A silenciosa estreia do Vasco



Riascos errou 4 dos 13 passes que tentou em todo o jogo (Foto: Paulo Fernandes)

Poucos times conseguem silenciar São Januário lotado. O principal deles, porém, para o desespero de seu torcedor, é o próprio Vasco.

A Universidad de Chile chegou ao Rio visivelmente satisfeita com o empate. Deu liberdade para os zagueiros vascaínos girarem a bola e pouco explorou os contra-ataques. Os chilenos confiaram na posse bola para esfriar os cariocas, manter o 0 a 0 e, ocasionalmente, aproveitar uma falha defensiva para marcar. Como se combinado, foi exatamente o que aconteceu.

Em resumo, a La U tentou, inicialmente, provocar o empate. O Vasco, por sua vez, decidiu facilitar a derrota. Presente esse, claro, bem recebido pelo visitante, que não perdoou na melhor chance que teve.

Quando digo que o Vasco facilitou, leia-se Zé Ricardo. A derrota cruz-maltina teve o dedo direto do treinador, aniversariante do dia.

Não só pelo futebol pouco criativo, que segue dependendo quase que exclusivamente de avanços de Pikachu pela direita – que deixam espaço – e lances em velocidade de Rildo pela esquerda, mas pela mudança equivocada na 2ª etapa. No meio, Evander parou em Seymour. Um pouco mais atrás, Wellington pouco contribuiu na marcação e nada acrescentou no ataque.

A ideia de recuar Evander para ganhar ofensividade tem sido uma boa opção, mas é algo que deve ser colocado na balança em uma partida de Libertadores. Ainda que a saída de Desábato tenha sido forçada, por lesão, a entrada de Ríos não parecia a melhor opção. E não foi.

Andrey na vaga do argentino poderia ter mantido a pegada no meio, qualificando também a chegada ao ataque, algo que Wellington não conseguiu fazer. Manter o cabeça de área – que ainda não fez nenhuma boa partida em 2018 – como o único homem originalmente da posição, fez com que o time ficasse exposto.

Araos, aos 28 minutos do 2º tempo, quando a La U já mais deitava no gramado do que levantava bolas, girou com tranquilidade sobre Paulão e bateu. Martín Silva não defendeu o defensável, e os chilenos fizeram o gol único do jogo.

Falhas individuais dentro de um grande erro coletivo. O lance ocorreu exatamente onde Desábato costumava estar neste tipo de jogada. Em um lateral, é inaceitável que o zagueiro esteja no um contra um com o atacante. Erro do defensor, que não impediu o giro, mas também dos volantes, que não se aproximaram. Neste caso, do meia que foi recuado.

Enquanto Wellington acompanhava Soteldo na lateral, Evander, o único próximo do lance sem ter a quem marcar, sequer esboçou uma reação de dobra no jogador ou tentativa de bloqueio. O jovem assistiu ao lance como se aguardasse a chegada de algum companheiro para fazer a função que, naquele momento, era sua.

Ter Desábato ou Andrey em campo, naquele instante da partida, não seria garantia de que a jogada não terminaria em gol, é claro. Não dá para prever. Mas pelas características de ambos e senso de posicionamento em uma função que estão mais acostumado do que o camisa 10, é possível imaginar que o espaço seria menor. Como havia sido nos minutos anteriores.

Eu sei que é fácil criticar após a obra pronta, mas o silêncio em São Januário no momento da alteração ocorreu antes do lançamento da pedra fundamental – o gol chileno -, ainda com o 0 a 0 no placar, gerando uma espécie de inquietação coletiva. A mudança exagerada, de esquema e estrutura, foi fora do tom da partida. O Vasco precisava ganhar força ofensiva, mas sem perder o meio. Não foi o que ocorreu.

Zé arriscou cedo demais. Mais do que desperdiçar o ponto que vinha ganhando, cedeu três inesperados aos chilenos.

Enquanto isso, no ataque, Riascos demorou 42 minutos para acertar o primeiro passe no jogo e apenas 17 para receber o cartão amarelo. Seu melhor lance no 1º tempo foi um cruzamento errado que parou no travessão. No 2º, dois passes mal concluídos por Paulinho. Ainda assim, o colombiano permaneceu no campo até o fim. Outro risco desnecessário corrido por Zé Ricardo, que quase viu seu atacante ser expulso antes mesmo do intervalo.

Apesar da formação mais ofensiva no fim, o Vasco não conseguiu pressionar. Parou, mais uma vez, na sua própria incapacidade de criação, que sofre mais pela falta de qualidade individual no ataque do que apenas pela necessidade de uma mudança tática. Nem quando cria, o time conclui. E quando o faz, falta talento.

Não à toa o artilheiro do Vasco no ano é um lateral – Pikachu. Assim como o seu principal garçom – Henrique, ao lado de Thiago Galhardo que cumpriu suspensão.

O Vasco estreia na fase de grupos da Libertadores com gosto de despedida. Não que seja impossível se classificar, é óbvio, mas dificultou ainda mais o que já se desenhava complicado. Na teoria, enfrentar a Universidad de Chile em casa seria o jogo onde os três pontos deveriam ser conquistados com mais tranquilidade. Não foram. De quebra, cedeu três a um adversário que fez pouca força para conquistá-los.

No primeiro tempo, o Vasco deu sinais claros de que é capaz de jogar de igual para igual com a La U, mesmo sem estar em seu melhor dia. Na etapa final, foi ao chão, sem forças para se levantar, no primeiro tapa recebido.

A sensação que fica, é que dava para ter tido um outro final se o time não tivesse se perdido no meio. O torcedor que foi ao estádio com fogos, bandeiras e pulmões cheios, deixou a arquibancada vaiando e voltou pra casa em silêncio. Pior do que não conseguir a vitória, é ter a impressão de que era capaz e não o fez.

E agora os obstáculos serão ainda maiores. Assim como a superação da equipe terá que ser, caso queira avançar na competição.



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