‘Momento é delicado e precisamos reorganizar o esporte’, avalia João Derly



João Derly é deputado federal e bicampeão mundial de judô (Foto: Divulgação)

João Derly é deputado federal e bicampeão mundial de judô (Foto: Divulgação)

Autor de requerimentos de audiências para discutir situação do COB, deputado federal e ex-judoca João Derly avalia momento da gestão do esporte brasileiro e faz paralelo com a CBF. Ele entende que os atletas precisam de mais engajamento.

Como os parlamentares podem contribuir para que a gestão do COB, agora que o Nuzman saiu, possa evoluir?
Acho que a melhoria que pode ser trazida é a construção de uma legislação importante para a reformulação do Esporte. Como o COB e as confederações recebem dinheiro público, temos mais autonomia – diferentemente do que é com a CBF – para mexer em questões como o colégio eleitoral. Tiago Camilo, presidente da Comissão de Atletas do COB, vai conversar na terça-feira em Brasilia sobre medidas. O momento é delicado e precisamos reorganizar o esporte. O colégio eleitoral sozinho não vai trazer o efeito necessário.

Pelo que conhece do Paulo Wanderley, novo presidente do COB, que veio do judô, o que pode-se esperar da nova administração?
É muito difícil avaliar o que ele pode fazer. Mas ele já tem iniciativas importantes, como mexer no estatuto do Comitê Olímpico. É uma boa sinalização. Vai fazer uma comissão para isso. Solicitei que a Câmara possa participar disso. Agora, a gestão do Paulo Wanderley na Confederação Brasileira de Judô ajudou o desenvolvimento do judô brasileiro na questão de recursos. Peguei a era anterior, do Mamede. Nessa época, pagávamos o pacote da Confederação para viajar e era um roubo com os atletas. Era três vezes mais do que se fizesse uma cotação por fora. Hoje em dia, as equipes de base viajam gratuitamente. Foram alguns avanços no judô. Vamos ver o que vai acontecer no COB. Temos que lutar para que a divisão dos recursos da Lei Piva seja bem aplicada. Esse é o grande desafio do gestor do COB.

Como vê o papel dos atletas e qual deveria ser a participação deles no processo?
Se olharmos para a cultura, os artistas participam muito, se envolvem nas questões. Nossos atletas sentem dificuldades, receio de sanções. Acho que é porque daqui a pouco vão estar disputando vagas olímpicas e para o Mundial. Quem se movimenta mais são os ex-atletas, que têm mais notoriedade. Sinceramente, de fora, vejo a necessidade dos atletas que estão no dia-dia se somarem a essa luta para termos esporte mais limpo, democrático e transparente. Recentemente, quando o Paulo Wanderley virou vice do COB, eu conversei com ele. Tinha coisas que ele descobriu que o COB fazia e ele não sabia quando era só da confederação. Ou seja, um conteúdo que estava num limbo. As coisas precisam ser mais transparentes e os atletas têm que se envolver nessa luta.

Já é de conhecimento que há uma bancada na Câmara que atua pelos interesses da CBF. Acontece o mesmo com o COB?
Não vejo isso. É a bancada do Marco Polo Del Nero. Estou tentando separar entidade das pessoas. A entidade é importante para o desenvolvimento. A CBF tem um papel importante com a Seleção. O problema é a raposa cuidar do galinheiro. Essa bancada até atrapalhou o projeto do deputado Silvio Torres que, ao tratar a Seleção como patrimônio público, daria poder ao Ministério Público e à Câmara para fazer ações como podemos fazer no COB.

Por que, na sua visão, Nuzman acabou preso e Del Nero e Ricardo Teixeira não?
Del Nero é investigado pelo FBI, nos Estados Unidos. Por isso ele não viaja e sabe que se sair do país vai ser preso. O Nuzman, aí não estou fazendo juízo de valor porque não temos algo muito concreto para afirmar, acho que subiu no salto e “deixou” provas para que pudesse ser preso. Ninguém faz ilícito tentando mostrar. Tentam ocultar. Acho que ele relaxou, achando que não teria problemas. Aí veio essa operação muito importante. A investigação que pegou a turma do Cabral no Rio de Janeiro. Pelo fato de o Comitê ter feito várias ações no estado, ficou o traço. Essa é a diferença.

Copa e Olimpíada ficaram manchadas. O Brasil vai ter moral para voltar a receber algum grande evento algum dia?
Isso mata sonhos de pessoas. Eu acreditei que grandes eventos mudariam o país, ajudariam a buscar recursos, negócios para empresas, fomentaria um monte de coisa. Infelizmente, foram grandes negócios para poucos. Fica uma situação ruim, a imagem do país fica arranhada lá fora. Para retomarmos isso, vamos ter que ralar bastante, mostrar na prática, com transparência e democratização do poder.

Os escândalos envolvendo a administração esportiva não inibem a negociação no Congresso pelo aumento do orçamento do Ministério do Esporte?
Acho que pode prejudicar. É preciso separar pessoas das entidades. Mas vamos ter que sentir o dia-dia para ver se vai interferir mesmo. Já vi deputados se manifestando sobre o tema em plenário. Estou tentando fazer um trabalho mais de bastidor. O corte vai acontecer, mas que não seja tão forte e que consiga ser nas áreas onde cabe. Então, é preciso reorganizar o Bolsa Atleta, tentar achar onde dá para mexer. Depende tudo da articulação do ministro também. Se o governo conseguir…



  • Assombroso

    Agora é fácil falar, né?
    Por que não se manifestaram nos últimos 20 anos?
    Por que não boicotaram as competições como forma de protesto?
    Por que não abriram a boca quando davam entrevistas ou participavam dos programas da TV?

    99% dos atletas olímpicos sempre foram omissos e tiveram o rabo preso com o COB.
    É muita cara de pau se manifestarem agora.

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