Porto em 2015/16: Muito investimento, grandes vexames. O que fazer?



O início da temporada do Porto foi empolgante. Poucas vezes o clube investiu tanto, foram 42,5 milhões de euros (R$ 177 milhões), incluindo 20 milhões de euros (R$ 83 milhões) para trazer Imbula, a contratação mais cara da história do futebol português. Perdeu jogadores importantes, mas trouxe outros, e o time ficou invicto por um tempo. Foi perder pela primeira vez em 2015/16 apenas em novembro. Porém, a partir daí… O ápice foi nessa segunda-feira, ao perder para o modestíssimo Tondela.

Aboubakar passou em branco contra o Tondela (Foto: Miguel Riopa/AFP)

Aboubakar passou em branco contra o Tondela (Foto: Miguel Riopa/AFP)

Nenhum time de Portugal sai impune ao se desfazer, em uma tacada só, de jogadores como Danilo, Alex Sandro, Casemiro, Quaresma, Óliver Torres e Jackson Martínez. Claro que é difícil combater com o dinheiro… Mas nomes empolgantes chegaram. Os experientes e confiáveis Casillas e Maxi Pereira, o jovem habilidoso Corona, o valorizado Imbula, o astro Dani Osvaldo, além de André André e Danilo Pereira, que tinham brilhado em clubes menores da Terrinha, e Layún, lateral-esquerdo que veio emprestado.

Derrota para o Dínamo foi o início da queda (Foto: AFP)

Derrota para o Dínamo foi o início da queda (Foto: AFP)

A coisa começou a desandar quando perdeu em casa para o Dínamo de Kiev. Depois ainda foi derrotado pelo Chelsea e foi eliminado na Liga dos Campeões ainda na fase de grupos. Parecia que haveria uma recuperação. Na 14ª rodada do Português, assumiu a liderança. Na partida seguinte perdeu para Sporting, e esse foi o ponto de corte definitivo.

O técnico Julen Lopetegui caiu, veio José Peseiro com a promessa de um jogo mais vistoso, mas os vexames só cresceram. Apenas em 2016, foram 21 partidas e nove derrotas. Nesses tropeços, perdeu para Arouca e Tondela pela primeira vez na história, sendo que este último é o lanterna e ganhou em sua primeira visita ao Estádio do Dragão na história. Isso sem falar de outros momentos amargos para a torcida tripeira. É um momento de reflexão definitiva no Porto.

O próprio clube, através da Dragões Diário, sua newsletter oficial, admitiu que o momento é conturbado: “Não há como esconder, a equipe de futebol está em crise e foi derrotada em casa pelo Tondela, o que deixa as contas do título como uma miragem”. Mas como o Porto chegou nisso?

Em Portugal se fala muito na falta de jogadores locais no time e de identidade. Apenas um português é titular absoluto, Danilo Pereira. Rúben Neves e André André jogam com frequência, e Sérgio Oliveira está ganhando espaço. Mas acho que não é muito por aí. A Champions de 2004 diz que é, afinal eram só dois estrangeiros entre os 11 (os brasileiros Carlos Alberto e Derlei no time da final). Mas o último grande Porto foi o de 2010/11, aquele de André Villas-Boas. Na final da Liga Europa, eram só três locais: Rolando, João Moutinho e Varela. Além do mais, não dá para lutar contra a presença dos gringos em um gigante europeu em pleno 2016.

Rúben Neves ainda não se firmou (Foto: Divulgação)

Rúben Neves ainda não se firmou (Foto: Divulgação)

A falta de mística também é muito citada. E é verdade. É notório que alguns jogadores não assimilaram bem o universo do Porto. Mas mais do que isso, falta qualidade. Aboubakar, Marcano, Varela, Evandro, Ángel, Marega, Bueno, Suk… Não correspondem. Brahimi e Herrera têm técnica, qualidade, mas os defeitos ficaram mais evidentes.

O argelino mostrou-se fominha, e o mexicano irregular. Casillas, grande astro da companhia, fez grandes defesas, mas cometeu algumas falhas inexplicáveis. Rúben Neves e outros jovens ainda não cumpriram o que prometem. Isso inclui até Corona, que não é prata da casa. Os dois Pereiras, Danilo e Maxi, além de Layún, acabam sendo os mais consistentes do time. O que é pouco. Muito pouco.

Portanto, é válido a torcida e a imprensa cobrarem identidade e mística. Porém, o buraco é bem mais embaixo. O Porto contratou jogadores de qualidade duvidosa e ficou para trás de Benfica e Sporting. O presidente Pinto da Costa, experiente e inteligente demais, tem capacidade o suficiente de reparar isso em pouco tempo. Mas vai precisar arregaçar as mangas, trabalhar muito, e olhar para o próprio time, ver os defeitos, ao invés de ficar reclamando da arbitragem repetidamente.

Pinto da Costa tem muito trabalho pela frente (Foto: Jean-Pierre Clatot/AFP)

Pinto da Costa tem muito trabalho pela frente (Foto: Jean-Pierre Clatot/AFP)

Como já disse aqui, uma excelente saída seria buscar de volta quem brilhou na casa recentemente, e não necessariamente esteja no auge da forma. Falcao García, por exemplo. Muito em baixa na Inglaterra e o Monaco querendo se desfazer dele. Fernando, que vive até bom momento, mas não deve ter vida longa no Manchester City de Pep Guardiola. E tem outros, como Raul Meireles, Bruno Alves, e talvez até mesmo Pepe.

Além disso, faz um esforço financeiro a mais e tenta trazer também o João Moutinho, também dos monegascos. Reforça bem a defesa e já tem um time mais competitivo juntando com Casillas, os dois laterais, Danilo Pereira, e os jovens como Rúben Neves, Corona e Chidozie, que precisam de gente boa e experiente ao lado para dar esse suporte.



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