Barco ‘à Doriva’



Doriva balança no Vasco (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)

Doriva balança no Vasco (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)

Um é pouco, dois é bom e três é demais. Eu completaria: quatro é inaceitável e cinco vira rotina. Perder cinco jogos consecutivos e estar 15 pontos atrás do líder após apenas oito rodadas, não é ao acaso. Deixou de ser fase há muito tempo.

O Vasco até consegue ter bons momentos nos jogos, manter a posse de bola, mas não passa disso. ‘Tomamos um gol bobo’, disse Luan ao fim da derrota para o Sport. Sim, mas que dia a bobeira irá acabar? Essa é a grande questão. Em todas as partidas acontecem as mesmas falhas e elas seguem sem serem corrigidas.

Há algumas semanas escrevi um texto isentando Doriva de culpa, mas eu – assim como a diretoria – já começo a repensar sobre isso. Afinal, se os erros de posicionamento e de escalação são, muitos deles, claros, por que não são consertados? Esse é o trabalho do treinador.

O elenco é limitado sim, mas cabe ao técnico tentar tirar o melhor dele. E isso não vem acontecendo.

As falhas nas coberturas dos laterais são antigas e, obviamente, foram estudadas pelo Sport. Quando Doriva pensou em segurar seu lateral-esquerdo, que subia correndo e voltava andando, o jogo já estava 1 a 0 para o Leão. Exatamente aproveitando uma bola perdida por Christianno que, após desarmado, preferiu avançar mais para fazer pressão do que voltar para recompor. Resultado: jogada de Maikon Leite e gol de André.

A atuação da equipe depois do gol até melhorou. Riascos fez boa partida e conseguiu dar velocidade e mobilidade ao ataque, mesmo sendo o único em meio a um Vasco estático, que por vezes parecia brincando de pique-cola. Só mexe que está com a bola. E às vezes nem isso.

O empate veio, mais na força do que na técnica, e o time parecia que poderia, enfim, voltar ao menos a pontuar. Mas como já tem virado rotina, mesmo quando melhora um pouco, é certo que em algum momento a equipe vai fraquejar e entregar. Dito e feito.

Com Rafael Silva no lugar de Jhon Cley, o ataque ganhou movimentação e o Vasco chegou a ter a chance de virar. Apresentou 15 minutos de um bom futebol, até a saída de Emanuel Biancucchi. Não que o argentino viesse bem, mas a entrada de Julio dos Santos, e a desnecessária troca de posição dos jogadores de frente, acabou com a mobilidade ofensiva do Cruz-Maltino.

Riascos vinha bem, caindo pela esquerda, e foi deslocado para o meio. Rafael Silva, que vinha segurando Renê na defesa, saiu da direita e foi para o lado oposto. E o paraguaio, lento, não conseguiu dar combate na marcação e menos ainda ajudar na criação. E a direita, que ao menos parecia segura, passou também a ser ameaçada.

Com o ataque desarrumado, principalmente após a saída do colombiano e a inexplicável entrada de Júlio César, o Sport se sentiu tranquilo para avançar e pressionar. Sabe aquela história que diz que a melhor defesa é o ataque? Pois é, é verdade.

O Vasco deu campo, deu mole e sofreu mais uma derrota no campeonato. A linha de impedimento, também conhecida como linha burra, na cobrança de falta – coisa antiga, dos tempos de Adílson Batista – não leva esse nome à toa. E a defesa mais uma vez não foi capaz de segurar nada e nem ninguém. Três toques na bola e nenhum defensor foi capaz de tirar a bola da área.

Gol bobo? Não, gol de quem quis mais empurrar a bola para o lado adversário. E o Vasco perdeu. De novo.

Os erros são os mesmos. As ‘bobeiras’, também. O barco segue afundando e ninguém aparece para tampar os buracos, sequer conseguem botar a água para fora. Se o comandante não agir logo, afogará com o grupo ou irá para a prancha…

Água já está nos joelhos.



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