As incertezas do Vasco



Lateral-esquerda do Vasco segue indefinida (Foto: Rafael Ribeiro/Florida Cup)

Lateral-esquerda do Vasco segue indefinida (Foto: Rafael Ribeiro/Florida Cup)

Cristóvão anunciou que faria poucas alterações no Vasco durante os jogos da Florida Cup. A intenção era dar ritmo ao que ele considera ser seu time titular, fazer pequenos testes e buscar certezas. Voltará, certamente, com muitas dúvidas. Inclusive em relação a pontos que pareciam certos.

É verdade que a equipe que entrou em campo contra o Corinthians, na goleada sofrida por 4 a 1, foi basicamente a de 2016, apenas sem algumas peças. Muriqui e Escudero, únicos reforços que viajaram com o grupo, começaram no banco. E apenas o argentino entrou. Mal. E isso só ajudou a expor a fragilidade de alguns setores que não foram reforçados.

A bagagem de 2016 é muito pouca para 2017.

No fim, o que se viu foi o mesmo que se acompanhou no ano passado: um time que não pressiona no meio-campo, cerca muito e desarma pouco, característica que já vinha tendo mesmo atuando com volantes de origem – Marcelo Mattos e Diguinho -, tanto que foi apenas o 17º no ranking de desarmes da Série B – segundo dados do Footstats -, e um excesso de lançamentos, apesar de em alguns momentos ter mostrado melhora na troca de passes curtos.

Ainda falta dinâmica e intensidade. Para todo o time.

A Florida Cup é um treinamento, uma competição preparatória. E como tudo que é ‘pré’, é dado a chance de errar. Desde que sejam corrigidos posteriormente. E ficou claro que o Vasco precisa mais do que apenas Wagner e, possivelmente, Luis Fabiano. Há lacunas defensivas que precisam ser tapadas. Urgentemente.

Não falta apenas treino. Falta ainda qualidade.

Rodrigo segue demonstrando ser um zagueiro inconstante, capaz de definir partidas positivamente e negativamente. Contra o Corinthians, errou ao tentar antecipar o passe de Marlone, no lance do 2º gol, tentou despachar a bola de forma displicente na jogada que originou o 3º gol – depois deixou Kazim ‘por conta’ do jovem lateral Alan – e ameaçou uma linha de impedimento, simplesmente parando, no 4º.

E não é a primeira vez que isto ocorre. Foi recorrente em 2016. Os gols marcados vez ou outra acabam mascarando as falhas do capitão. Em uma posição onde regularidade é fundamental, não tem conseguido manter a sua. O mesmo serve para os volantes.

Evander segue errando – normal para quem estreia na posição com 10 dias de treinamento -, mas melhorou muito o toque de bola da equipe. Porém, a necessidade de um companheiro com mais velocidade e pegada – sem que se perca o passe – ficou nítida. Pode ser que a volta de Douglas Luiz defina a dupla, mas ter mais opções será importante para a temporada.

Se Cristóvão queria certezas durante a competição, conseguiu ao menos uma: o Vasco precisará de mais que apenas reforçar o seu ataque. O nível geral ainda está bem abaixo dos clubes da Série A, tecnicamente e fisicamente. O confronto com o Corinthians mostrou bem isso. Principalmente na defesa.

O placar de 4 a 1 foi horrível para os vascaínos, mas pode ser ótimo para abrir os olhos da diretoria. Mas tem que ser agora.

A vantagem é de que ainda é pré-temporada e o mercado segue aberto. Não é só treinar, precisará reforçar. Parece ser a hora certa de rever a estrutura defensiva que se repete desde 2014.

Não serão dois jogos que farão o treinador abrir mão de seu esquema, o 4-2-3-1 implantado até agora. E nem deve. Porém, precisará rever a necessidade de conseguir novas peças.

De certo mesmo, é que ainda há muita incerteza em São Januário.



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