Excluir portugueses da Superliga seria uma falta de respeito aos clubes e ao próprio torneio



Porto levou sua segunda Liga dos Campeões em 2003/04 com Deco e José Mourinho (Foto: Pascal Guyot / AFP

Porto levou sua segunda Champions em 2003/04 com Deco e Mourinho (Foto: Pascal Guyot / AFP)

Aos poucos, uma ideia de alguns dirigentes importantes de gigantes da Europa começa a tomar forma. Liderados por Karl-Heinz Rummenigge, presidente do Bayern de Munique e da Associação de Clubes da Europa (ECA), eles pretendem criar uma “Superliga”, envolvendo as principais potências, que teriam direito às vagas pelos nomes, dinheiro, e não pelo mérito desportivo. E falo disso por aqui porque existe uma boa chance de excluirem os portugueses nesse torneio que pretende substituir a Liga dos Campeões.

A ideia de Rummenigge é colocar os principais clubes de Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália. Óbvio, é justo colocar esses cinco países. Mas é ir contra a tradição, ao mérito desportivo, tanto recente quanto histórico, e até mesmo o marketing. Nesta semana, cinco clubes ingleses se reuniram com o empresário Stephen Ross para ver a viabilidade da competição.

Benfica levou a Champions em 1960/61 (foto) e no ano seguinte (Foto: Hulton Archive)

Benfica levou a Champions em 1960/61 (foto) e no ano seguinte (Foto: Hulton Archive)

Na iniciativa, clubes como Liverpool, Chelsea, Milan, Manchester United e Internazionale (todos fora de zonas de classificação para a UCL) teriam vagas cativas. São times com tradição e torcida, ok. Mas eu quero mais focar em quais são os motivos de o futebol francês estar incluído, e o português não. Não seria para tirar um e deixar outro. Mas vamos comparar a importância dos países que estão a uma Espanha de distância.

Falando em Liga dos Campeões, Portugal tem quatro títulos (dois do Benfica e dois do Porto) e cinco vices. A França tem uma conquista (Olympique de Marselha) e também cinco derrotas em finais. De 2003/04 para cá, quando entrou o atual formato da competição, com fase de grupos com oito chaves e mata-mata, 17 vezes os franceses estiveram no playoff, contra 10 dos lusos, sendo que nesse bolo, o Dragão foi campeão, curiosamente contra o Monaco.

Jonas fez o gol contra o Zenit na ida das oitavas de final da Champions (Foto: Francisco Leong/AFP)

Jonas fez o gol contra o Zenit na ida das oitavas de final da Champions (Foto: Francisco Leong/AFP)

Na Liga Europa, desde 2009/10, quando passou a ter o atual nome, é um banho português. Um título (do Porto), três vices (dois do Benfica e um do Braga), e mais cinco participações a partir das oitavas. Contra apenas três chegadas dos franceses neste momento. Contando a história toda, quando se chamava Copa Uefa, Portugal tem dois troféus (ambos do Dragão) e cinco vezes na segunda posição. Os franceses nunca venceram, mas chegaram à final quatro vezes.

Nos coeficientes, muito equilíbrio. Entre os países, a França está na quinta posição no ranking geral com 52082 pontos, apenas 167 a mais que Portugal. Entre clubes, o Benfica é o sexto, seguido pelo PSG, sétimo, e o Porto vem em 13º. Na pontuação histórica de torneios europeus, o Encarnado é o sétimo, com 342, seguido de perto pelo Porto, que é o oitavo com 325. Os franceses surgem só na 18ª colocação com o Lyon, com 179. O Olympique de Marselha é o 27º e o PSG vem uma posição atrás.

Em 1987, Porto derrotou o Bayern na final com um golaço histórico de Madjer de calcanhar. Rummenigge estava em campo do outro lado... Ficou engasgado? (Foto: Reprodução)

Em 1987, Porto derrotou o Bayern na final com um golaço histórico de Madjer de calcanhar. Rummenigge estava em campo do outro lado… Ficou engasgado? (Foto: Reprodução)

Não quero falar aqui que Portugal é maior que a França e que merece ter mais lugar lá nessa Superliga Europeia. Não. Apenas mostrar que seria extremamente injusto e incorreto deixar os dois principais clubes da Terrinha de fora, enquanto Paris Saint-Germain e mais um ou dois estariam lá sem ter as devidas credenciais.

Além disso, tão ou mais injusto seria times entrarem sem mérito desportivo. Milan, Internazionale e Liverpool, por exemplo, são gigantes. Óbvio. E não vão deixar de ser por causa das fases não muito boas em que estão.

Desde 1992/93 para cá, quando a Liga dos Campeões se reformulou, o Porto tem 20 participações, o Benfica tem 11. Muitas vezes passando para a fase de mata-mata. Nessa década, a única vez em que a dupla não esteve foi na ausência portista em 2010/11, e ainda assim levou a Liga Europa.

Alguns dos troféus internacionais do Porto no museu do clube (Foto: Thiago Correia)

Alguns dos troféus internacionais do Porto no museu do clube (Foto: Thiago Correia)

A França teve uma longa sequência do Lyon, agora do PSG, mas raramente tem uma consistência tão forte quanto os lusos. E os italianos que foram citados ali em cima, além de Liverpool, que teriam vaga cativa, não estão fazendo por onde dentro de campo em suas ligas nacionais.

Ainda não se sabe qual seria o formato da tal competição. Ao que parece, a intenção é fazer em pontos corridos, mas não necessariamente com 20 clubes, que é um número meio que padrão. Porém, excluir Porto e Benfica seria um desrespeito com tudo que os dois clubes apresentaram dentro de campo ao longo da história.



  • Vitor Rodrigues Francisco Jr

    Os clubes lusos são mais fortes que os ‘goluás’,apesar da França ser uma potência do futebol mundial,coisa que Portugal não é.

    • Andeson Morais

      França potência do futebol mundial? Piada isso né? A França revelou muitos craques ao longo da história, mas como seleção, mesmo sendo mais forte que Portugal não é nem de longe uma potência mundial, apenas teve uma geração muito boa com Zidane e companhia. Analisando seus clubes é que a coisa fica mais feia ainda, Portugal samba na cara da França.

      • Thiago Correia

        Acredito que os dois países têm os seus méritos. Nem a França é tão grande assim para estar no nível de Inglaterra, Espanha… Nem Portugal é tão pequeno para estar fora. Os dois países, em termos de seleções, tiveram algumas grandes gerações, com a diferença que os franceses conquistaram títulos, o que os lusos não conseguiram.
        Em termos de clubes, os lusos fizeram muito mais ao longo da história, conquistaram muito mais títulos, isso tanto no passado mais distante, quanto no mais recente. Acho difícil a Superliga sair do papel, mas de qualquer forma, se acontecer, tem que ser mais democrático e prezar pelo mérito desportivo.

MaisRecentes

CR7 inaugura seu primeiro hotel e vai batizar o aeroporto da ‘Pérola do Atlântico’



Continue Lendo

Clube português promove dispensa coletiva e causa revolta em sindicato



Continue Lendo

Trio brasileiro estreia com vitória pelo Porto em amistoso de pré-temporada



Continue Lendo