A prece



Vasco estreia na Libertadores nesta quarta-feira (Foto: Bruno de Lima/LANCE!Press)

Toda Libertadores começa – ou deveria – com uma prece bem feita na noite que antecede a estreia da equipe. Não é questão de religião, é paixão.

O amante de um time jamais se perdoaria se a bola não entrasse por falta de fé. Ou pior: se ela vazasse a sua meta em razão de uma intervenção divina alheia. Interferência essa que ele abriu mão ao não fazer aquela reza solitária ao pé da cama antes do dia derradeiro.

O adversário, não. Ele estava lá, ajoelhado, com um terço em uma mão e uma guia em outra. À sua frente, um minicraque antigo, com meio rosto descascado, em pé, sozinho, como se estivesse em um altar ou em um relicário. É seu ídolo, seu deus.

Não dá pra combater isso com Netflix. Não em uma Libertadores.

Nelson Rodrigues dizia que, sem paixão, o homem não é capaz e chupar um Chicabon. Nessa linha, eu acrescento: sem um único ato de fé de um torcedor, seja em forma de reza, de pedido ou de berro, não se vence uma Taça Rio sequer.

O que ocorre em campo está umbilicalmente ligado ao ato de fé do torcedor. De todos. Não há um só ser que não interfira diretamente ou imaginariamente em uma partida de futebol. Quantas vezes meu time já não perdeu gols embaixo das traves porque eu ouvia pelo rádio e não consegui distinguir, em meio à velocidade do narrador e a tensão do momento, se era um ataque contra ou a favor, e por conta disso não torci e nem acreditei? Muitas.

Romário talvez tivesse chegado ao milésio gol ainda em 2000, se não fosse minha falta de atenção.

Me atrevo a dizer que jamais um ateu venceu a Libertadores. E se o fez, foi com ajuda divina de terceiros. Alguém rezou por ele, ainda que de forma tímida, escondida.

“Graças a Deus eu sou ateu!”, ele deve ter pensado quando chegou em casa com a faixa de campeão, fazendo o sinal da cruz e se debruçando sobre seus livros de Nietzsche.

Graças a Deus…

Vai começar a Libertadores.

E aí, eu rezo ou você?



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