Ânsia pelo desespero



Nenê perdeu pênalti após cinco anos (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

Nenê perdeu pênalti após cinco anos (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

O Vasco não joga bem há três jogos. Mas também não perde. Venceu um e empatou dois. Foram dois clássicos – Botafogo e Flamengo – e um jogo contra o pequeno que mais tirou pontos dos grandes, o Volta Redonda, que venceu Fla e Flu.  Mas o desespero bate à porta, ao menos para parte da torcida. Vascaínos nas redes sociais querem mudanças, não dá para continuar assim, dizem. Calma.

É nítida a queda de desempenho da equipe vascaína nos últimos jogos, porém, um declínio mais individual de seus principais jogadores do que tático. Nenê deixou o brilho intenso de lado para algumas piscadelas. Thalles, de virado para lua, voltou a ser estrela cadente. Rodrigo, de segurança defensiva, parece mais um segurança – ruim – de boate, cheio de extremos e deslizes. Mas ainda é o Vasco de Jorginho, que não perde faz cinco meses. Está invicto, imbatível, mesmo apresentando um futebol insosso nas últimas rodadas.

É cedo para desespero, ainda que alguns torcedores tenham toda razão em ter medo de ser tarde demais. Gritar no primeiro sinal de água na proa parece ser sempre a melhor forma de impedir que o barco afunde, mas é preciso também evitar o caos. Principalmente quando não se sabe ao certo se a poça é fruto de um furo no casco ou de uma desatenção de alguns tripulantes.

O Vasco não está bem, mas é. Um bem montado por Jorginho, que mesmo que desafine em alguns momentos, toca uma música audível, ainda que nem sempre dançante ou agradável. É pior que o Cruz-Maltino do início do ano, mas segue fazendo frente aos seus adversários diretos. Suficiente para a Série B? Isso é conversa para depois do Estadual.

O momento do time não é o melhor, mas isso não é tudo. Passar pela pior fase sem saber o que é derrota, mesmo encarando alguns de seus principais adversários, é de se enaltecer. O time está praticamente classificado para a próxima fase, a hora de errar e consertar é agora.

Há quem veja o início de um momento ruim, outros que acham que o pior que pode acontecer já está ocorrendo. Neste caso, estou com o segundo grupo.

Pode ser que o Vasco seja campeão jogando mal, que perca jogando bem ou qualquer das outras duas combinações possíveis. No fim, sempre terá alguém com a plaquinha pronta empoeirada e escrita: eu avisei. Faz parte do jogo, assim como atuar bem ou mal.



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