Melhor árbitro da Série A projeta ascensão internacional e festeja regularidade



Raphael Claus (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Raphael Claus conquistou o bicampeonato brasileiro. Pelo segundo ano seguido, ele foi eleito pela CBF como o melhor árbitro da Série A do Brasileirão. Com moral no comando do futebol nacional, ele bateu um papo com a De Prima, contou como enxerga o próprio momento atual, falou sobre árbitro de vídeo e revelou o desejo que crescer internacionalmente.

Ah, Claus ainda contou se é verdade ou mito que árbitros brasileiros apitam de forma diferente em competições sul-americanas.

Como é a sensação de ter sido eleito, pelo segundo ano seguido, o melhor árbitro do Brasileirão?
Fico muito feliz pelo momento. É uma satisfação imensa. Sabemos que o Brasileirão é um campeonato muito difícil. O primeiro colocado joga contra o último e a chance de vitória é 50% para cada lado. Os jogos são muito parelhos. Passar por 38 rodadas ileso, sem ter um problema, sem interferir nos resultados dos jogos, é muito gratificante.

E você tem algum segredo para manter o desempenho?
O segredo é entrar 100% sempre. Em qualquer jogo que esteja designado, tratar como se fosse final de campeonato. O segredo é tentar uma regularidade, não ter altos e baixos. Costumo falar que o bom árbitro não é o que faz o jogo bom, mas o que faz um campeonato bom. É preciso dedicação total, dentro e fora de campo.

Como enxerga a introdução do árbitro de vídeo?
É uma ferramenta muito bem-vinda. Claro que precisamos ainda um pouco de paciência, principalmente em relação à mídia. É uma ferramenta nova, então há muito a ser lapidado, aprimorado. É da mesma forma de quando foram introduzidos a bandeira eletrônica e o rádio de comunicação. O vídeo vem para ajudar a legitimar os resultados.

Se fosse colocado em prática em 2017 no Brasileirão, os árbitros estariam preparados?
Passamos por treinamento, todos os árbitros da Série A. Acredito que todos estariam preparados se fosse implantado. Lógico que haveria uma dificuldade caso começasse no meio do campeonato. Mas é uma ferramente fundamental, vem para somar. Como tudo na vida, vai precisar de aprimoramento. Mas o futebol só tem a ganhar com isso. Vai evitar que erros crassos que aconteçam, não por incompetência, mas porque ser humano é falível. Muitas vezes não temos ângulo de visão adequado para tomar a decisão. Aí, o árbitro de vídeo vem para solucionar.

O Sandro Meira Ricci é o favorito da Fifa há dois ciclos de Copa do Mundo. Mas a idade chega. Planeja crescer também internacionalmente?
Com certeza. Este ano também foi especial dentro da Conmebol. Ficamos com atuação um pouco restrita na Libertadores porque tem muito clube brasileiro na fase de grupos. Só uma chave que não tinha. Isso afeta nas escalas. Mas trabalhamos muito na Sul-Americana, fiz seis jogos. O outro foi na Libertadores. Foi um ano produtivo. Vamos buscar passo a passo o futuro.

E qual a vantagem de ter Wilson Seneme à frente da comissão de arbitragem da Conmebol?
Ele conhece todos os brasileiros de perto. Do quadro da Fifa, todos trabalharam com ele ainda como árbitro. Ele tem o conhecimento além do campo, sabe a índole das pessoas, o caráter de cada um. É uma proximidade boa para os brasileiros.

É uma lenda urbana que árbitro brasileiro apita diferente no exterior na comparação com o que faz em competições nacionais?
É um pouco de lenda, sim. O árbitro é o mesmo. O que muda são os jogadores. O espírito de jogo dos outros sul-americanos é diferente do brasileiro. Eu, particularmente, gosto. Acho que meu estilo de arbitragem se encaixa bem na Libertadores e na Sul-Americana. Os jogadores sofrem contato e estão sempre buscando a bola, evitam simular. O jogo já tende a fluir mais. Acho que é melhor para mim. Se sofrer queda por contato natural, somos orientados a não dar cartão. Mas muitas vezes o jogador aqui tende a simular. É difícil quando preferem simular a tentar uma jogada.

Como você viu aquela campanha “cruzada do respeito”, que a CBF fez, incentivando cartão amarelo para o jogador que reclamasse das marcações da arbitragem?
Foi muito bom. Foi um momento de divisão de águas na arbitragem. Tivemos que dar um passo um pouco mais à frente para mostrar que não iríamos tolerar algumas coisas. É claro que, com o tempo, os próprios jogadores vão mudando a cultura deles. Outra coisa que ajuda é a volta de jogadores da Europa, porque eles retornam com outra cabeça. A postura, o treinador faz muita diferença. Acredito que demos um passo importante.

O que te pressiona mais: o jogo em si ou o lado externo, com torcida e imprensa?
Sinceramente, sou meio isento a isso. Não interfere. Quando estou dentro do campo de jogo, parece que estou entre quatro paredes, eu me concentro no que eu tenho que ver, na decisão que tenho que tomar.

E qual o jogador mais chato do futebol brasileiro?
Acho que todos estão melhorando muito.



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