Aplausos merecidos em São Januário



Vasco deixou o gramado sob aplausos (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Vasco deixou o gramado sob aplausos (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Os vascaínos apoiavam por ‘teimosia’.

Sabiam que o Santos era favorito, pelo futebol e pelo placar do primeiro jogo.
E isso não é ruim.  Pelo contrário. É exemplo do que deve ser mantido por todas as torcidas.

Torcer é acreditar no improvável, rezar sendo ateu, ser matemático e ir contra a probabilidade.

Pra ser metódico, é preferível esticar bandeira na partida de xadrez.

Deixa eu consertar: os vascaínos apoiavam por amor.
Teimosia é achar que há esquema tático perfeito, modelo padrão – de jogar e de torcer -, resultado obtido no ‘Super Trunfo’ – carta por carta – ou achar que impossível no futebol é uma palavra cabível.
Não é.
E essa é a graça.

O Vasco se recusou a perder de véspera. E sua torcida também.

Melhor: fizeram disso um espetáculo.

O Cruz-Maltino jogou mais do que vem jogando, contra um Santos que foi menos do que tem sido. O Vasco foi, em São Januário, o que não foi na Vila Belmiro. Foi, contra o Peixe, o que não tem sido contra Sampaio Corrêa, Vila Nova, Tupi e cia.

Foi Vasco.

Cheio de defeitos e erros, mas com vontade de quem não aceita a derrota facilmente. Com jeito de quem se abre pra vencer sem ter medo de perder. E se fosse assim todo dia, jogaria como se fosse Série A a Série B. Com São Januário mais pulsando que pensando.

Quem pensa demais sente de menos.

Falar de arbitragem é cair na redundância. Não é novidade no futebol, brasileiro ou de fora. Não é surpresa para o Vasco ou qualquer outro. A classificação vascaína poderia nem vir. Restava ainda um gol para sonhar com os pênaltis, mas é impossível negar que o juiz cancelou essa oportunidade ao não marcar a falta e os impedimentos que resultaram no empate santista.

Nem o Santos precisava disso.

Tiraram a certeza que só um resultado justo dá. Cancelaram a oportunidade do inesperado acontecer. Garantiram o óbvio com um óbito antecipado.

O Santos, como melhor time que é, seguiu seu caminho – até esperado. O Vasco, apesar da eliminação, reencontrou algo que lhe faltava: o brio das grandes disputas.

O único derrotado, no fim da história, foi – mais uma vez – a arbitragem que impediu um fim de partida mais emocionante que revoltante. Deram, novamente, a emoção errada que o futebol precisa.

‘Seje menas, miga’.

O Vasco sairia aplaudido, e o Santos também, com o mesmo 2 a 1 que havia sido construído. A arbitragem conseguiu ofuscar um pouco dos dois. Que o rabisco seja riscado, de uma noite em que todos poderiam ter ganho algo, mas padeceram do mesmo alvo.

Cai um urso que lutava de pé. Avança um peixe que nada em águas límpidas.



  • Cleber Aguiar

    É o preço da falta da educação cotidiana, da cultura do vou ver se passa, da atitude que desvaloriza a boa conduta e que se propõe na ética. Uma nação carente de bons exemplos em quase tudo neste país. E aqui, o lamentável não é a queda de um e a glória do outro, mas a maldita interferência, a tal parcialidade, o descompromisso e a falta de consequência, tão vil e tão sentida pelo mesmo povo que brindará a vitória da sua parte. Sim, precisamos rever, ou melhor, reencontrar princípios e valore, deixando de lado e abandonando estes conceitos justificadores de que vale tudo pelo objetivo. Se é isto que queremos, como nos vemos representados pela “Lava Jato”, pela “Operação Acrônimo”, injustiça é injustiça, corrupção é corrupção. A questão não é estar envolvido ou não, mas viver ou não viver isto em nós mesmos. Está perdendo a graça, isso de roubado é mais gostoso, depois reclamamos do 7 x 1? Do desemprego? dos milhos de postos de trabalho que aconteceram mas que também já desaconteceram! É o estar dentro desse vilão chamado “Vale Tudo”. Uma pena!

    • GuilhermeCunha

      E a Lava Jato é imparcial por acaso? Prendem o cara lá no hospital quando a esposa está com câncer – eles mesmos voltaram atrás qdo viram a merda que fizeram – e deixam Cunha – que não tem mais foro privilegiado – e sua mulher – que nunca teve lindos, leves e soltos e com passaporte pra fugirem do país a hora que quiserem.

      • Cleber Aguiar

        É Guilherme, a coisa é complexa. Fico perplexo com as pessoas, com o sistema, com as rixas, com toda esta bosta que se transformou o pensamento ideológico no Brasil. Seja Cunha, seja Lula, seja Aécio, seja quem for. Roubou tem que ir em cana, acabar com o tal FP – Foro privilegiado, lugar de ladrão é com ladrão! independente se possui ensino superior, isto aliás deveria ser um agravante e não um atenuante. E quem defende a canalhice poderia ser responsabilizado junto, afinal farinha do mesmo saco deve ir pro mesmo saco.
        Simples assim!

  • Paulo Wagner

    Disse tudo. O Santos tem um time melhor e o lógico seria a classificação. Mas quem decidiu o jogo foi a arbitragem. Como vem acontecendo, e muito, ultimamente.

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