A insistência com Paulão e o Galhardo que decide



Vasco melhorou após a entrada de Thiago Galhardo (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Tem partidas que parecem que o Vasco não gosta de fazer. Uma delas é contra a Chapecoense. Em cinco jogos contra a Chape, em Brasileiros, são duas derrotas e três empates. Nenhuma vitória. É quase uma tradição.

A última igualdade, neste domingo, ocorreu após o time ser inferior no 1º tempo e superior no 2º. Momentos distintos que explicam a paridade. E algo que tem sido comum também na equipe.

Dava pra o Cruz-Maltino ter vencido na etapa final? Dava. Mas daria também pra ter ido para o intervalo perdendo por mais – foi para o vestiário com 1 a 0 para os catarinenses.

Os primeiros 45 minutos justificam a frase que abre o texto. O Vasco pareceu incomodado de estar em campo no 1º tempo. Apresentou um futebol desleixado, trocando passes com a precisão de um bêbado jogando dardos e dividindo bolas com a firmeza de um recém-nascido.

Nem mesmo a boa entrada de Werley pelo lado esquerdo da defesa, no lugar de Erazo, e o retorno de Rildo aos titulares fizeram com que a equipe do técnico Zé Ricardo funcionasse. Rildo, Wagner e Pikachu, responsáveis pela criação, pouco tocaram na bola. Principalmente entre eles. Eram três pontos espaçados em campo, como num time de totó. Alinhados, porém, distantes, sem diálogo ou conexão.

E se na frente a bola não parava, atrás a dificuldade era a mesma.

Se é tradição o Vasco fazer partidas ruins na Arena Condá, é também tradicional sofrer gols de bola aérea. Como num jogo de eliminação, Zé já barrou Ricardo Graça, titular no início da temporada, e agora Erazo. Só restou Paulão. Mas os gols de cabeça continuam a acontecer. Mais uma vez em cima de seu titular intocável.

Paulão é um zagueiro que é mais incomodado pelos atacantes do que o inverso. Veja bem, um defensor que é mais pressionado pelos centroavantes do que o oposto, certamente não vive o melhor de seus momentos. Bola no pé de Paulão e Wellington Paulista próximo. Paulista com a posse, e Paulão distante.

Foi assim que a Chape abriu o placar. Paulão marcou a trave, e Wellington Paulista marcou o gol. Um pique-tá que o defensor tem tido extrema dificuldade de vencer, mas segue com prestígio com o treinador. Algo que parece ser também uma tradição de Zé Ricardo: a teimosia.

Teimosia essa que insiste também em manter Thiago Galhardo no banco de reservas. Ao menos de início, porque foi a entrada do meia que ditou a mudança vascaína na etapa final. Ela, e a cobrança no vestiário durante o intervalo, relatada pelos repórteres presentes ao estádio.

E poucas coisas funcionam tão bem no futebol quanto um esporro bem dado no vestiário. Veja bem, a tática, o posicionamento, muitas vezes é de difícil compreensão para o jogador, mas o esporro não, ele é autoexplicativo e motivacional. Ninguém é o mesmo após levar um esporro.

E com Galhardo – o que aproveita as chances que tem – em campo e o time devidamente repreendido no intervalo, o Vasco foi outro na etapa final.

Thiago fez a ligação que faltava ao time. Não apenas entre defesa e ataque, mas entre as peças. Foi sua movimentação e troca de passes que botou no jogo Wagner, Ríos e Pikachu – recuado para a lateral após a saída do outro Galhardo, o que não agarra as oportunidades que recebe -, até então desaparecidos.

Com o lado esquerdo mais fechado, com a boa atuação de Werley – apesar da pouca participação de Rildo -, e a direita reorganizada após a troca dos Galhardos, o Cruz-Maltino passou a dominar a partida. O ataque vascaíno, que não conversava entre si, começou a dialogar de forma constante.

Triangulação entre Thiago e Wagner, ultrapassagem do camisa 8, com suas passadas largas de falso lento, e passe para o argentino Andrés Ríos, que teve a frieza britânica para driblar Jandrei e empatar o jogo, balançando as redes no tempo exato em que o primeiro xingamento pela demora na batida ameaçava ecoar nas arquibancadas.

Grito esse que não cessou quando a bola caiu nos pés de Evander. A tabela com Ríos foi boa, mas a finalização não. Aliás, ela sequer ocorreu. A bola tocando nos dois pés sem ir em direção ao gol reflete bem o momento de estagnação vivido pelo jovem jogador, pressionado pelas críticas e sem conseguir mostrar em campo uma evolução.

O empate na Arena Condá, para o Vasco, em circunstâncias normais, seria um bom resultado. Pelo retrospecto, não deixa de ser. É o primeiro ponto conquistado pelo clube no estádio em três confrontos do Brasileiro.

A melhora no 2º tempo, entretanto, deixou um gosto de derrota, ao não definir os três pontos. E reascendeu a dúvida: quando será que a equipe conseguirá fazer uma boa atuação de forma constante durante os 90 minutos? Até quando será apenas ‘meio Vasco’, com duas faces distintas em uma mesma partida?

Respostas que Zé Ricardo segue devendo ao torcedor vascaíno.

Assista a análise da partida:

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