A noite de núpcias do Vasco



Pikachu fez o seu 2º gol na Libertadores (Foto: Celso Pupo/Fotoarena)

Só há um objeto no mundo possível de reverter um placar de 4 a 0 jogando fora de casa: o salto alto alheio. Despido deste acessório, o Vasco entrou em campo para enfrentar o Universidad Concepción já classificado para a 3ª fase da Copa Libertadores.

O casamento ocorreu no Chile. Nesta quarta-feira, em São Januário, o que se acompanhou foi a lua de mel entre torcida e time. Dois apaixonados, como se encontrassem pela primeira vez um ao outro.

O gol de Paulinho, com apenas cinco minutos de jogo, mostrou o ímpeto natural de uma noite de núpcias. Antes que o primeiro beijo fosse dado, o véu já balançava sem qualquer pudor ou inocência. Braços e abraços voavam nas arquibancadas sem qualquer resistência.

Sem idade para tomar uma taça de vinho, o garoto de 17 anos se embriagou pela primeira vez com o doce gosto das redes da Libertadores. Foi o primeiro chileno provado pelo menino, de uma adega inteira que o atacante degustará em sua carreira – e que certamente irá bem além da América.

Agora, há de se dizer: meio gol foi de Ricardo Graça, autor do lançamento para Wagner. Tem meia que nem em treino acerta. Outros, nem arriscam.

Confesso que não me recordo do último zagueiro canhoto que o Vasco teve com tanta qualidade. Ainda mais vindo da base. E o mais impressionante: precisou de menos de seis jogos para ganhar este status de ‘nome único na memória’.

Graça debuta em uma Libertadores com a tranquilidade de quem joga a Florida Cup.

Voltando ao jogo. Com o 5 a 0 no agregado no início, não sobrou muito ao Vasco para apresentar. Menos ainda ao Concepción, que desandou a fazer o que é comum quando falta futebol na competição sul-americana: bater.

A tirada de pé só não foi perigosa pois o time de Zé Ricardo tem jogado constantemente de chuteiras pretas. Jamais, até então, de salto alto. O carrinho de Evander aos 20 minutos, correndo desde o ataque para acompanhar a jogada, foi uma prova disso.

A tranquilidade no placar não significou comodismo.

O gol de Pikachu, saindo da lateral, partindo como ponta e fechando como atacante, mostrou bem a fragilidade defensiva dos chilenos, mas também a imprevisibilidade do ataque sem Nenê. Evander apareceu para receber, e em seguida foi apoiado por Paulinho. Ríos puxou a marcação no primeiro pau e abriu espaço para Yago surgir nas suas costas. A movimentação dos três deu liberdade para o camisa 22 pisar na área e marcar o seu segundo gol na competição. Enquanto isso, Wellington fazia a cobertura.

O Vasco girou e, mais uma vez, sobrou. Acelerou e freou quando quis, tendo Desábato como termômetro.

A entrada de Riascos – possivelmente o único ser humano do planeta que fica simpático ao imitar um verme (talvez por ser o único a conseguir sorrir na posição do gusanito) -, era o presságio que a cereja do bolo estaria por vir. Mas não veio. Ovacionado pela torcida, o colombiano perdeu duas boas chances de marcar, impedindo assim o último orgasmo vascaíno da noite.

A verdade é que a expulsão de Erazo, no início do 2º tempo, brochou a equipe. Não que houvesse a chance de sofrer uma virada histórica e, consequentemente, a eliminação. Até porque, com 10 em campo, o Vasco parecia ter 11, e com 11, o Concepción aparentava ter dez. E ainda perdeu um em seguida. Mas serviu de alerta: um vacilo e transforma-se uma noite de núpcias em divórcio – vide Rodrigo na Ponte Preta.

A sorte do equatoriano é que o casamento já estava mais do que consumado.

O Vasco noivou, casou e está em lua de mel.

Apesar do matrimônio ser anunciado por todos como uma obrigação, sacramentar ele sem sustos era importante. A vida de casado – as próximas fases da Libertadores – é bem mais complicada que a noite do casório, mas uma boa lua de mel era fundamental para o início de uma boa vida a dois.



  • Gabriel Nobre

    Um texto desses e o qe sai no jornal do dia seguinte ao jogo? Capa do caderno de Esportes: Imagem do Vasco, da glória a sargeta…falando do Valdiram….foda

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