Jair Ventura deveria tapar os ouvidos



O jogo contra o Avaí na noite de segunda-feira me trouxe a lembrança de uma outra derrota pouco esperada nesta temporada. O 2 a 0 para o Barcelona pela Copa Libertadores. Isso porque os dois tropeços têm algo em comum: a opção de Jair Ventura por mudar a maneira de jogar do Botafogo. Naquela ocasião, sem poder contar com Bruno Silva, suspenso, o treinador ouviu a cobrança da imprensa: “Contra um time do Equador, no Rio de Janeiro, não dá para seguir com três volantes, ainda mais quando se tem a oportunidade de mudar por conta de um desfalque”. Jair foi dar ouvidos a isso e errou na escalação, optando por Guilherme.

Na noite de segunda-feira, contra o Avaí, sem João Paulo, o suspenso da vez, foi a hora perfeita para falarem: “Montillo e Camilo juntos, afinal, foram contratados para isso”. Deu no que deu e uma derrota que não estava nos planos.

Jair Ventura tem como grande mérito ter dado ao time do Botafogo uma identidade. Um estilo de jogo copeiro, guerreiro, que o time não tinha há muitas temporadas. Isso só é possível com um meio-de-campo congestionado pelos três volantes. Contra o Avaí, além de não ganhar um meia e nem um terceiro atacante, Jair ainda perdeu o que Bruno Silva tem de melhor: ocupar uma parte do campo onde ganha espaços por conta da falta de dois meias. Sei que o time conseguiu criar e e que faltou qualidade para colocar a bola na rede. Mas isso é algo que se tem convivido desde o começo do ano.

Tenho certeza de que Jair aprendeu com o que aconteceu diante do Avaí. Nos próximos jogos o Botafogo tem tudo para voltar a ser o time copeiro que não aceita de jeito nenhum perder. O tropeço contra os catarinenses será rapidamente esquecido. Espero que a lição deixada, não. Tapar os ouvidos meu caro Jair, algumas vezes, é até virtude.



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