O Vasco de Jorginho, mas com cara de Doriva



Jorginho estreou com vitória pelo Vasco (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)

Jorginho estreou com vitória pelo Vasco (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)

É obviamente cedo para falar do trabalho de Jorginho, que assumiu o Vasco há três dias. Porém, em sua estreia, algumas mudanças, principalmente táticas, contaram com sua mão.

O treinador vascaíno não ‘inventou a roda’, não fez grandes mudanças na escalação, mas adotou uma postura que já havia dado certo. A equipe que foi a campo contra o Flamengo, nesta quarta-feira, possuía características bem semelhantes as do time de Doriva, campeão estadual no 4-2-3-1. E bem diferente do indefinido Vasco de Roth.

Defender em bloco e atacar em velocidade. Assim era o Vasco de Doriva, e assim foi o de Jorginho em seu primeiro jogo. Sem a bola, a equipe se fechou num 6-3-1, com Julio dos Santos na ala direita e Jorge Henrique na esquerda, deixando Madson e Christianno quase como zagueiros. Isso dificultou a infiltração do Flamengo, que praticamente só assustou, no 1º tempo, em um erro de marcação de Anderson Salles e do lateral-esquerdo, que deixaram Guerrero livre para marcar, mas Martín Silva salvou.

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Julio dos Santos fez exatamente o mesmo papel que exerceu no 1º semestre, ajudando Madson na marcação, fazendo lançamentos longos – inclusive o que iniciou a jogada do gol – e invertendo de posição algumas vezes com o lateral. Além disso, enquanto teve pernas, conseguiu chegar ao ataque para finalizar.

O esquema não é novo, mas as peças são. Pegue o time do Carioca e coloque Nenê na vaga de Dagoberto, Jorge Henrique no lugar de Rafael Silva e Riascos substituindo Gilberto. Basicamente estas foram as mudanças, com a equipe ganhando em qualidade individual.

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As dificuldades que Marcinho, Dagol e Bernardo tinham, os novos contratados do clube não parecem ter. Mesmo recém chegados, mostraram mais mobilidade e objetividade que seus antecessores. Até mesmo o colombiano, que costumava atuar pelos lados, conseguiu prender bem a bola no ataque, algo que o antigo centroavante tinha dificuldades para fazer. Com tempo para os meias chegarem, as jogadas fluíram e o time conseguiu trabalhar as jogadas com mais tranquilidade, se desfazendo menos da bola e tendo maior posse no ataque do que em sua defesa.

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Inicialmente, Nenê joga centralizado, com JH na esquerda e Julio dos Santos/Madson na direita. Mas as posições mudaram de acordo com a movimentação ofensiva. Sempre que uma jogada se desenrolava de um lado, o meia da outra ponta afunilava e virava um atacante. Assim nasceu o gol e as principais chances do Vasco.

O quarteto Julio-Nenê-JH-Riascos funcionou, quase sempre contando com o apoio de ao menos um de seus laterais. Com isso, Guiñazu e Serginho puderam se limitar apenas a marcação, não deixando brechas atrás e nem desmontando a estrutura defensiva.

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Desde os tempos de Doriva, uma das grandes deficiências da equipe era a falta de capacidade de colocar dois ou mais homens dentro da área. Sem conseguir manter a bola no ataque, tentando definir rapidamente os lances, o time não conseguia criar jogadas consistentes pelas pontas, com reais chances de gol. No clássico, mesmo com o placar magro, as oportunidades passaram a acontecer com mais constância, apesar de nem sempre a finalização sair como deveria.

O jogo contra o Goiás, no próximo sábado, mostrará se esta formação será o padrão de Jorginho ou se foi apenas a solução de momento. Ter uma sequência dentro de um formato pré-definido será fundamental para o Cruz-Maltino tentar escapar da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e ter vida longa na Copa do Brasil.



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