15 anos do histórico duelo Fábio x Edmundo



Fábio levou a melhor sobre Edmundo em 2000 (Foto: Reprodução/Youtube)

Fábio levou a melhor sobre Edmundo em 2000 (Foto: Reprodução/Youtube)

Se você fosse jogador de futebol, terceiro reserva, vindo da base, sem nunca ter feito uma partida como titular no profissional e pudesse escolher entre estrear no Estadual ou em um grande clássico nacional, o que preferiria? Sendo goleiro, que tal fazer sua primeira partida como titular em meio a um duelo entre Romário e Edmundo em pleno ano 2000? Pois foi assim com Fábio.

Atual ídolo do Cruzeiro, o camisa 1 defendeu o clube mineiro também na base mas se transferiu para o Vasco com apenas 19 anos, tendo passado também por União Bandeirantes-PR e Atlético-PR ainda novo. No ano em que o Cruz-Maltino foi campeão Brasileiro e da Mercosul, o arqueiro era, inicialmente, a terceira opção do técnico Oswaldo de Oliveira para a posição. Hélton era o titular e Márcio o – eterno – reserva.

Fábio foi contratado em julho de 2000, às vésperas de completar 20 anos de idade – nasceu em setembro de 80 – e teve sua primeira chance quase no susto. Hélton, titular da Seleção nas Olimpíadas daquele ano, se machucou e Márcio, que já vinha jogando em razão da convocação, assumiu o posto. No banco, o jovem goleiro nem poderia imaginar que sua chance estava próxima, já que substituir goleiro não é algo comum.

Porém, contra o Vitória, no dia 11 de outubro daquele ano, foi a vez de Márcio sentir uma lesão e o garoto ir à campo. Fábio entra no intervalo com o time vencendo por 1 a 0, vê a equipe fazer o segundo, mas sofre dois e deixa a vitória escapar.

Apesar dos gols sofridos – sem culpa -, Fábio acaba virando o titular para o próximo jogo, tendo em vista que não haviam mais opções no elenco – o clube contrataria ainda Max, do Bangu, para não correr o risco de ficar sem goleiro. O adversário era o Santos, de Edmundo, que saíra brigado de São Januário meses antes.

Aos 20 anos de idade, Fábio pela primeira vez seria titular em um jogo de Campeonato Brasileiro. Próximo dos 30, o Animal se via numa encruzilhada: brilhar para mostrar que Eurico e o Baixinho estavam errados, mas correr o risco de perder sua idolatria no clube, ou ser discreto e esperar a próxima partida para tentar conquistar a torcida do Peixe?

Bom, talvez as opções não tenham sido bem essas, mas o resultado do duelo entre os dois aponta para uma direção. Aos 9 minutos do segundo tempo, com os vascaínos vencendo por 1 a 0, o árbitro apita pênalti de Júnior Baiano em Dodô. Edmundo corre para a bola e bate, a meia altura, nem no centro e muito menos no canto, e Fábio faz grande defesa. O juiz manda voltar, para desespero do jovem goleiro, que brilhava pela primeira vez na carreira que se tornaria tão vitoriosa.

O craque ganha uma segunda oportunidade e coloca a bola novamente na marca da cal. Passa a mão no rosto, tenta aliviar a pressão. No início do ano já havia perdido a penalidade que resultara na derrota do Vasco na final do Mundial de Clubes. Ele corre, escolhe o mesmo canto que havia tentado na primeira batida e carimba a trave. Vibração de Fábio e decepção de (com) Edmundo.

O jogo terminou 1 a 1, com Robert empatando no fim, já nos acréscimos. De tantas partidas memoráveis do Cruz-Maltino nesse ano histórico (2000), um empate com o Santos na Vila poderia ter passado batido, se não fossem estes dois personagens: Fábio e Edmundo.

Pela primeira vez brilhou a estrela de Fábio nos gramados brasileiros. Por duas vezes seguidas, Edmundo foi mais vascaíno que qualquer outro time, ainda que inconscientemente. Seria novamente na temporada seguinte, vestindo a camisa do Cruzeiro, hoje devidamente defendida pelo goleiro.

O herói daquela noite viraria ‘vilão’ cinco anos depois, ao trocar São Januário pela Toca da Raposa. Já o derrotado no duelo receberia a idolatria eterna da torcida que naquela tarde era adversária. Coisas do mundo do futebol. Tão redondo e cheio de voltas quanto a própria bola.

FICHA DO JOGO

Vasco Da Gama 1 x 1 Santos (SP)
Data: 14/10/2000
Campeonato Brasileiro
Local : Vila Belmiro
Arbitro : Wilson de Souza Mendonça
Público : 16.872
Gols : Juninho Paulista (Vasco 41/1ºT) e Robert (Santos 46/2ºT)
Expulsão : Jorginho (Vasco)

Vasco – Fábio, Clébson, Odvan, Júnior Baiano, Jorginho, Henrique, Paulo Miranda, Juninho (Alex Oliveira), Juninho Paulista (Pedrinho), Euller (Zezinho) e Romário Técnico : Oswaldo De Oliveira

Santos – Carlos Germano, Preto, André Luís, Sangaletti, Léo (Rubens Cardoso), Anderson Luís (Júlio César), Rincón, Valdo, Robert, Edmundo e Dodô (Canindé) Técnico : Giba



  • Adriano

    Mas o Edmundo certa vez disse que nunca faria um gol no Vasco, quando jogava pelo cruzeiro tb perdeu penalty….

  • ODILON SILVA = RJ

    Uma das maiores perdas do VASCO, foi quando o grande FÁBIO brigou com EURICO MIRANDA, o FÁBIO acabou indo para o CÚzeiro, FÁBIO é um goleiro espetácular, o VASCO perdeu muito com sua saída………………Com a saída do FÁBIO ,começava uma fase horrorosa para o VASCO de goleiros, vieram ROBERTO, CASSIO, TADDIC, ELINTON, SILVIO LUIS, etc……Agora melhorou um pouco com o MARTIN SILVA, porque ate então, o melhor goleiro dos últimos anos tinha sido o FÁBIO…………..Ate hoje lamentável a saída do FÁBIO, o VASCO perdeu muito.

MaisRecentes

Vasco ainda procura o substituto de Douglas Luiz



Continue Lendo

Próximos seis jogos podem definir o destino do Vasco no Brasileiro



Continue Lendo

As mãos invisíveis



Continue Lendo