A beleza da Copa do Brasil



Em 98, Vasco empatou com o Picos, do Piauí (Foto: Reprodução/Frame)

Em 98, Vasco empatou com o Picos, do Piauí (Foto: Reprodução/Frame)

Me atrevo a dizer que, hoje, a Copa do Brasil é a competição mais interessante, divertida e emocionante do futebol brasileiro. É democrática, abre espaço para clubes de todo o Brasil, equipes que lutam para preencher seus calendários, se manterem ativas e darem emprego a tantos sonhadores da bola.

O gol sofrido pelo Vasco, contra o Rio Branco, provavelmente – o futebol às vezes surpreende – não fará a menor diferença no placar agregado, mas fez para o jogadores acrianos. Daqui há três meses, você, torcedor vascaíno, nem se lembrará desta partida. Mas os atletas adversários com certeza jamais se esquecerão. Kinho talvez vire até vereador de sua cidade daqui alguns anos, só por causa do golaço que marcou. Duvida?

Temos o hábito de olhar sempre pelo lado do maior, quando muitas das vezes as melhores histórias estão no campo oposto. Honestamente, o Vasco não vai sair da Copa do Brasil por causa daquele gol. Não é muito mais legal então termos um jogo de volta onde 18 caras possivelmente visitarão o Rio de Janeiro pela primeira vez? Farão a partida de suas vidas e Doriva ainda poderá dar ritmo ao inchado elenco cruz-maltino. O que há de mau nisso?

Durante dois anos eu cobri o Serrano, de Petrópolis, na 3ª divisão do Campeonato Carioca. E essa experiência me abriu os olhos para a realidade do futebol que nunca vemos. Assistindo a partida contra o Rio Branco, vendo aquela garotada de 18 e 19 anos no banco de reservas, rezando para a partida acabar, eu simplesmente parei de torcer para o Vasco fazer o terceiro.

Na hora me lembrei da molecada serranista dando 100% de si em uma partida com 50 pessoas na arquibancada – familiares, na grande maioria -, só porque o pai estava filmando e eles precisavam se esforçar ao máximo para poder colocar algo no DVD. Aliás, a chance de poder gravar algum lance muitas vezes era o maior pagamento que eles teriam. Uma boa atuação poderia significar um salário em outro clube – talvez da Segundona do Rio – na próxima temporada, já que a grande maioria sequer tinha contrato profissional.

Voltando à Copa do Brasil, me recordo da estreia vascaína em 1998. Campeão brasileiro e futuro conquistador da Libertadores, o Vasco foi até Picos, no Piauí, para enfrentar o time da casa. Viagem longa de ônibus, chuva forte, atraso na partida e um empate em 1 a 1 com gosto de vitória para o mandante.

Brinquedo, autor do gol do Picos, no dia seguinte já estampava a capa dos jornais. Eurico teria interesse na contratação do magro e rápido atacante. A tão sonhada chance havia chegado para o jogador.

Duas semanas depois, a tão esperada viagem a Cidade Maravilhosa. Apaixonados, os atletas piauienses olhavam pela janela do ônibus enquanto seguiam rumo a Colina Sagrada. Pareciam mais turistas do que jogadores. E talvez fossem. Viviam ali um momento mágico que jamais esqueceriam. Era o dia a ser lembrado para os filhos, netos e bisnetos. A foto do time perfilado em São Januário certamente deve fazer parte da decoração de muitas casas em Picos, atualmente.

Com um minuto de jogo – assim como contra o Rio Branco – Luizão abriu o placar. Nasa ampliou e Pedrinho fez o segundo antes do intervalo. O 3 a 0 no primeiro tempo não desanimou o Picos, e nem Brinquedo, que esperava fazer uma atuação de gala para sair de lá com o contrato em mãos.

Porém, Pedrinho e Luizão balançaram as redes mais duas vezes cada. Nasa e Felipe também deixaram suas marcas e decretaram a impiedosa goleada por 8 a 0. Poderia ter sido 10 a 0, mas lhe asseguro que nem mesmo 20 tiraria este jogo da memória daqueles bravos sonhadores da bola.

Em resumo, o Vasco não perdeu um dia de folga, o futebol que ganhou mais uma boa história para se contar e o Rio Branco uma data para festejar. Isso é o futebol.

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  • JANE TADEU DA SILVA

    Cara como foi bom ler essa sua crônica, se pudesse ia até compartilhar, tu és um sonhador como eu, o futebol é isso é história, tudo isso que falou acontece mesmo, aqui eu moro no Interior nós tivemos no aniversário da nossa cidade dois jogadores de Seleção que jamais imaginei um dia abraça-los como os outros que já viraram carne seca aqui em nossa cidade, mas esses dois não imaginava só pra você ver dois ícones do futebol brasileiro e mundial porque fora de Seleção AÍLTON LIRA E MULLER dois jogadores que passaram pelo meu SANTOS FC vai ficar guardado pra sempre o meu Abraços neles e fotografias tiradas, nisso tu tá com a Razão já pensou nesses anos o que foi pra aquela rapaziada vir ao RJ conhecer o Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Maraca e São Januário e jogar contra Juninho Pernambucano e Pedrinho e conhecer o lendário Eurico Miranda, foi histórico pra eles, por isso a COPA DO BR tá ser tornando o melhor campeonato do BR que proporciona essas histórias. PARABÉNS CARONE.

