Porto e a dificuldade em admitir que está tudo errado



O Porto perdeu mais uma partida neste domingo. A segunda consecutiva na temporada. Este já é o pior ano do Dragão desde 2001/02. O time não tem referências na linha. Mas pior do que isso tudo é a reação da diretoria e do treinador. O trabalho está mal feito, os jogadores são de qualidade duvidosa, não há um aproveitamento claro da base, a equipe não tem identidade, mas a culpa é sempre da arbitragem… Falta, no mínimo, humildade para reconhecer os vários erros.

José Peseiro (Foto: FRANCISCO LEONG/AFP)

José Peseiro não conseguiu render ainda pelo Porto (Foto: Francisco Leong / AFP)

– Arbitragem incompreensível. Tudo nos acontece, mas temos crença e vamos melhorar. Há sempre um erro de arbitragem que nos condiciona. Houve mais um pênalti claro, assim como contra o Tondela. E as faltas marcadas só foram assinaladas para para o jogo. Sempre há coisas que nos prejudicam. Depois, uma infelicidade tremenda Até no gol do adversário a bola bate em zagueiro, senão ia para o goleiro. Caímos no desespero – disse o técnico José Peseiro.

Isso ilustra o que acontece. É difícil demais reconhecer o erro. A Dragões Diário, newsletter oficial do Porto, que já admitiu a crise, disse o calvário prossegue. Porém, também fala de arbitragem, e chega ao cúmulo de compartilhar uma lista com 24 erros contra o time neste domingo. Das mais sutis e banais, como faltas bobas no meio-campo. Ora, isso acontece a favor e contra todos. Passou da hora de parar com esse “mimimi”, baixar a cabeça, admitir que a temporada é um fracasso absoluto, e mudar.

Pinto da Costa, presidente do clube há mais de 30 anos, já anunciou sua recandidatura, e vai continuar no clube. Isso é uma boa notícia para a torcida. Nos últimos anos, muita gente ao seu redor já imagina que ele vai sair, e há uma disputa ferrenha para a sucessão.

O dirigente tem experiência de sobra para identificar o que acontece, e enfim liderar uma mudança, para depois deixar tudo mais tranquilo para quem entrar em seu lugar. Sua missão será resgatar o time.

Em Portugal, muitos reclamam da falta de identidade, mística e lideranças dentro de campo. Já citei aqui diversas vezes a falta de qualidade no elenco. Desnecessário voltar neste tema. Porém, para buscar isso que o Porto precisa, vai ter que se movimentar no mercado e na base.

Chidozie (Foto: FRANCISCO LEONG/AFP)

Chidozie é um bom jovem valor, mas precisa de uma referência ao seu lado na zaga (Foto: Francisco Leong / AFP)

Do ano passado para cá, apenas Rúben Neves subiu da base e teve algum destaque, apesar dos seus altos e baixos. Sérgio Oliveira e André Silva são outras crias do time que aos poucos buscam espaço. Porém, não é possível que não existam outros valores. O Porto foi vice-campeão da Segundona em 2013/14 e lidera a atual edição. Para buscar mística e identidade, não há melhor lugar do que ali para isso.

Quanto às lideranças, também já falei aqui sobre opções. Claro que buscar jogadores com essas características e com qualidade, vai ter que colocar a mão no bolso. Será difícil trazer de volta um Hulk ou um João Moutinho da vida, por exemplo. Mas Falcao García é um fiasco na Inglaterra e o Monaco quer se desfazer dele de qualquer forma. Volta para onde foi feliz pode ser bom para todos. Ótimo nome para liderar o ataque.

Falcao García vive má fase e poderia se recuperar aonde já brilhou intensamente (Foto: Ian Kington / AFP)

Falcao vive má fase e poderia se recuperar aonde já brilhou intensamente (Foto: Ian Kington / AFP)

Para segurar as pontas lá atrás, por que não Pepe? Já tem 33 anos, não tem o mesmo espaço de alguns anos atrás no Real Madrid, tem apenas mais um ano de contrato e admitiu em entrevista à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que sonha em voltar ao país. O Dragão seria um caminho lógico. Um “plano B” com o mesmo aspecto seria Bruno Alves, de 34 anos.

No meio, Raul Meireles é um ótimo nome. Outro com 33 anos, nascido na cidade do Porto, defendeu o time durante seis anos e colecionou títulos. Com estes três jogadores, além de Casillas, há uma bela referência em cada setor, e todos eles bem identificados com o clube. Se puder investir um pouco mais, tenta um João Moutinho, ou até Lucas Lima, do Santos, já muito especulado pelo time, deixa zarpar uma barca, aproveita quem foi bem esse ano, e busca um técnico capaz de fazer isso funcionar. André Villas-Boas já disse que vai deixar o Zenit… Cereja do bolo?



  • João Paulo Levandeira

    A lógica é sempre misturar jogadores experientes com jovens. Fato que o Porto além de vender seus principais jogadores na temporada passada, o clube contratou muito mal, como o Dani Osvaldo. Ou seja, tem que ser contratações certeiras. Dos que tão aí, Danilo, Brahimi e Rubem Nevess são poucos que podem ser aproveitados.

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