Foi épico. Mas o Tucumán flertou com a tragédia



A cena do ônibus cortando o asfalto de Quito foi digna de filme. Pelo contexto, a classificação do Atlético Tucumán para a próxima fase da Libertadores já é digna de documentário. Mas a jornada épica do time argentino, que usou a camisa da seleção albiceleste, foi um risco desnecessário, fazendo o clube “flertar” com uma tragédia tanto dentro quanto fora de campo.

Ser eliminado por W.O por causa de um atraso – logo no primeiro mata-mata – teria um gosto para lá de amargo. Mas passar por um acidente no veículo que transportava a delegação poderia gerar consequências impossíveis de serem reparadas.

A Libertadores tem dessas coisas. É um sentimento um tanto ambíguo. Enquanto a raiz do futebol sul-americano (e por que não a graça dele?) é ser moldado por episódios mais do que inusitados como o visto no Equador, por outro lado a principal competição de clubes do continente teve um dos mais icônicos exemplos de falta de profissionalismo e desrespeito a regras. Coisa tragicômica.

A classificação foi épica – com direito a uniforme emprestado pela seleção argentina sub-20 – mas o jogo, pelo texto do regulamento, não deveria nem ter acontecido. E isso se deve a um aparente cavalheirismo do anfitrião El Nacional, que acabou derrotado. Teve contagem regressiva para o W.O, mas, ao fim das contas, o prazo de tolerância teve duração além da prevista no regulamento – 45 minutos.

Tudo isso porque, na tentativa de driblar os efeitos da altitude, o Tucumán simplesmente ignorou outro item do regulamento da Libertadores, cujo artigo 29 é cristalino: “O clube visitante deve garantir a chegada da sua delegação à cidade sede da partida por pelo menos 24 horas de antecedência”. A diretoria do Decano nem sequer contratou um voo com a documentação necessária para trafegar no espaço aéreo equatoriano, como explicou a Direção Geral de Aviação Civil do Equador.

Como time atrasado, até o embaixador da Argentina no Equador, Luis Alfredo Juez, apareceu para evitar o W.O e garantir que o jogo acontecesse. Segundo ele, que atacou os que prezavam pelo prazo regulamentar de 45 minutos, a delegação viria a 130 km/h, se necessário. E foi mais ou menos isso que aconteceu. A cena foi digna do “Velocidade Máxima”, estrelado por Keanu Reeves: o ônibus, escoltado, rasgando o asfalto para chegar com o menor atraso possível ao estádio. A essa altura, os uniformes do Tucumán já tinham ficado para trás.

O jogo, que acabou 1 a 0 para o time vestido de Argentina, entrou para a história.

Mas ao mesmo tempo em que histórias esportivas como a do Tucumán são deliciosas de se ver e contar, não dá para bater palma para tanto amadorismo. Com a tragédia da Chapecoense tão recente, o Tucumán parece não ter aprendido a lição da importância de contar com serviços de transporte adequados à legislação.

Não adianta a Conmebol adotar o discurso de de modernidade, valorização da competição, mudando nome e identidade visual, se permite aos participantes a brecha para tamanho equívoco de planejamento.

A conclusão óbvia é que a Libertadores continua sendo a Libertadores. Para o bem e para o mal. E foi só o primeiro mata-mata da fase preliminar…



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