Até o último minuto



Vasco venceu com um gol aos 48 minutos do 2º tempo (foto: Paulo Fernandes/Vasco)

“Paulão! Paulão! Paulão! Paulão!”

Quarenta e oito minutos do 2º tempo, e o nome do zagueiro ecoa no Nilton Santos na certeza de um novo milagre. Um desavisado que passasse pelo lado de fora do estádio iria para casa com a certeza de que foi a tarde de glória do zagueiro. Ou uma brincadeira de 1º de abril.

Era, na verdade, a prova de fé do vascaíno no imponderável. Digo mais: era a certeza da ressurreição na Páscoa.

Na última bola do jogo, na busca pelo gol da vitória na primeira decisão, o cruz-maltino não direcionou seu último grito para Paulinho, a jovem revelação do time, nem Thiago Galhardo, que entrou muito bem na partida, ou mesmo Pikachu, artilheiro do dia e do ano pelo lado vascaíno. Desprovido de qualquer razão ou lógica, o torcedor berrou o nome daquele que até então era vilão.

Naquele momento, nos instantes finais, era sabido por todos ali que apenas um fato incomum mudaria o 2 a 2 do placar, equilibrado como o duelo que Vasco e Botafogo fizeram. Me atrevo a dizer que até a defesa botafoguense se preocupava mais com o defensor do que com qualquer outro jogador em campo.

Paulão tinha tudo para ser o novo Fabrício.

Era tão óbvio, que o destino, talvez cansado de clichês, decidiu surpreender mais uma vez. O Vasco, que sofreu na bola aérea tal qual uma criança no teste do pezinho, usou o jogo pelo alto para sair na frente na decisão do Estadual.

Galhardo, o falso lento, bateu sem falsa modéstia o escanteio. Uma bola com jeito despretensioso, sem peso, como uma pipa voada. Porém, letal, como cerol. Paulão, dono da última prece das arquibancadas, passou direto. Wellington deu de ombro. Literalmente. E a redonda se ofereceu como um ovo de Páscoa para Ríos.

Da mesma posição onde Renatinho abriu o placar para o Glorioso, fazendo com que os vascaínos gritassem o nome de Paulão em outro tom, o argentino o fechou: 3 a 2. A bola, debochada que só ela, ainda passou raspando em Marcinho, que minutos antes havia tirado em cima da linha outro gol do atacante.

Foi o terceiro bom confronto entre Botafogo e Vasco no campeonato. Mais um clássico no Carioca grande demais para caber em apenas 90 minutos.

Dois times dispostos a usar o erro do outro para ficar com a taça. O Bota, pressionando a saída adversária e levantando 20 bolas na área vascaína. E ganhando muitas, inclusive no 2º gol. O Vasco, por sua vez, explorando as subidas dos laterais botafoguenses com a velocidade de seus pontas. Melhor para Pikachu, Wagner e Riascos, que participaram dos dois primeiros gols da equipe de São Januário.

Um jogo franco, verdadeiro. Assim como haviam sido os dois anteriores.

De mentira, neste 1º de abril, apenas a afirmação que o Estadual não tem mais graça. Pior que isso: que ele já não é capaz de causar emoção ou comoção. Tão emocionante, que segue tudo em aberto.

Afinal, onde a bola termina, começa a alma. E isso não tem faltado nos duelos decisivos do campeonato.

E provavelmente assim será, até o último minuto.



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