A importância de um clássico



Vasco eliminou o Flamengo (Foto: Paulo Fernandes)

Vasco eliminou o Flamengo (Foto: Paulo Fernandes)

Quem acha que existe clássico amistoso, sem valor, sentimentalmente inócuo, certamente estava na biblioteca durante o jogo entre 8ªA e 8ªB, no ‘intersalas’ de seu colégio. Esse não sabe o quão saboroso é o Ativ pago pelo rival depois da vitória.

Clássicos são tão importantes quanto decisões, exatamente por um não anular o outro. É possível comemorar ambos com a mesma paixão. Só existirá um campeão brasileiro no ano, um vitorioso no Estadual, mas teremos vários triunfantes em clássicos na temporada.

Isso não é só importante, é necessário para o torcedor se manter próximo de seu clube.

Achar R$ 50 perdidos no bolso é bom em qualquer situação, não só quando precisa. Mas o clássico é uma nota de R$ 100 no fim do mês.

Competições servem para provar que um time é melhor que o outro. O clássico também, só que de forma mais pessoal. É um embate direto, indiscutível e intransferível. Uma disputa pontual, momentânea, não anual.

Quem disse que só o ano vale? Passar por ele é onde mora a diversão.

Momentos, amigos, a vida é feita de momentos, não de temporadas. Ou só somos felizes no dia do aniversário?

Qualquer partida entre rivais, pela competição que for, é tão relevante quanto uma rodada aleatória de Brasileirão sem confrontos entre times do mesmo estado. Desportivamente pode não ser, mas para o torcedor é. E o show deve ser feito para eles.

Ao contrário do que alguns dizem, não é a falta de importância do jogo para o campeonato que faz dele de poucas chances. É exatamente a partida que não vale nada que é cheia de espaços.

Ou alguém já viu pelada de fim de ano terminar 0 a 0?

Existe, hoje, uma dificuldade imensa de se curtir o futebol. Talvez tudo. Uma busca incessante por análises para avaliar o futuro, como se o que foi feito há três minutos tivesse, necessariamente, que ter uma utilidade em dezembro.

É quase um crime sorrir antes da última rodada do Brasileiro.

Quem tem que ter pé no chão é jogador, dirigente, comissão técnica… Torcida tem mesmo é que comemorar classificação. No esporte que for, a hora que quiser.

Tem gente que celebra compartilhamento em rede social, não vai ficar feliz por jogar uma final que lhe pagarão R$ 1.2 milhão apenas pela transmissão?

Sem falar em valorização da marca, exposição dos patrocinadores, lucro da renda, aumento na venda de produtos, premiação por conquista, moral elevada…

É tão óbvio que cada jogo é importante que nem precisaria do texto, mas me pareceu oportuno. Chegará a hora que só poderá celebrar quem foi campeão mundial no ano. Ainda assim, se estiver com todas as contas em dia e for líder em sócio-torcedor e RT. Do contrário, será contestado.

Eliminar um rival, em qualquer circunstância, é importante. É bom.

Flamengo e Vasco não fizeram um grande jogo, mas jogaram um clássico. Status que carregam exatamente por transcenderem qualquer briga de cunho esportivo. É algo espiritual, que se manifesta em qualquer embate entre algo em vermelho e preto e outro com faixa diagonal.

Qualquer coisa ganha vida quando assume estes uniformes. Pode ser na pipa ou na bolinha de gude.

O clássico deste sábado foi disputado, não belo. Os times deram poucas brechas nos 45 minutos iniciais, fizeram uma partida truncada, brigada. E, como todo jogo muito combativo – qualidade de algo valoroso -, teve poucas oportunidades claras.

Porém, com emoção. Sentimento que deve ser medido na torcida, não em campo.

Nada mais agoniante que um 0 a 0 onde a bola é mais dividida que multiplicada. A incerteza dos minutos finais incomoda, aumenta o batimento e reduz a oxigenação. O jogo é frio até passar da intermediária, depois disso, aquece.

Nem que sejam as bochechas, por prenderem a respiração.

Após um equilíbrio na etapa inicial, fruto de uma tensão quase que palpável entre os rivais, o Flamengo voltou para o 2º tempo disposto a vencer e ficar com a vaga – ora, mas não valia nada? -, já que a igualdade favorecia o Vasco. Foi superior, martelou, mas abusou da jogada aérea.

A equipe de Milton Mendes sentou perigosamente na vantagem, como um garotinho que relaxa no parque com seu sorvete sem perceber que ele está derretendo. Por pouco ninguém tirou uma casquinha e lambeu a rede de Martin. Mas o time conseguiu segurar até a última bola, mesmo sem mostrar um grande futebol.

Classificou mais na reza do que na destreza. E de que adiantaria cair com méritos?

Nem de longe foi uma bela partida. Dos dois. Mas não passou nem perto de ser um jogo comum. Foi mais um Vasco x Flamengo, no Maracanã. Casa que sentia falta de ambos.

Amanhã, como de costume, ele seguirá sendo disputado nas conversas nas padarias, bares, churrascos entre amigos, almoços de família…

O jogo deste sábado realmente não é referência pra nada. Nem deve ser. Nenhum é rascunho de bola de cristal.

Ele simplesmente é o que sempre foi: um clássico.



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