteiro. Quando ver seu clube de coração em sua cidade vira algo tão raro quanto um gol de Julio dos Santos, qualquer oportunidade se torna uma final de campeonato. E o adversário, o Barcelona. Foram isso que mostraram os capixabas que lotaram o estádio em Cariacica para assistir a partida entre Vasco e Boavista.

No Rio, seria apenas mais um confronto morno pelo Estadual, com 4 ou 5 mil pagantes. Somente uma das mais de 40 chances que o torcedor tem de ver o seu time jogar por ano. Para a torcida do Espírito Santo, porém, um momento raro. Independente de competição, adversário ou momento, fizeram questão de apoiar do saguão do aeroporto até depois do apito final. Transformam um duelo comum – para os cariocas -, num verdadeiro acontecimento.

O Fla-Flu no Pacaembu foi outra prova disso. Por ser um clássico, teria um bom público em qualquer lugar do Brasil, mas pelo volume de torcedores do Rubro-Negro é de se imaginar que não seria diferente caso enfrentasse qualquer outro adversário. A ida para São Paulo foi um caso de necessidade, mas poderia muito bem ser por opção. Deveria ser.

O torcedor habituado a ir aos jogos no Rio, em sua maioria, escolhe a melhor rodada para ir, analisa o adversário, o preço, a data, o horário que não vai atrapalhar aquele churrasquinho já marcado ou a praia com os amigos. Não dá para ir em todos, é necessário avaliar muito bem antes. Já quem é de fora precisa aproveitar a oportunidade que tem. Não importa se será contra um combinado local. Estão lá para ver o seu clube, muitos pela primeira vez, não o outro.

O Campeonato Carioca pode ter se apequenado nos últimos anos, mas os clubes continuam gigantes em sua essência. Em suas torcidas. Maiores que a própria competição, como sempre foram. São clubes nacionais como poucos no Brasil. Jogar fora do estado talvez seja a melhor forma de voltar a ocupar as arquibancadas e romper a barreira estadual com seus programas de sócios-torcedores. Isso sem deixar que se torne algo comum. É a raridade que muitas vezes dá valor as coisas.

Na Série A deste ano, por exemplo, apenas oito estados terão representantes – Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco e Bahia. Ou seja, 19 unidades federativas não receberão a visita de nenhuma equipe da elite do futebol brasileiro este ano, a não ser no caso de confrontos pela Copa do Brasil. Poucos, porém.

Fica claro que há um mercado a ser explorado, com um público já mensurado em cada área, com um baita potencial de compra e que apenas não tem acesso direto ao produto. Nem uma vez por temporada. Por que não usar exatamente a mercadoria que hoje é pouco valorizada por aqui? Para quem não tem nada, metade é o dobro.

Durante as décadas de 40 e 80 era normal as equipes passarem meses viajando pelo país fazendo partidas amistosas. Era assim que os plantéis arrebatavam novos torcedores, estreitavam suas ligações com os já existentes e faziam de cada jogo um momento especial a ser vivido por pessoas que até então sequer acompanhavam pela tv. A experiência de ver seu time ao vivo é única, insubstituível, e para muitos só é possível com esse deslocamento do clube.

Se Maomé não vai até a montanha…



  • LULADRÃO CURICAS

    AGRADEÇA AO DITADOR GETULIO VARGAS QUE SO PERMITIA AS RADIOS DO RIO FREQUENCIA ALTA SUFICIENTE PARA CHEGAR AO NORDESTE. O MOTIVO É QUE SP LUTAVA PELA DEMOCRACIA E O RIO ALIENADO . CITEM O FATO

  • Wallace M. B

    Belo Post! Como a tempos não lia. Consciente e perfeito. Imparcial, respeitando tudo e todos. Meus sinceros parabéns! Um tema interessante, tratado de maneira muito inteligente.

    Só uma raça seria incapaz de entender o sentido, os flamenguistas.. Mas desses não se dá para esperar muito!

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