A queda de Milton Mendes



Milton Mendes não é mais técnico do Vasco (Foto: Divulgação/Vasco)

Milton Mendes não é mais técnico do Vasco (Foto: Divulgação/Vasco)

O que já se desenhava nos últimos dias se concretizou nesta segunda-feira: Milton Mendes não é mais o técnico do Vasco. De tanto mudar, Milton acabou mudado.

De todos os pecados possíveis para um técnico, Mendes talvez tenha cometido um dos piores: não definiu o que queria, não teve convicção nas próprias decisões que tomou.

Como lateral que foi, deveria saber que quando se tem a bola é necessário firmeza para definir se cruza ou se corta para o meio. Do contrário, ela é da zaga. Claramente ela já não estava nos pés de Milton. Aliás, é difícil afirmar que em algum momento houve esse domínio do treinador. Talvez no início, mas bem pouco.

O time viveu uma constante mudança em sua mão, e parecia longe de ser definido.

O Vasco é o terceiro time que mais utilizou jogadores no Brasileirão 2017: 37 no total, sendo que 28 deles foram titulares em ao menos uma partida. Líder isolado, o Corinthians usou apenas 25 – 18 como titulares.

Apenas Grêmio e Atlético Mineiro usaram mais jogadores que o Cruzmaltino, 38 cada. Os dois, porém, estiveram envolvidos em outras competições, como Libertadores e Copa do Brasil, forçando uma maior rotatividade das peças, poupando o time titular algumas vezes durante o 1º turno.

O Vasco, por sua vez, só tinha o Brasileiro.

Dos 37 utilizados, apenas quatro atuaram em mais de 70% dos jogos do time no campeonato: o goleiro Martin Silva, o lateral-direito Gilberto, o volante Jean e o meia Mateus Vital. Configurando assim uma pequena espinha dorsal, de base curta. Todos as outras posições sofreram mudanças constantes.

Além dos nomes, Milton também não conseguiu definir a forma de jogar e as estratégias para vencer. Ora víamos um Vasco retraído, tentando sair em velocidade com os garotos, mas sem eficácia nas tentativas. No jogo seguinte, uma escalação com jogadores de cadência, mais experientes, um centroavante mais fixo…

Numa época onde os treinadores cobram tempo para implantar suas idéias e conceitos de trabalho, Milton passou cinco meses fazendo testes, e deixa bem pouco estruturado o time para seu sucessor. Com 26 partidas disputadas sob seu comando, ainda era uma equipe em formação.

Não deveria ser.

Ainda que as peças fossem mudadas, Mendes teve tempo suficiente ao menos para dar sua cara ao time, colocar em prática um esquema que fosse de seu agrado, ainda que chovessem críticas sobre a escolha, mas algo que lhe desse alguma identidade. Não foi o que ocorreu.

Teria sido melhor deixar o clube por suas convicções – como Zé Ricardo no Flamengo – do que por suas dúvidas. É melhor lamentar a bola na trave que o chute não dado. Nada mais preocupante que um indeciso no comando.

O Vasco precisa de definição. Em vários sentidos.



  • Vladimir

    Belíssima análise que eu resumiria em um frase: o Vasco do Milton Mendes não tinha identidade. Algo como: se o time jogasse sem camisa, quem estivesse assistindo diria: “este time parece o Vasco jogando”.

  • joao silva santos

    com tanta rotatividade de jogadores e esquemas taticos, tava na cara que não ia dar certo

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