Ah, o mata-mata…



Juninho Pernambucano e Romário foram campeões pelo Vasco em 2000 (Foto: Ivo Gonzalez)

Juninho Pernambucano e Romário foram campeões pelo Vasco em 2000 (Foto: Ivo Gonzalez)

Como bom vascaíno, aproveitei essa quarta-feira para dar uma secada no rival que jogou pela Copa do Brasil. Normal. Tem gente pagando até pay-per-view para secar a gente na Série B… Faz parte do jogo! Mas não sei se eu me importaria tanto se não fosse uma decisão em mata-mata.

Se você tem 18 anos ou menos, talvez não se recorde do Campeonato Brasileiro antes dos pontos corridos. Era outra competição. Que me desculpem as pessoas que gostam deste formato “mais justo”, mas isso é futebol, não corrida de cavalo. Tem que ter emoção, paixão, gol decisivo, partida final, jogo de volta, polêmica… Essa é a graça da brincadeira.

E não digo isso apenas por ter visto o rival perder. Assistir mata-mata é legal independente do time que está em campo. Se for final então, parem tudo! Me lembro muito bem dos títulos conquistados em 97 e 2000: duas semanas de pura agonia, euforia e a expectativa criada em cima do dia da final. Hoje não temos mais isso.

E não me recordo apenas das finais do Vasco. Flamengo x Botafogo, em 92, Palmeiras x Corinthians, em 94, Santos x Botafogo, em 95, Portuguesa x Grêmio, em 96… Até mesmo São Caetano e Atlético-PR em 2001, me lembro de ter reunido os amigos num churrasco para assistir a decisão. Ninguém torcia para nenhum dos dois, mas isso não impedia de curtirmos a magia de um dia de final de Campeonato Brasileiro. E não teve um só jogo que não tenha sido emocionante!

“Mas na Europa é assim”, alguns vão dizer. Pois é, só que lá a maioria dos países são do tamanho dos nossos estados. É uma questão de logística. Eles podem fazer um campeonato com quase 40 jogos, vão se deslocar como fazemos no Estadual. Quando a distância aumenta, como no caso da Champions, adivinhem?! É mata-mata…

Ta aí um dos problemas de calendário que precisam ser resolvidos e alguns ainda insistem em achar que fazendo como lá fora que dará certo aqui. Não dá! A França é territorialmente proporcional à Bahia. A Alemanha à Mato Grosso do Sul. Minas é maior que a Espanha. E por aí vai…

Disputamos um “torneio continental” dentro do Brasil, mas não entendemos quando jogadores e comissão técnica reclamam do excesso de viagens, que não tem tempo de treinar… É exatamente por isso. E é aí que cai por terra a teoria do pessoal que busca um futebol “mais profissional” espelhado no que é feito lá fora. Nem tudo é adaptável.

As vezes parece que estou assistindo “Jamaica abaixo de zero”, lembra desse filme? Tem uma cena em que um dos jamaicanos resolve contar até três em alemão, antes de descerem pela pista com seu ‘trenó’, ao invés de cantarem, como sempre faziam. Resultado: bateram algumas curvas depois. A história cada vez parece ser mais real. E próxima.

Futebol tem que ser, antes de tudo, empolgante, apaixonante, imprevisível e emocionante. Ser “justo” é apenas uma consequência, não uma obrigatoriedade. E isso, só o mata-mata proporciona. É a oportunidade do imponderável acontecer.

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