Empresa chinesa é aprovada na Segundona de Portugal, mas entrada de jogadores ainda não



Após toda a polêmica em Portugal nas últimas semanas, em relação à entrada do dinheiro chinês na Segunda Divisão, enfim a medida foi aprovada, depois de Pedro Proença, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) ter assinado um princípio de acordo, ainda sem o aval dos clubes. Foi feita uma reunião nesta quarta-feira com dirigentes importantes, e o patrocínio foi aprovado por unanimidade.

O ponto mais polêmico nem tinha sido a unilateralidade utilizada por Proença. Mas sim uma possível cláusula no acordo, que obrigava os clubes a abrigarem jogadores chineses. Depois houve um recuo, e os times iriam receber incentivos financeiros para que os atletas chegassem, além de três auxiliares para os treinadores. Porém, segundo José Godinho, presidente do Oliveirense e da Comissão dos Clubes da II Liga, isso está fora de pauta, pelo menos por enquanto.

– Não é verdade. Existe o compromisso de trabalhar a hipótese de entrar até 10 jogadores e três auxiliares. É algo que ainda será trabalhado e estudado – disse Godinho ao blog Futebol na Terrinha.

Encontro que envolveu dirigentes importantes em Portugal (Foto: Divulgação / LPFP)

Encontro que envolveu dirigentes importantes em Portugal (Foto: Divulgação / LPFP)

Quem está dentro de campo, na verdade, não se importaria muito com a presença dos jogadores chineses. Na verdade, eles até seriam bem-vindos. Claro, se tiverem qualidade e não “roubem” o espaço dos que já estão nos clubes por uma norma.

– Eu acho que é legal até, pois alguns chineses não têm muita formação, lá não tem muito clube formador, e tem algumas promessas, com qualidade, o próprio Li Yuany, que jogava aqui, tinha qualidade, mas pecava em coisas que aprendemos na formação, e às vezes eles não têm aquela malícia. Com isso eles conseguem vir, desenvolver e voltam melhores para a China. Alguns nem são tão bons, mas aí eu já não acho certo. Se for bom, tem que jogar. Se não for, não é certo obrigar que joguem. Mas é legal trazer jogadores que não tem oportunidade, eles possam ter chances aqui – disse o meia brasileiro Bruno Lamas, do Leixões, ao blog.

Voltando a falar do lado político e financeiro, o acordo foi aprovado. Mas mais por falta de opção. Os clubes vão ganhar 500 mil euros (R$ 2,17 milhões) ainda nesta temporada, e na próxima, 1,2 milhão de euros (R$ 5,2 milhões).

– Nunca estamos satisfeitos, mas é um bom começo. Um bom patrocínio, juntando com as outras receitas, vai permitir um bom valor. Os números são bem diferentes do que sugerimos em agosto (lembre aqui). Mas foi isso que se conseguiu. Nós não conseguimos, mas é o que tem. Tínhamos outra ideia, e agora já é um fato consumado – disse Godinho:

– É um pontapé de saída. Esse negócio vai durar ainda pelas próximas três temporadas.

O dirigente ainda disse que há planos para algumas mudanças no regulamento da Segunda Divisão, que passará a se chamar Ledman LigaPro, com os naming rights vendidos à empresa chinesa que vai fazer o investimento. A ideia é diminuir dos atuais 24 clubes para 20, além de um playoff de acesso entre o terceiro da Segundona com o antepenúltimo da elite.

Curiosamente, entre os presentes na reunião que definiu isso tudo, estavam representantes de oito clubes. Entre eles, cinco da Primeira Divisão: Benfica, Porto, Rio Ave, Sporting e Vitória de Guimarães. Da Segundona estavam Oliveirense (lanterna), Freamunde (segundo colocado, mas “líder”, já que o primeiro lugar é o Porto B, que não pode subir), e o Portimense, a quatro pontos da zona de acesso.

– Os clubes da Primeira Divisão simplesmente apoiaram, tinha mais a ver com os clubes da Segunda Liga, e nós, por unanimidade, decidimos que sim, que devemos aproveitar essa grande oportunidade, para colocar a Segunda Liga em destaque, não é o ideal, mas é o real, e vamos aproveitar para que tenha uma receita que dê um conforto – explicou Godinho.

Ao site da LPFP, o ex-árbitro Pedro Proença, que apitou finais de Liga dos Campeões e Eurocopa, celebrou a aprovação.

– Foi mais um passo na regeneração de uma competição cuja sobrevivência esteve em risco até há bem pouco tempo. O patrocínio com a Ledman constitui mais um passo que fortalece a LigaPro. Será ajuda relevante para os clubes no plano financeiro e projeta internacionalmente a nossa prova e os seus participantes, abrindo novas oportunidades de negócio e de valorização – explicou.



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