A real vitória do Vasco



Vascaínos lotaram São Januário (Foto: Vasco/Divulgação)

O torcedor do Vasco é um febril apaixonado.

Dê a ele um pequeno motivo para torcer que ele lhe dará milhões de justificativas para nunca parar. Tudo que ele precisa é de uma desculpa para demonstrar o seu amor, que nem sempre é recíproco. Nesta segunda-feira, contra o Bahia, mais uma vez estampou sua paixão nas arquibancadas de São Januário.

Os vascaínos que foram ao estádio, mais de 17 mil, não o fizeram porque achavam fácil reverter os 3 a 0 do jogo de ida, mas sim porque tinham a certeza de que seria impossível para o clube realizar tal feito sem a sua presença. A torcida não foi para assistir a classificação cruz-maltina, foi para conquistá-la junto com o time.

A equipe do Vasco entrou em campo num clima de guerra anunciada. E, como se sabe, as guerras muitas vezes são definidas em pequenos movimentos. Sejam eles voluntários ou não.

Apesar de perder Lenon, ausência antes mesmo da estreia, o time de Jorginho forçou as jogadas pelo lado direito no início do jogo. As bolas longas de Ramon, Desábato e Ricardo Graça para Rafael Galhardo e Yago Pikachu, em inversões rápidas de jogo, vinham funcionando, apesar da dobra feita por Enderson Moreira, que colocou Mena e Léo Pelé para atuarem juntos pela esquerda.

Os cruzamentos de Galhardo, entretanto, saiam menos do chão do que chinelo molhado em poça d’água, e as chegadas não resultavam em finalizações ou grande perigo. Até que veio o acaso.

O lateral-direito vascaíno disputou bola com Zé Rafael e caiu de cabeça no chão, tendo que deixar o gramado mais cedo. Desfalcado, antes da entrada de Kelvin, o Vasco levou a bola para a esquerda, onde a formação seguia intacta. No primeiro lance, Ramon conseguiu ir ao fundo mas acabou desarmado. Ríos pegou o rebote, fintou e acabou derrubado. Pênalti convertido por Pikachu: 1 a 0.

O Bahia, por sua vez, ciente que dificilmente perderia a luta por pontos, e que apenas um nocaute inesperado o mandaria à lona, encostou nas cordas, levantou as luvas e se protegeu como pode. E até como não deveria. Gastou mais tempo do que bola. No chão, na manha, não no talento que lhe havia sobrado nos últimos três duelos contra o Vasco – três vitórias por 3 a 0.

Num dia de retorno do futebol nacional, para matar as saudades do torcedor, a ausência de esportividade dos baianos foi o ponto destoante em campo. Exagerado.

Talvez por isso os aplausos vascaínos ao final da partida apesar da eliminação. Se o problema era a saudade da torcida, foi o time do Vasco quem buscou matá-la do início ao fim. Entregou o que tinha a quem não se entregou quando podia.

Mesmo quando perdeu Ramon, ainda no primeiro tempo – assim como Galhardo – um dos pontos de fuga da equipe na saída de bola e nas inversões de jogo, a equipe tentou manter o ritmo. A organização e as características, porém, mudaram. Com Kelvin em campo, Pikachu de lateral e Henrique na esquerda, o Vasco passou a alongar menos as jogadas e buscar mais as jogadas individuais.

O jogo ficou mais embolado, mais instintivo e menos organizado. As jogadas pelas pontas passaram a ser mais escassas, mas as faltas mais frequentes. E foi assim que o Vasco ampliou.

Sem Galhardo, que vinha sendo o homem das bolas paradas, Pikachu assumiu a batida e colocou na cabeça de Andrey, que andava sumido no jogo. O volante apareceu, porém, mais uma vez em um momento decisivo: 2 a 0.

E pensar que por muito tempo o jovem ficou escondido no banco de reservas… Ou nem lá.

Faltou perna – problema crônico no clube há tempos – e qualidade ao Vasco no fim. Não faltou coração e vontade.

Ainda foi mais impulso do que orgânico. Mas foi mais Vasco do que vinha sendo.

A classificação era um detalhe. Quase um sonho. Na realidade, era o reencontro entre time e torcida o ponto alto da noite. E essa foi a grande vitória do Vasco.



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