Renato Gaúcho e as marcas que o tempo não apaga



O futebol é capaz de despertar em todos nós os mais variados sentimentos. Porém, tem um em especial que se torna forte em quase todos os estádios: o de se perseguir um adversário tido como “traidor”. O normal é observarmos a torcida, na maioria das vezes, vaiar ou ofender um ex-jogador do clube da casa que decidiu ir embora. No caso em especial do Botafogo, Willian Arão, por exemplo, sofreu na pele isso recentemente. E olha que se não fosse o presidente Carlos Eduardo Pereira lembrar dele em várias entrevistas, o rapaz até já teria sido esquecido. O Botafogo tem uma história recheada de craques, com todo respeito ao volante flamenguista.

Na noite de quarta-feira, pude observar esse sentimento nas vezes em que a torcida do Botafogo notava a presença de Renato Gaúcho no banco do Grêmio. Os gritos de “Renato, Vi…” eram sempre ouvidos, seguidos de vaias. Reação que é fruto de uma história que completou 25 anos em julho e que as marcas do tempo parecem não conseguir apagar.

Renato Gaúcho já teve seu nome gritado pela torcida do Botafogo entre 1991, quando decidiu deixar o Flamengo para defender as cores do Glorioso, e 1992. No Brasileirão, foi um dos destaques do time que chegou à final como favorito contra o Flamengo. O Alvinegro perdeu por 3 a 0 o primeiro jogo e o atacante teve atuação apática. Mas até aí são coisas do futebol. O que fez Renato cair em desgraça foi comparecer a um churrasco de comemoração do Rubro-Negro, no dia seguinte, na casa de seu amigo, o atacante Gaúcho.

A ida de Renato ao churrasco repercutiu tão mal que a torcida protestou e o então presidente Emil Pinheiro afastou o atacante do segundo jogo, o negociando em seguida.

Há quem pense que se Renato, na fase que estava, tivesse jogado a segunda partida o Botafogo teria invertido o marcador. Isso é uma dúvida que ninguém jamais conseguirá desfazer. Porém, é fato que ao não respeitar o sentimento alvinegro, ele caiu em desgraça e passou a ser perseguido pelos botafoguenses em todos os reencontros.

O sentimento parece mútuo. Depois daquele episódio de 1992, Renato, em entrevistas, sempre que pode cutuca o Botafogo. Provavelmente porque também achasse que poderia ter mudado o rumo daquela final, o que hoje o daria um status bem diferente em General Severiano.

O certo é que a relação Botafogo/Renato Gaúcho escreve uma daquelas histórias de paixão que só o futebol consegue explicar. Onde quer que os dois se encontrem a música de fundo será: “Você pagou com traição. A quem sempre lhe deu a mão”…



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