A zona vascaína



Vasco foi derrotado pelo Botafogo (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)

Vasco foi derrotado pelo Botafogo (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)

Fazer gols no Vasco se tornou um hobby nacional neste Campeonato Brasileiro. Está para o futebol assim como a missa para a igreja. Se tornou algo religioso, ecumênico. Todos participam.

A ideia de Milton Mendes de construir um time a partir da defesa foi ao solo mais rápido que um bumbo em São Januário.

Pior: essa fragilidade defensiva sequer acontece em razão de um tesão ofensivo incontrolável da equipe. Muito pelo contrário. O time consegue ser mórbido e frágil em seus dois extremos.

E no meio, que não sabe se vai ou se fica.

Contra o Botafogo, o Cruz-Maltino novamente optou por uma marcação por zona do início ao fim. Não só do jogo, mas do campo. O Glorioso trocou passes em seu ataque com a mesma tranquilidade que o fez em sua defesa. Não foi raro ver os vascaínos perseguindo uma bola quase que invisível para si.

Fruto de uma ocupação de espaço que praticamente ignora a redonda, onde os atletas se portam como bonecos de totó, espaçados entre si, mas didaticamente alinhados. Enquanto isso, a bola, nos pés de uma equipe que sabe muito bem o que deve fazer, rodava quase sempre às costas do marcador do Vasco.

O Botafogo roda a bola. O Vasco, marca a bola. Logo, o Vasco roda. Tonto, não marca.

Por sorte de Milton Mendes, não é característica da equipe de Jair Ventura propor o jogo durante os 90 minutos. Caso contrário, o placar poderia ter sido mais elástico.

Os espaços deixados por Henrique e Paulão para Bruno Silva e Roger, respectivamente, no lance do primeiro gol do clássico, assentariam ao menos cinco famílias de sem-terra, com uma pequena horta horizontal e duas vagas na garagem.

Não houve – e quase nunca tem havido – qualquer pressão para retomar a posse antes da intermediária defensiva. Curiosamente, essa era uma das características de Milton em seus primeiros jogos pelo Vasco. Algo mudou.

Um homem de muletas, em diagonal, arremataria contra Martin Silva sem ser ao menos desequilibrado.

Já o Botafogo, como de costume, se posicionou todo em seu campo de defesa, obrigando os zagueiros vascaínos a jogarem, pressionando após o primeiro passe, dobrando em cima do homem da bola que recebia de costas – Douglas e Nenê, quase sempre – e saindo em velocidade.

Um choque de estratégias no Estádio Nilton Santos.

A marcação em zona proposta por Milton Mendes tem feito jus ao nome. Pior: tem sido uma zona que evita contatos físicos e que preza pelo distanciamento. Essa zona ninguém gosta. Só quem joga contra.

Na frente, o símbolo maior das decisões equivocadas que vêm sendo tomadas ocorreu aos 38 minutos do 1º tempo.

Falta frontal para o Vasco. Placar marcando 1 a 0 para o Botafogo. Nenê e Douglas Luiz na bola. Mateus Vital mais ao lado. Pikachu esperando uma chance de cobrar. Paulão, Breno, Jean e Luis Fabiano dentro da área.

DG ameaça partir. E para. O camisa 10 dá duas passadas rápidas e chega até a bola. A movimentação na área é grande.

Nenê rola para o lado… Para Henrique… A bola explode na defesa e sai pela linha de fundo.

Sete minutos depois, o Botafogo tem cobrança em posição parecida. João Paulo rola de lado e Victor Luís acerta lindo chute. Simples e eficiente.

Coisa que só acontece com quem tenta. E treina.

O Vasco foi, novamente, previsível.

De banco, Nenê se tornou outra vez referência. Agora, preso em um dos lados – esquerda no 1º tempo e na direita na maior parte do 2º. Um alvo fácil para a excelente marcação do Botafogo.

E toma-lhe cruzamento para Luis Fabiano sozinho contra três. Ou quatro.

Milton Mendes precisa repensar toda a sua ideia de jogo. Não apenas a formação, mas as estratégias, as jogadas ensaiadas e, principalmente, a postura defensiva da equipe.

É preciso organizar a bagunça. Ou melhor, a zona.



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