A primeira camisa



A primeira camisa (Foto: Blog do Garone/Arquivo pessoal)

A primeira camisa (Foto: Blog do Garone/Arquivo pessoal)

A primeira camisa do clube de uma criança é lisa, sem nome, patrocínio, algumas vezes até sem número. Carrega a mesma pureza de um recém nascido. Tem espaço de sobra para se desenhar as histórias que ali serão contadas.

Ninguém nasce fã. Ninguém quer nascer no afã de viver. Todos deveriam vir ao mundo em dia de calmaria, antes de ser levado pelo turbilhão de emoções chamado vida. As paixões vêm depois, com o tempo. Inclusive a futebolística.

O primeiro uniforme muitas vezes vem junto no enxoval. Peça fundamental para o pai. Enxovalhada, acha a mãe.

Um pequeno manto simples, sem nomes e nem números. Sem memória e sem história. A primeira camisa é um livro em branco. Um primeiro acorde de uma boa música. A primeira palavra de um poema.

Antes de vesti-la, recebe um leve tapinha do médico e lá vem o primeiro choro. Talvez para abrir o pulmão para o seu primeiro grito de gol. Ou quem sabe se acostumar com as desventuras do futebol.

Para o bebê que vive seus primeiros dias de vida, roupas antialérgicas. Para o pequeno torcedor que um dia viverá as emoções e ilusões da bola, uma farda ‘anti-choro’. Se é que é possível acompanhar o esporte sem lágrimas nos olhos.

Com o tempo, os espaços serão preenchidos. Com o corpo que cresce e com os contos que tece. Não haverá espaço sequer na manga, amarelada pelo suor que sangra.

A primeira camisa do torcedor é um diário pré-vida, que começa a ser escrito antes mesmo de se aprender a falar. Ali ele guarda suas esperanças de domingo. Ali, naquele pequeno pedaço de pano, a quem decidiu chamar de amigo.



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