A traição



Luis Fabiano fez dois mas não impediu a derrota (Foto: Reginaldo Pimenta/Raw Image)

Luis Fabiano fez dois, mas não impediu a derrota (Foto: Reginaldo Pimenta/Raw Image)

Ser goleado em seu estádio deve ser algo como ser traído dentro de sua casa, na frente dos seus amigos, enquanto você diminui o fogo da panela de arroz e vira a carne na grelha sem olhar para o que realmente acontece.

É um tapa na cara na frente dos filhos. Uma cusparada na face com as mãos atadas.

Nem limpar é possível. Cabe ao ofendido apenas esperar secar.

E quando um pai de família é insultado na tranquilidade de sua poltrona, despejado da cabeceira e colocado de lado como um vaso decorativo, o filho sente.

Pode ser por um dia, um momento, por um erro que o pequeno sequer compreende, mas ele acusa o golpe.

O sentimento do torcedor vascaíno caminha por dentro dessa história após a derrota por 5 a 2 para o Corinthians, nesta quarta-feira, em São Januário. Principalmente por sua construção.

Antes que os olhos fossem capazes de rever a lesão de Kelvin – com um minuto de jogo – sem os dedos levemente espaçados em sua frente por causa da cena forte, Marquinhos Gabriel já havia aberto o placar.

Foi o primeiro golpe no baço do vascaíno que ainda preparava os pulmões para iniciar os cânticos.

De forma mais organizada do que viria a exercer posteriormente, no 2º tempo, o Vasco dominou os 30 primeiros minutos. Mesmo atrás do placar, mostrou qualidade para propôr o jogo – o que era impensável há algumas semanas.

Já o Corinthians, teve competência para decidir.

A equipe de Carille mostrou a paciência e a eficácia dos grandes predadores. Marcou a partir da segunda linha cruz-maltina, obrigou os zagueiros a buscarem as bolas longas, forçou o avanço dos volantes e aproveitou praticamente todas as oportunidades que teve.

O Corinthians, cirurgicamente, pensou cada movimento. E executou com perfeição.

O Vasco, por sua vez, obrigado por jogar em casa e iniciar perdendo, precisou arriscar. Na maior parte do 1º tempo, com autoridade. Nos pequenos deslizes, entretanto, grandes quedas.

O Corinthians não perdoou o Vasco por vacilar em casa. Há certos locais que são sagrados demais para que os pecados não sejam punidos. O próprio lar é o principal deles.

Não se erra na terra que ara.

Jô fez o segundo.

Não havia nada de abstrato na sensação de traição, de incredulidade, de frustração, no concreto de São Januário durante o intervalo. Era palpável.

Os gols de Luis Fabiano no início da etapa final, empatando o duelo, porém, antes que fosse possível identificar quem atacava para qual lado, mudou novamente o panorama. E a tal da esperança vascaína ressurgiu. Com ela, a chance de uma nova dor.

Os tentos de Fabuloso sopraram no ouvido do vascaíno mais pessimista que era possível. E era. Mas não se mostra uma chance para um apaixonado apenas com a capa de uma possibilidade, ele quer a certeza. E a tem.

Até que lhe mostram o contrário.

O Vasco não jogou para ser goleado. Do outro lado, entretanto, havia um Corinthians preparado, com o dedo no gatilho, disposto a atirar em frações de segundos quantas vezes o adversário esticasse o pescoço por sobre sua proteção.

Proteção essa retirada por Milton Mendes quando sacou Gilberto e Jean do time, os dois maiores ladrões de bola do Campeonato Brasileiro com 18 e 20 desarmes, respectivamente, de acordo com o Footstats. Fora da trincheira, virou alvo fácil.

O ataque, com a entrada de Nenê, melhorou. Com Muriqui, apenas perdeu defensivamente em razão da saída do camisa 5.

O desequilíbrio construído pelo treinador vascaíno nos minutos finais com suas substituições sem efeito transformou uma derrota contra o líder do campeonato, algo até então natural, em um vexame. Algo a ser explicado no dia seguinte, e não absorvido.

Contra o Corinthians, o Vasco perdeu mais que um jogo. Viu sua moral com o torcedor, seu melhor reforço para o Brasileirão, abalada. E isso talvez seja pior que os três pontos que ficaram para trás.

O constrangimento incomoda mais do que o insucesso.

E esse foi o sentimento quase que geral em São Januário nesta quarta-feira: o de um homem traído pela própria paixão.



  • Fabian Grutzmacher

    A derrota até poderia ter acontecido, mas não a goleada. Esta eu credito ao Milton Mendes. Como pode ser tão ignorante e tirar do time Jean e Gilberto. Simplesmente despiu o Vasco e mostrou a bunda pro adversário. Aí lógico que desmontou defensivamente o Time. Quando empataram, deveriam ter cadenciado o jogo, indo só na boa. A aquela altura o empate já era ótimo resultado. Parece que em certas ocasiões falta visão ao Milton.

  • Yan

    Mas esse foi outro problema: Não havia treinador em campo. O Vasco colocou o Corinthians na roda o jogo todo, quando empatou, tinha que ter mais calma, ir na boa. O que fica para história é a goleada. Para nós que assistimos, o que fica é uma sensação de que presenciamos algo inacreditável.

