A história de Serapião, o ingrato garçom



O Serapião era um bom garçom. Trabalhou em restaurantes caros da Europa e voltou ao Brasil também com status de profissional de ponta. Porém, por uma daquelas peças que o destino prega na gente quando menos se espera, ele ficou seriamente doente e viu a sua carreira ser comprometida. Mostrou que um guerreiro não é derrubado tão facilmente, reagiu, ganhou da morte e voltou a ficar em condições de exercer a sua profissão.

Neste dia o restaurante do Seu Carlos Eduardo abriu as portas para ele. Serapião ficou mais feliz do que ganhador da Mega Sena. Ia poder exercer a sua profissão. O tempo foi passando e o Serapião teve convite de outro restaurante. Seu Carlos Eduardo conversou com ele e explicou que o restaurante ia entrar em um momento muito importante do ano, “O Concurso de Comidas”, onde a presença dele era fundamental, e resolveu dar um bom aumento para o Serapião, que decidiu permanecer.

Porém, passadas algumas semanas, um outro restaurante procurou o Serapião e dessa vez ele bem quis ouvir o seu Carlos Eduardo. Arrumou as malas e foi embora. Mesmo no meio daquele concurso de comidas tão importante para o restaurante do Seu Carlos Eduardo.

Diante do ocorrido e precisando se recompor, Seu Carlos Eduardo apostou em um menino que vinha sendo treinado dentro da casa mesmo e para a surpresa de todos, o rapaz conseguiu trabalhar muito, mas muito, mas muito mesmo melhor do que o Serapião. O restaurante do seu Carlos Eduardo acabou o concurso em uma posição melhor do que a do novo restaurante do Serapião.

O tempo passou e o dono do novo restaurante do Serapião, que, para a sorte de sua clientela, não era tão paciente quanto o Seu Carlos Eduardo, demitiu o garçom. E assim a vida deu ao Serapião a lição de que a gratidão é a principal virtude de um homem e base de todas as outras. O Serapião deve ter percebido que se tivesse esperado o concurso do Seu Carlos Eduardo passar para ir embora teria sido melhor. Ou até mesmo, se tivesse ido antes do aumento que recebeu e do tal concurso começar não pegaria tão mal.

Torço para o Serapião arrumar seu novo emprego. Lembrei muito dele outro dia, quando o Ricardo Gomes foi demitido do São Paulo. Ao Ricardo, o desejo que consiga se reinventar mais uma vez. Agora, quem sabe, um pouco mais grato. Enquanto isso, o Seu Carlos Eduardo vai tentando manter a qualidade do restaurante dele, de grande tradição.



  • Carlos Ribeiro

    Há males que vem para o bem! Será que o Botafogo estaria tão bem colocado se estivesse sob o comando do RC?

  • Ednes

    COM TODO RESPEITO AO RICARDO GOMES,ELE TEVE O QUE MERECEU.É UM INGRATO E UM BAITA TRAÍRA. NO BOTAFOGO PARA TREINADOR NUNCA MAIS. TALVEZ O RICARDO SEJA CONVIDADO PARA COMANDAR O VSCAIDO NA SEGUNDONA 2017.VAMOS AGUARDAR.

  • Baré Fogo

    Reconhecimento, gratidão e desapego às tentações que aparentemente sugerem vantagens profissionais e pessoais não são virtudes para qualquer um. A regra é sempre encarar sempre as opções sob a ótica materialista. Desconhecem ou se esquecem que existe uma lei natural maior, onde só se colhe aquilo que se planta. Para os bons entendedores, acredito que não preciso dizer mais nada.

    • Bira Fogão

      Valeu, cara!!!!
      Vou colocar essa frase no pára-choque do meu próximo caminhão.

  • Bira Fogão

    Metáfora bonitinha essa. Mas, faltou um “tempero” na estorinha; sem o qual podemos estar “condenando o réu garçom” ignorando o seu “álibi”.
    Acontece que o patrão Carlinhos Dudu não foi tão vítima assim.
    C. Dudu prometeu ao seu garçom que o cardápio do restaurante iria melhorar sensivelmente se ele ficasse. O tempo passou e nada de melhora na qualidade dos pratos. O garçom vendo que o patrão era só “garganta” e que naquele restaurante ia ser difícil ganhar melhores gorjetas, como todo profissional foi procurar melhores condições de trabalho.
    O que tem de anormal ou de ingratidão nisso?

  • Bira Fogão

    Uma pegunta ao ilustre blogueiro: o Roger, que será o maior goleador do Brasil em 2017, foi grato à Ponte Petra?

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