Surpresos, clubes portugueses estariam dispostos a receber jogadores chineses



*Com Bernardo Cruz

Nesta semana, o grande assunto futebolístico em Portugal foi o acordo com os chineses para a Segunda Divisão. Apesar de tudo ter acontecido de forma inesperada e surpreendente, os clubes, em sua maioria, levariam numa boa. Afinal, para uma competição sem lá muitos atrativos, qualquer dinheiro é bem-vindo. Mas duas questões incomodaram. A primeira foi a unilateralidade da decisão de Pedro Proença, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), e a possível obrigatoriedade de incluir jogadores da China nos elencos de 10 times, além de três auxiliares-técnicos. Porém, essa segunda questão até que tem incomodado menos.

– Há um impasse sobre essa questão dos jogadores e treinadores chineses. Na semana que vem teremos duas reuniões, uma delas extraordinária com a presença de todos os clubes. Precisamos saber o que pedem. Nós ainda não conhecemos o conteúdo desta proposta. A Segunda Divisão precisa de dinheiro, mas não vamos vender a Liga a qualquer preço – disse José Godinho, presidente da Comissão de Clubes da II Liga e do Oliveirense, lanterna da Segundona, ao blog Futebol na Terrinha:

– Posso dizer que 70% dos clubes estão dispostos a discutir, outros 30% não. O principal entrave no momento é a situação da obrigatoriedade de jogadores e treinadores chineses. Isso será discutido na semana que vem. Desde que seja um bom negócio para os clubes, não há problema.

Pedro Proença foi até a China para firmar o negócio (Foto: Divulgação)

Pedro Proença foi até a China para firmar o negócio (Foto: Divulgação)

A ideia existe desde o segundo semestre do ano passado. Godinho enviou ao blog a primeira proposta que foi feita e apresentada aos clubes em agosto. Porém, como ele próprio foi pego de surpresa, não sabe como são os números definitivos, nem se conferem com os que serão ditos aqui embaixo. No documento, não está dito que os clubes são obrigados. São seis condições no contrato proposto:

  • naming rights (incluindo ainda publicidade nas entrevistas pós-jogos);
  • inscrição de dois jogadores profissionais, um na base e um auxiliar;
  • pacote de incentivo desses chines (variando através dos minutos jogados);
  • transmissão para China, Japão e Coreia do Sul;
  • publicidade estática nos estádios;
  • patrocínio de uniforme (frente, costas e calção).

– A questão dos naming rights é diferente. Afinal qualquer dinheiro de publicidade e de transmissão é bem-vinda. Não creio que isso será afetado, mas precisamos ver os termos primeiro – disse Godinho.

O contrato seria válido por quatro anos e seria progressivo. No primeiro ano, o clube que cumprir todos esses requisitos, colocar os dois chineses de titular em todos os jogos, pode faturar até 466,5 mil euros (R$ 2,07 milhões) na primeira temporada, e 830 mil euros (R$ 3,7 milhões) na quarta. Vale salientar que seriam os chineses que pagariam as despesas dos jogadores que vêm de lá, e o clube ainda fica com 25% do valor de uma possível transferência. Uma fortuna para os times em questão.

Fato é que a situação já está mexendo com o imaginário do português. Os treinadores não estão muito contrários à ideia da chegada dos chineses ao time. Porém, lembram que é preciso ter qualidade, e também mostram que compreendem a necessidade.

– Na Segunda Liga há muitos problemas financeiros, não é fácil arranjar patrocínios, dinheiro… É preciso ir buscar em algum lugar. Se houver esta obrigatoriedade, o importante é ter qualidade. Se tiver, pode vir de onde for, pois estamos acostumados a trabalhar com gente de todo o mundo, não representará um problema, o problema vai ser se não tiverem competência – disse Paulo Alves, técnico do Penafiel, ex-jogador de Braga, Sporting, West Ham e seleção portuguesa, também ao blog, já pensando como poderá ser ter um auxiliar chinês:

– Nós, técnicos portugueses, já temos bastante formação em línguas, quase todos dominam francês e inglês, e é preciso que quem venha, tenha noção pelo menos dessas línguas. De qualquer forma, depende de como será a interação, e nesse aspecto não terá problemas. E partimos do princípio de que o futebol é uma língua universal, muito própria.

Divugação do acordo (Foto: Divulgação)

Divulgação do acordo (Foto: Divulgação)

Paulo Alves ainda minimizou a possível situação de ter que sacar algum jogador titular para colocar um chinês por ser obrigado a isso, ou por saber que será importante financeiramente para o seu clube.

– No meu caso, nenhum perderia posição ou deixaria de perder posição. Eu trabalho sempre destacando que todos os jogadores são iguais, têm as mesmas oportunidades… como não conheço o acordo, é dificil falar… Temos que ser coerentes com todos os jogadores, independente da condição, tem que ter a igualdade, depois a decisão do treinador de quem vai jogar, mas isso sempre na base de que jogam os melhores – concluiu.

 



MaisRecentes

CR7 inaugura seu primeiro hotel e vai batizar o aeroporto da ‘Pérola do Atlântico’



Continue Lendo

Clube português promove dispensa coletiva e causa revolta em sindicato



Continue Lendo

Trio brasileiro estreia com vitória pelo Porto em amistoso de pré-temporada



Continue Lendo