  • Dirceu

    Ao Milton não podemos negar a qualidade de ter dado ao time uma organização tática que não víamos há muito tempo. É um treinador com conhecimento técnico e preocupado com as jogadas ensaiadas e a constante movimentação dos jogadores em campo.
    No entanto, ele parece que não tem a mesma capacidade para ver o jogo e modificar a tática e jogadores durante as partidas. Além disso, assim como toda essa incompetente diretoria, que leva junto grande parte de nossa torcida, com a fixação de metas megalomaníacas, inteiramente deslocadas da realidade, acredita que o Vasco tem um time com qualidade para disputar os lugares superiores da tabela.
    A nossa verdade, nua e crua, é que temos, na melhor das hipóteses, um elenco mediano, que precisa ter a consciência que nosso objetivo este ano é o de permanecer na série A, sem passar pelos sufocos e vexames dos anos anteriores.
    Não temos outra opção, senão adotarmos um esquema conservador, com mais segurança, para atacar, principalmente, quando das roubadas de bola e nos lances de bola parada. Precisamos, antes de tudo, fazer com que o time não sofra gols, adquira confiança e consiga vencer em casa a maioria de seus jogos.
    Ontem, ao retirar o Jean e substituí-lo pelo lerdo e aposentado Muriqui, o Milton se fez o maior responsável pela vexatória goleada sofrida pelo Vasco.
    Espero que ele aprenda, ou seus dias começam a ser contados, mesmo que tenha trazido muitos pontos positivos para nosso time.
    Finalmente, gostaria de registrar, no meio de tantos dissabores, a grande partida feita pelo MATHEUS, que foi, sem duvida alguma, o melhor jogador em campo.

    • Ailton Ferreira

      Assino em baixo, principalmente em relação ao Matheus Vital, tá se firmando, tem muita qualidade e vai crescer demais ainda, já me preocupo que algum time europeu o leve ainda esse ano. Vendo o exemplo do Matheus, me pergunto pq o Evander foi posto de lado e não entra mais nos jogos, Caio Monteiro também dificilmente jogaria PIOR que um Muriqui da vida.

      • Dirceu

        A bem da verdade, o Milton deu força aos meninos da base, trazendo para o elenco profissional o Matheus, o Evander, o Cosendey, o Caio e outros.
        No caso do Evander, se formos realistas, foi ele mesmo que não rendeu aquilo que dele se esperava. Não teve bom rendimento em nenhuma das partidas e se mostrou lento e sem combatividade. Não vai virar craque só porque acham que ele é ( parece que ele também se acha).
        O outro jovem bom jogador que temos, é o Caio Monteiro, mas atravessou um período de contusões em série, que prejudicaram seu aproveitamento no time principal. Ressalte-se que já voltou a ser relacionado e, se estiver curado definitivamente, em pouco tempo vai estar jogando.
        Os demais meninos da base, como o Cosendey, Andrew, Alan, e outros, para mim são só bonzinhos e deles o inferno está cheio. Já o Ricardo e o Luan, precisam de mais tempo para mostrar se tem futuro.

        • Paulo Wagner

          Mesmo os que são bonzinhos são melhores que os Muriquis e Escuderos da vida, que são contratados sei lá pra quê. Para compor elenco, melhor apostar em jogadores promovidos ou em jogadores que vêm de clubes de menor expressão, como apostas. Esses medalhões, ou vêm para ser titulares, ou é melhor não vir. Não dá para entender essas contratações que se repetem ano após ano. Será que é para dar alguma satisfação ao torcedor?

          • Dirceu

            Concordo com você. As contratações são feitas por conta das relações com o agente (Carlos Santana) ou outros, como parte de acordos compensatórios. Fazem parte também do jogo “engana-torcida”, já que a grande maioria se ilude com o anúncio de jogadores que um dia tiveram algum nome e qualidade. A contratação de novos e jovens valores requer observação e planejamento, o que não é o forte dessa incompetente administração.

          • Paulo Wagner

            Concordo. Agora, como o Edmundo falou, tem que ser essas bombas? Porque os jogadores bons desses empresários, eles colocam em outros times. Para o Vasco, só mandam o refugo. E a diretoria ainda acha que fez grande negócio…

    • Paulo Wagner

      Perfeito! É inexplicável o Vasco ter um time tão vulnerável na defesa há anos. Entra treinador, sai treinador; entra diretoria, sai diretoria; entra jogador, sai jogador, e o Vasco continua lento e vulnerável na defesa. Não dá para entender. E as substituições que vêm sendo feita são, no mínimo, bizarras. Afinal, o que fazem Muriqui, Escudero e outros no Vasco? Por que contratam tão mal! Vejo times com menos recursos, como o Botafogo e a Chapecoense, que ficou sem time da noite para o dia, montarem equipes mais competitivas. E o Vasco segue no mesmo padrão de contratação de jogadores. O Corinthians não tem um time de estrelas, mas consegue manter um padrão de jogo sólido e consistente. Na verdade, tomamos uma aula de eficiência na quarta-feira. Tudo o que o Vasco não consegue fazer há 20 anos, com a exceção do time campeão da Copa do Brasil.

