A ‘verdade’ sobre os públicos do Vasco na Série B



Vasco tem colocado mais público como visitante (Foto: Divulgação/Vasco)

Vasco tem colocado mais público como visitante (Foto: Divulgação/Vasco)

Nos últimos dias surgiram em diversos portais algumas matérias sobre as maiores médias de público das séries A, B e C. Levando em consideração apenas os jogos como mandante, o Vasco aparece somente na 32ª colocação geral. Uma péssima posição para um clube que tem uma das maiores torcidas do país.

Ter média de pouco mais de 5 mil torcedores atuando em São Januário realmente não é uma boa marca, mas é reflexo do futebol apresentado nos últimos meses. Ou anos.

Em contrapartida, há um erro de análise, ao me ver, quando se olham apenas os números como mandante. A condição do Vasco na Série B é diferente. Assim como o perfil do seu torcedor.

Dos cinco maiores públicos da Série B, quatro são de jogos do Vasco. Inclusive o recorde de 55.445, um dos maiores do futebol brasileiro no ano, contra o Ceará. Porém, todos como visitante.

O Vasco na Série B é desanimador para sua torcida, principalmente para a parcela do Rio que pode optar por ir em qualquer um dos mais de 40 jogos que serão realizados no município durante o ano. Nos outros estados, porém, é a chance quase que única dos torcedores acompanharem o clube. Inclusive os simpatizantes dos rivais.

Dos 17 adversários que o Vasco já enfrentou na Série B como visitante – faltam Bragantino e Criciúma -, onze deles bateram seus recordes contra o Cruz-Maltino: Ceará (55.455), Paysandu (28.938), Atlético-GO (17.339), Sampaio Corrêa (32.180), CRB (11.225), Londrina (13.318), Joinville (8.724), Goiás (14.587), Tupi (11.812), Brasil de Pelotas (5.211) e Luverdense (4.048).

Contra outros dois adversários, o duelo com o Vasco aparece entre os três maiores públicos das equipes: 35.023 contra o Bahia e 14.648 contra o Náutico.

Nestes confrontos, a média do Vasco sobe para cerca de 19.400 pagantes por rodada, mesmo atuando muitas vezes em estádio menores que os acostumados na 1º divisão e contra adversário mais modestos. O quádruplo do público como mandante. Nenhum clube da Série B levou tantos torcedores como visitante. Com esta média, na Série A, seria o 9º.

Essa é a diferença , que ao meu ver deveria ser considerada, quando um grande joga a 2ª divisão: ele também atrai torcida mesmo fora de seus domínios. Por isso, no meu entender, há um erro quando se aponta somente os números como mandante.

Nessa situação, o time é mais atração fora do que dentro de casa. É novidade.

O Vasco anda mal das pernas, é inegável. Seu torcedor está cansado, irritado e desanimado, isso é nítido e autoexplicativo pelos recentes rebaixamentos e atuações. Mas o clube segue sendo atração por onde passa.

Seja para quem torce a favor ou contra.

MAIORES PÚBLICOS DA SÉRIE B 2016

1º – Ceará 0x0 Vasco – 55.455 pagantes
2º – Bahia 1×0 Sampaio Corrêa – 35.658 pagantes
3º – Bahia 1×0 Vasco – 35.023 pagantes
4º – Sampaio Corrêa 0x4 Vasco – 32.180 pagantes
5º – Paysandu 3×1 Vasco – 28.938 pagantes



  • Racional

    Não seja benevolente demais Garone. O Botafogo na série B de 2015 teve como mandante média 9.338 pagantes por jogo. Superior a atual média do Vasco. O que acontece hoje no Vasco é resultado da falta de gestão no clube. O Vasco recebeu de cotas de tv neste ano a quantia de 100 milhões. Bem superior aos 5 milhões do virtual campeão Atlético-GO. Era obrigação, mediante estas receitas, que o Vasco fosse campeão. O Marketing do clube simplesmente não existe. Não conseguem motivar o torcedor a ir à São Januário apoiar o clube. Isso é fato. A base não é observada e os jovens talentos raramente são aproveitados. O estádio de São Januário poderia ter sido ampliado pela simples ideia de reaproveitar as arquibancadas desmontáveis utilizadas na olimpíada do Rio. Poderia ser montada no gol do Parque Aquático uma estrutura provisória aumentando em mais 5 mil torcedores a capacidade do caldeirão. Mas nada foi pensado. E consequentemente nada foi feito. Lamentável. O Vasco parou no tempo.

    • André Schmidt

      Mas quem disse que a média é boa? Quem disse que isso tem a ver com resultado em campo, que não teria obrigação de subir, independente de cota e verba? Estou falando de capacidade de mobilizar nacionalmente. O texto é bem simples e claro, sobre um único assunto, não passa por marketing, ampliação de estádio e etc. Você começou questionando um tema e sequer falou dele. O tema do texto é simples: o Vasco segue com visibilidade, que é o que interessa aos patrocinadores mas que dá um falso ar de que não tem quando se olham apenas os números do Rio. Mais de 50% da torcida do Vasco é de fora do Rio de Janeiro. E ela continua indo, mesmo em má fase. Caindo três vezes em 8 anos, não esperava um público grande mesmo não. E isso não tem nada a ver com marketing, ampliação ou algo do tipo. O que o torcedor do Vasco sente falta é de futebol, não é de selfie com jogador. Abraço.

