A carta de Nenê e Thalles



Thalles decidiu o clássico com o Botafogo (Foto: Paulo Sergio/Lancepress)

Thalles decidiu o clássico com o Botafogo (Foto: Paulo Sergio/Lancepress)

Quem mora no Rio de Janeiro sabe o valor de uma sombra. Um guarda-sol na praia custa tanto quanto uma água de coco. Ou até mais. Em São Januário, ela foi tão disputada quanto a partida. Nas arquibancadas e no campo.

Vascaínos e botafoguenses se aglomeraram pelo lado das sociais de São Januário em busca de um canto mais fresco. Uma cobertura que fizesse aqueles 36º parecerem ‘apenas’ 32º. Chocolate e sol não combinam. Nem na Páscoa.

Madson e Julio dos Santos pareciam aproveitar mais a sombra no lado direito do que os espaços que haviam nas costas de Diogo Barbosa. Uma rede bem esticada por aquele canto e o sono seria inevitável.

O Vasco tocava bola como quem roda a travessa de bacalhau no fim do almoço, torcendo para que alguém assumisse logo a responsabilidade de finalizar aquilo. ‘Eu não, você’. ‘Não, mata tu’. E ninguém define nada. Enquanto isso, o Bota se organizava para arrematar a sobremesa.

Mas com Nenê em campo, sempre há uma luz no fim do túnel. Pelo meio, onde o 10 costuma brilhar, um toque simples e eficiente, como aquela pitada de limão que só sua avó sabe dar naquele peixe de Páscoa. Um rabisco tão singelo e delicado que mais parecia escrito com uma pena. Arte, não descarte.

Thalles, de peso em outros tempos, pareceu o mais leve da equipe. Um corte para a esquerda, para o sol. Sem medo de brilhar, fugindo das sombras da marquise, por onde os comuns se escondiam. De canhota, para ressuscitar a perna morta.

O gol não coroou o melhor time em campo, mas o mais eficiente. Sete chutes, um na rede. Dezesseis do Botafogo, apenas um nas mãos de Jordi. O Vasco não foi o menino mais disciplinado para merecer os melhores ovos, mas soube escrever a melhor carta. De linha única, é bem verdade. Mas com tudo que precisava ter: qualidade e objetividade. Narrada por Nenê e assinada por Thalles.

No futebol, assim como na Páscoa, vale mais uma carta com o endereço certo, do que 16 sem destinatário. Mas para chegar ao Natal sem sustos, o Cruz-Maltino precisará de mais boas ações do que uma simples cartada única.



  • Account

    Vai ser outra porrada em cima dos mulambos

  • Marcos Vinícius

    Rapaz,sou vascaíno. mas tem que ficar claro que o Botafogo não ganhou o jogo por não ter um setor de criação adequado. A marcação botafoguense encurralou o Vasco a maior parte do tempo,o gol do Vasco,sem querer desmerecer quem participou da jogada,nasceu de um vacilo da defesa alvinegra. Mais preocupante que a superioridade botafoguense no que diz respeito ao domínio do jogo foi ver Jorginho não saber o que fazer para reverter tal cenário. Sejamos realistas: todos sabem que o time do Vasco não é um primor,mas vem ganhando seus jogos baseados na força do conjunto. Mas que o jogo de ontem sirva como alerta.

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