A bola e a bandeira



Riascos participou dos dois gols (Foto: Divulgação/Vasco)

Riascos participou dos dois gols (Foto: Divulgação/Vasco)

Não há nada mais perfeito que as curvas de um círculo. Sem fim, nem início. A bola, por sua vez, representa isso. Os caminhos que ela toma são muitas vezes imprevisíveis, imperfeitos, mas nunca impossíveis. O rolar da pelota caça atalhos que a vida nos impede de tomar. Busca o improvável, o trajeto mais inesperado para que seu toque na rede seja único, ainda que repetido várias vezes. Do pé para o gol. Tudo no meio vira pó.

Quando Riascos avançou pela esquerda, cruzar era o óbvio. O mais belo, porém, seria o drible. O exagero, a sequência. Mas beleza nunca é de mais. Por isso, girou e enganou uma vez. De letra, escreveu o segundo corte. Com tinta, para eternizar. Na terceira, o excesso serviu para coroar exatamente aquele que excede, que sobra. Em entrega, vontade e até erros. Mas mais é mais. Só tropeça quem anda. Pra frente.

Riascos dançou e fez dançar. Conduziu o baile com elegância e simplicidade. Deu o ritmo, a cadência e o lugar que César Martins precisava. O chão. O mesmo onde Wallace cravou a bandeira rubro-negra. Logo no círculo central, o círculo perfeito. Mas não se hasteia o pano antes de vencer a guerra. Quem não marca terreno com glória, não fica na história. Não é no peito que se ganha, é no coração. Um pouco mais pra dentro. Muito mais intenso.

O colombiano rompeu as linhas defensivas, deitou a cavalaria e deixou o Capitão Nenê livre para liquidar a batalha. Mas foi parado duas vezes. Num Vasco x Flamengo, nem a bola gosta de facilidades. O beijo no véu tem que ser chorado, quase implorado. Ela, a bola, não se entrega para um qualquer, é necessário conquistá-la. Assim como o território. Sem terrorismo.

Andrezinho deu o chute mais improvável de entrar. A redonda percorreu o caminho mais complicado. Poderia ter ido pelo alto, sobre os marcadores. Ou então em um dos cantos, onde a rede abraça e deixa correr. Mas escolheu a via mais simbólica: por entre as pernas. Daquelas que fazem os joelhos se tocarem e os calcanhares se olharem em tom de despedida. Como quem vê passar um trem que leva seu amor para longe, incapaz de freá-lo.

O destino? A vitória. De novo.



  • Sean Gonçalves

    Ótimo texto!

  • Mateus

    Genial!

  • Charles Ubiratan

    Fregueszão. Pode anotar na caderneta.

  • Thais Quintellas

    Que fase maravilhosa! Tomara que não acabe nunca rs

  • Vander

    Show! Belo texto… alô freguesada… volte sempre!

  • Darth Tyron

    Deu prazer de ler e deu prazer de ver os gols. Toma essa e mais essa urubu otário.

  • Texto muito bom!!!

MaisRecentes

Pikachu ganha quatro posições no Troféu Ademir Menezes



Continue Lendo

O ‘chef’ Milton Mendes



Continue Lendo

Vasco rescinde com atacante do sub-20



Continue Lendo