      • Racional

        Bom meu amigo Garone, se vc acha que um bom trabalho de marketing não motiva os torcedores a irem ao estádio, então como se explica um Grêmio que há 15 anos não conquista um grande título nacional mas é top 5 dos clubes em sócios-torcedores? O Santos conquistou a libertadores de 2011, mas as suas médias de público não tiveram aumento considerável na mesma época.
        Muitas coisas motivam o torcedor a ir a um estádio e apoiar seu clube. E ele se sente ainda mais motivado quando vê uma diretoria que está trabalhando ou passando a imagem de estar trabalhando arduamente pelo clube. Até os atletas do clube se sentem motivados, desde que seja vendido a eles a imagem de uma diretoria que realmente está empenhada na recuperação do clube.
        É reconhecido que a torcida do Vasco é imensa no Brasil. É fato que o Vasco arrasta multidões em regiões como Norte e Nordeste, onde o clube atua poucas vezes ao ano. Mas culpar a pouca média caseira pelo fato de cair 3 vezes em 8 anos, para que então manter um departamento de marketing?? Aliás, onde está o marketing do clube que não viu nos torcedores desta região uma boa oportunidade de receitas com ações de marketing e venda de alguns mandos de campo?
        Não poderia somente enfrentar as equipes mais difíceis em São Januário? Para estes jogos não poderia ser feito um trabalho de marketing específico? Aliás é uma das funções do marketing de qualquer clube alavancar receitas. Receitas que ajudam a reforçar o time e a manter os seus melhores jogadores.
        Gosto do seu trabalho Garone, mas em oportunidades como essa, em que se pode criticar construtivamente a gestão do clube, vejo muita moderação de sua parte. Ou quase um silêncio.
        Abraços.

        • André Schmidt

          Mais uma vez você se mostra bem irracional para quem se autointitula “Racional”. Quando digo que o assunto não é marketing e ampliação de estádio é porque o texto se refere EXCLUSIVAMENTE aos jogos como visitante. E, nesse caso, a média é altíssima, como mostrado no post. Honestamente, não é difícil compreender. Aliás, a baixa média em casa é critica nas linhas 3,4,5,6, 13, 14 e por aí vai. Nem é difícil achar, cansei de contar até. Mas o texto é APENAS sobre a audiência fora do Rio. Assim como as matérias negativas são apenas sobre o público do Rio. Só mostrei o outro lado. Nem foi difícil pesquisar, uma pena que outros não tenham feito o mesmo.
          As críticas são feitas em inúmeras matérias, basta acompanhar o trabalho inteiro, não apenas na hora de reclamar. Mas há assuntos e assuntos. Falar de um não exclui o outro, só que os textos não são para falar de tudo. Por isso escrevo todos os dias, não uma vez por ano. Abraço.

  • Paulo Wagner

    Acho que, como era de se esperar, acabamos descambando para a paixão quando falamos do Vasco. Em especial, quando falamos do Vasco na administração do Eurico Miranda. Particularmente, vejo alguns acertos e erros.

    Como acertos, os maiores foram as voltas do basquete, a recuperação da quadra e da piscina, assim como o reforço do remo. Não dá para pensar a razão do Vasco ter ficado tanto tempo longe do basquete, assim como não dá para imaginar a razão do Vasco não ter um time de futsal digno da história do Vasco. Outras iniciativas em outros esportes “amadores”, como o judô, estão sendo feitas e isso é muito bom. Afinal, um clube do tamanho do Vasco não pode viver “só” de futebol.

    Por outro lado, o futebol continua patinando e repetindo erros que levaram o Vasco ao “fundo do poço”. A quantidade de jogadores em fim de carreira faz com que o time seja presa fácil para times mais novos e com mais “pegada” e “disposição”. Em termos de eficiência, deixamos muito a desejar. Certamente, o Vasco é o elenco mais caro da Série B e o desempenho é incompatível com a folha salarial. Se pegarmos a folha de times como o Atlético Goianiense, Bahia, Avaí e Náutico (os que vão subir), temos uma relação custo benefício muito melhor que a do Vasco. Não há renovação, apesar de ter havido avanços em relação ao anos anteriores. Até algum tempo, qualquer jogador do Vasco que fizesse um mínimo de sucesso não terminava o ano no Vasco. Qualquer time fazia uma proposta e levava. O fato do Nenê e do próprio Jorginho não terem saído é prova de que isso mudou, a princípio. Mas as contratações foram péssimas e, apesar do que fala Eurico, ele não sabe mais montar times competitivos. Ganhar o Carioquinha não significa mais grande coisa e, definitivamente, não é parâmetro para nada em termos nacionais.

    Enfim, agora é recomeçar a montar um time que consiga subir no ano que vem. Espero que a não promoção desse ano seja a última vergonha pela qual passemos por um longo tempo…

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