  • Vander Vasco

    Choque de Realidade, ponto. O Vasco é pra lutar pra não cair, ponto. Não tem como querer enfrentar de frente times melhores, ponto. Vai ser goleado todo jogo assim, ponto. Tem que jogar com a limitação de time pequeno que é a quase 17 anos, ponto. FORA EURICO, ponto.

  • CLAUDIO BARROS

    Sinceramente, foi amargo demais. Técnico medíocre, assistente medíocre, diretoria medíocre… Quero o meu Vasco de volta, porque esse aí não é nem sombra dele.
    #FORAEURICO!!!

  • Farias Cesar

    esse treinador foi decisivo no jogo contra o grêmio, sendo defensivo e pior tirou o jogador manga e colocou thalles , figura decorativa. contra o corinthians , tirou jean um leao e botou muriqui. esse treinador é fraco demais. estou preocupado com a 2 divisão.

  • Vinicius Leal

    Esse Milton Mendes é um belo professor pardal, o cara me vem com Thales na vaga do manga contra o Gremio, e agora me inventa Muriqui na vaga do Jean, essa goleada ridícula ta na conta dele, o jogo estava 3×2 mas o vasco ainda estava vivo no jogo, quando esse cara fez esse monte de cagadas, ele decidiu o jogo pro Corinthians, técnico burro da porra.

  • Luciano Silva

    O Milton Mendes na minha opinião é um técnico de prazo de validade . Fez muita besteira ontem e domingo . Não pode botar Picachu na lateral pois ele não é LD . O reserva do Gilberto é o Madson . Botar Muriqui também é brincadeira , com Evander e Caio Monteiro no banco querendo mostrar serviço . DORIVAL JÚNIOR ta disponível . Ele já fez bons trabalhos e pode ser uma boa.

  • Luciano Silva

    DORIVAL JÚNIOR para técnico do Vasco

  • Thiago Maxwell

    se tira o jean pra botar alguem q produz ofensivamente ate td bem,mas muriqui

  • Paulo Wagner

    Garone, eu sou um chato contumaz. Mas sou chato porque esse não é o Vasco que eu me acostumei a ver. Tenho 47 anos e acompanho o Vasco, meu clube de coração, desde que me conheço como gente. Entrei de sócio, com meu pai, quando tinha 5 anos e aprendi a amar o clube. Definitivamente, não dá para entender o Vasco dos últimos 20 anos, com a rápida exceção do time que ganhou a Copa do Brasil e deveria ter vencido o Brasileirão dauele ano e a Libertadores do ano seguinte, não fossem influências estranhas.

    Tomar de 5, em casa, naquela época, era algo impensável. Ficar tanto tempo sem ganhar do Corinthians (ou de qualquer outro grande paulista), e tomando banho de bola, nunca aconteceria. Vi Roberto, sozinho, meter 5 gols no Corinthians!!!! Vi Romário e cia acabar com o São Paulo!!!! E agora, entra diretoria, sai diretoria; entra treinador, sai treinador, entra jogador, sai jogador, e o time continua frágil. E esse é o retrato do Vasco dos últimos 20 anos. Frágil! A defesa parece feita de arame liso: só cerca, sem prender ninguém. Vive exposta e é facilmente envolvida há anos. Tomamos de 4 do Corinthians na Flórida Cup e a defesa era outra. Tomamos de 4 do Palmeiras e a defesa era outra. Tomamos dois passeios do Fluminense (que deveriam ter sido bem piores) e a defesa era outra!!!! É muito vulnerável! O meio-campo, além de não marcar, não “morder”, não “chegar junto”, também não consegue armar uma jogada. O time vive de Muricibol! Foram uns 350 cruzamentos contra o Corinthians, invariavelmente em vão. Só de escanteio, no primeiro tempo, tivemos uns 20. Pra nada!!!! E o ataque vive de bola cruzada para o Luis Fabiano tentar fazer alguma coisa….muito pouco.

    O Vasco não tem time para encarar os Paulistas, o Grêmio ou os Mineiros. Não tem mesmo! E é engraçado, pois times com muito menos condições de investimento conseguem montar times competitivos. Vide a Chapecoense, que de uma hora para outra ficou sem time. E conseguiu montar um time razoável. Melhor que o do Vasco, certamente. E antes que eu me esqueça, o que agrega ao time um Murici, um Escudero? O Vasco contratou mais de um time desde o início do ano e não conseguiu montar UM TIME. Então, das duas uma: ou contratam mal há quase duas décadas ou tem uma caveira de burro, acompanhada de um saco de estrume, enterrada em São Januário. Acho que deveriam procurar essa caveira e esse saco logo, antes que a Série B vire realidade novamente.

    Pra acabar, esse discurso de Libertadores tem que acabar. Não agrega nada. o Vasco tem que fazer o que fez o Jair Ventura ano passado: trabalhar jogo a jogo, primeiro para se livrar do rebaixamento. Depois, pensa-se em voos mais altos. Senão, ano que vem vamos para a B de novo…

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