A difícil missão de lidar com a paixão



Neilton postou um vídeo há algumas semanas quando deixava a Arena Botafogo após uma vitória. Ele parou o carro e desceu do mesmo para comemorar com os torcedores. Caiu nas graças dos alvinegros, que viram no gesto uma identificação pouco comum nos dias atuais. O futebol está carente de ídolos, de atletas que vistam a camisa de um time com orgulho. Nilton Santos, Rogério Ceni, Marcos foram raridades. Longe de mim fazer qualquer comparação de idolatria envolvendo um dos três citados com Neilton. A distância beira o abismo.

Mas Neilton é humano e também comete gestos que podem ser vistos como pecado mortal por parte desta mesma torcida. Eis que entra em campo a difícil missão de lidar com a paixão. O jogador postou em uma rede social sua foto viajando nesta segunda-feira para os Estados Unidos de férias. Pronto. A casa caiu para Neilton. Boa parte dos torcedores insinuou que ele forçou o terceiro cartão amarelo para não enfrentar o Grêmio.

Gostaria de saber se as pessoas se lembram que se não fosse a terrível fatalidade que nos privou do convívio do alegre time da Chapecoense, o jogo contra o Grêmio já teria acontecido e que nesta segunda-feira Neilton estaria curtindo de qualquer jeito as suas férias. Logicamente também lembro que o jogo contra a Macaca foi antes do acidente de avião. Portanto, não tinha nenhum motivo para que o atacante forçasse o cartão e deixasse de participar de um jogo de grande visibilidade, uma verdadeira decisão.

Não sei se Neilton vai ficar no Botafogo em 2017. Acho que tem vaga no elenco, mas sei que vários aspectos financeiros devem ser levados em consideração. O que sei é que o gesto de postar uma foto viajando em nada desrespeita as cores do Alvinegro ou apaga os bons momentos que teve com a camisa do Botafogo. Neilton é apenas mais um a aprender, na marra, que ódio e paixão caminham juntos quando o assunto é futebol.



  • Cléber Jesus

    A Neilton fica o agradecimento. Uma pena se ele não ficar. Boa sorte para ele e boas férias.

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