Vinicius Júnior, Luiz Fernando e a vitória que deixa o futebol mais atraente



Em quase todos os esportes o time com jogadores de mais nome leva a melhor. No futebol é diferente. E isso que o torna especial, mais atraente. Um capítulo importante foi escrito na noite de quarta-feira, no Maracanã, quando uma equipe que não abriu mão de lutar, o Botafogo, mesmo sem tantas estrelas, superou a apatia do Flamengo, que nos últimos anos vem perdendo a sua principal virtude, a raça.

O Botafogo mereceu ganhar. Foi melhor os 90 minutos. Poderia ter vencido até de mais. O 1 a 0 foi suficiente para levá-lo à final.

Dois personagens deixaram o clássico este ano ainda melhor. Vinicius Júnior, pela provocação do chororô nas semifinais da Taça Guanabara, e Luiz Fernando, pelo cheirinho após seu gol na quarta-feira.

Cria do Flamengo, mas vendido ao Real Madrid, Vinicius fez a sua provocação com o jogo já decidido. Mas esqueceu que o futebol tem troco. Poderia ter guardado para uma partida mais na fase decisiva. Riu primeiro. Mas quem ri por último…

Não critico o garoto flamenguista. O futebol era melhor no passado. Lembro das provocações de Romário, Túlio, Renato e de outras mais antigas. O esporte perde a graça sob o pretexto de que zoações levam à violência. A diferença é que os craques citados assumiam a provocação e não se escondiam atrás de assessores que tentam disfarçar, afinal, “o garoto sempre comemorou assim, desde a base”. Há Há Há.

Mas se o tema é brincar, Vinicius deveria ter estudado um pouco melhor a história do clássico antes de achar que ia rir sozinho até a decisão. O jogo do Senta (a origem do chororô), a volta olímpica de marcha a ré, o triunfo dos reservas, a cavadinha de Loco Abreu são apenas alguns episódios que mostrarm que neste duelo nenhum dos lados deve comemorar antes. Senão, corre realmente o risco de ficar só no cheirinho…

Ao Flamengo fica a lição de que precisa se entregar mais em campo, ser menos apático e buscar no seu passado ensinamentos que melhorem o futuro. Ao Botafogo, a euforia deve passar longe, pois a vitória de quarta não muda em nada a necessidade de evidentes progressos, pois os desafios do ano serão ainda mais complicados. Ambos, com muito trabalho, ainda podem evoluir.



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