  • T

  • Eu ACHO a COPA DO BRASIL,o campeonato mais representativo do Brasil,porque clubes de todos os estado,tem a oportunidade de mostrarem seu futebol a serem conhecidos nacionalmente.Apesar de existir por parte da imprensa uma marcação cerrada com os cllubes de determinados estado,como é o caso do Espirito Santo,que apesar de ter um estádio moderno,como é o CLEBER ANDRADE,outro mais antigo,mas também modernizado e ter outros eastádios como o SALVADOR COSTA(EM VITÓRIA),o JUSTINIANO DE MELO E SILVA(Colatina) Suamrá(em Cach.de Itapemirim) e outros estãdios em boas condições em

  • Verdade !
    O Mosquito , papou mosca , e o gol do Rio Branco foi um golaço !
    AVANTE VASCÃO !

  • Linhares,São Mateus,Alegre e o Campeonato Capixaba ser o único do Brasil que tem sempre os 10 clubes que estão na primeira divisão disputando o titulo,as emissoras dão resultados e falam de futebol até UCRÃNIA e nunca falam ou dão resultados de jogos do Campeonato capixaba,isso ´e que é falta de consideração e respeito pelo futebol do ESP.SANTO

  • José Carlos

    Fala garone, excelente texto, só fiquei chateado pela equipe do Vasco não respeitar o Rio Branco. Foi a 1º vez que o vasco enfrentou uma equipe do Acre na Copa do Brasil e durante o jogo teve um momento que o jogador do vasco fica parado com a mão na cintura, totalmente desnecessário.
    A comemoração deles após o jogo foi pelo simples fato de não ter que dividir a renda do jogo com o vasco (que levaria 60% da renda caso eliminasse o jogo de volta), com isso faturaram 163 mil e dá pra pagar quase 3 meses de salários já que a folha salaria gira em torno de 75 mil. Com a vinda deles para o rio e se o jogo passar na tv aberta eles ainda podem faturar um pouco mais com o patrocínio pontual e somando os 180 mil líquidos da participação na primeira fase o Rio Branco não passará aperto nesse primeiro semestre.

  • José Lúcio Mendes

    Está de brincadeira! Copa do Brasil? está bem! agora o feio é belo. uma porção de times horríveis não é a toa que perder com diferença de 2 gols está eliminado.

  • tulio

    Os reservas do vasco mostraram pouquissimo ontem. Tirando uma jogada do Indio…
    O que é o futebol do Nei ??? Incrivel como foi durante anos o lateral titular do Internacional.

  • ODILON SILVA – RJ

    Lindo, esplêndido, inesquecível, a festa que a torcida vascaína fez na conquista da COPA BRASIL DE 2011, jamais até hoje, em momento algum, nenhuma torcida faz uma festa igual aquela pra comemorar alguma conquista. Já começou na noite do jogo contra o CURITIBA, os vascaínos se mobilizaram nos bairros onde moram fazendo aquela festa, era impossível dormir, tamanho o barulho das explosões dos fogos, na praça Vanhagem uma multidão se confraternizava, varava a norte comemorando a conquista vascaína. Na sexta feira desde sedo uma grande galera se aglomeravam no aeroporto santos Dumont para recepcionar, saudar, comemorar junto com DEDÉ, FAGNER, ALECSANDRO, aquela saída do aeroporto, a romaria de vascaínos pelo centro da cidade, as pessoas saudando pelas janelas dos prédios, a chegada em São Januário no carro do corpo de bombeiros, tudo foi apoteótico, só visto talvez em conquista de copa do mundo.

  • Tenho muito respeito pelo AURINO LEITE,mas não concordo com seu comentário comparativo do elenco do Vasco com relação aos demais clubes;está certo que tivemos algumas contratações um pouco confusas,mas no elenco do VASCO,temos uns 13 a 18 jogadores que poderiam jogar em qualquer equipe do Brasil como titular.Não considero o DORIVA um técnico ruim,mas acho que tem escalado o time de maneira equivocada,deixando no banco de reservas e até mesmo fora do banco,jogadores que deveriam ser os titulares de pelo menos umas 3 posições;evidentemente que temos alguns que pelo futebol que vem mostrando,devem continuar titulares absolutos,como é o caso do RODRIGO,LUAN,GUINAZÚ e DAGOBERTO que pelo futebol que tem não pode ficar fora do time titular.Sò concordo com o AURINO LEITE em uma coisa:O EURICO MIRANDA ja deu o que tinha que dá e esperar mais dele,só pode ser piada.embora esteja armando um time barato e competitivo.

  • Douglas

    Os jogadores da base hoje em dia não entram com aquela fome,aquela vontade de mostrar serviço. O que é o Matheus Indio, para botar a mão na cintura no meio do jogo. Se eu fosse zagueiro, ele não jogava mais esse ano. Pensa que é o Edmundo, Romario não fez nada essa mulecada força muito, são umas malas que não jogam nada.

  • LUIS FELIZBERTO – COPACABANA – RJ

    ROBERTO MOULIN, fala sério cara, tu deve está de brincadeira, uns 18 jogadores atual podem jogar em qualquer clube, podem mesmo, podem jogar no Bragantino, podem jogar no friburguense, podem jogar no Sampaio Corrêa, podem jogar Bangu, podem jogar no sei lá de onde veio essa PORRADA de jogadores merda, só não podem jogar no Vasco. Quando ao Dagoberto, esse atletas esta condenado cheio de problemas clínicos, caso contrário o cruzeiro não o liberaria. Já Eurico Miranda , ele nao ta ultrapassado,ele como presidente é isso mesmo, basta vê seus times na sua última gestão, não muito diferente como agora.

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