Ana Paula Oliveira vê árbitro de vídeo como ajuda e confia em bom treinamento



Ana Paula Oliveira é uma das instrutoras da CBF (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Ana Paula Oliveira é uma das instrutoras da CBF (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

A base curricular da arbitragem brasileira ganhou esta semana um conteúdo obrigatório: a utilização do árbitro de vídeo. Ana Paula Oliveira, coordenadora nacional de instrução da Escola de Arbitragem da CBF, participa diretamente desse processo de passagem de conhecimento aos árbitros para o uso da tecnologia. Ela, uma ex-assistente que também tem participado com frequência dos cursos da Conmebol e é a primeira mulher a trabalhar como supervisora dos jogos nas competições da entidade, relata como será o trabalho junto aos integrantes do quadro nacional para que o desejo de Marco Polo Del Nero se cumpra na atual edição do Brasileirão. O curso mais complicado da carreira?

– Não é o mais complicado. Se não tivesse material pronto, aí daria problema – comentou ela, que faz parte da equipe chefiada por Manoel Serapião e também por Sérgio Corrêa.

Por falar em curso, Ana Paula foi nesta sexta-feira para a Conmebol participar de treinamento para as competições continentais femininas.

Como está o cronograma de treinamentos para o árbitro de vídeo?
Com os instrutores, tivemos curso até ontem (sexta-feira). Com os árbitros, dividimos em quatro turmas. De segunda até sexta-feira, a primeira turma. De 29 de setembro até 3 outubro, outra turma. De 3 a 7, a terceira. E de 7 a 11 de outubro, a última turma. O importante é que foi massificado entre nós e vai ser reforçado o protocolo do árbitro de vídeo. É sobre quais são os pontos em que o árbitro poderá, de fato, atuar. Fizemos a parte teórica, parte de vídeo, análises, situações para recomendar a tomada de decisão e quando não deve interferir.

Vai ter alguma distinção com quem já recebeu esse curso? Ou uma instrução apenas para quem for atuar nas cabines?
Todos vão receber o mesmo treinamento. Claro que teremos ainda o operador de edição. Estamos trabalhando com árbitros, assistentes e supervisores. Para o projeto, tem que ver equipamentos, parcerias… A questão não está só na preparação, tem toda uma questão técnica, uma análise do que vai ser desenvolvida.

Quando vocês receberam a informação de que tinham que agilizar esse curso?
Foi definido esta semana. Recebi a orientação na terça-feira que iríamos fazer esse curso. Tivemos que preparar tudo muito rápido. Nossa “sorte” é que o Manoel Serapião é o idealizador do projeto, conhece todas as versões do árbitro de vídeo com maestria. Já tínhamos vídeos separados. Aí, reunimos os nossos principais inspetores, preparamos todo o material prévio, encadernação, fizemos separação de vídeos com lances difíceis de análise. Esse curso é de coordenação do Serapião.

É o curso mais difícil que será ministrado desde que você chegou?
Não acho. É um curso de desafio. Não é o mais complicado. Se não tivesse material pronto, aí daria problema.

Se ainda estivesse na ativa, como você encararia essa situação?
Eu como árbitra eu diria que vamos ter um suporte a mais para minimizar os equívocos e ressaltar acertos. Estaria tranquila, serena, porque sei que vou ter um recurso a mais para auxiliar no meu trabalho. Esse produto vem para somar, mas ele não vai resolver todos os problemas. Mas as situações como o gol de mão não irão mais acontecer.

O árbitro de vídeo poderia ter evitado certas confusões no passado, né…
Acho que tudo acontece quando deve acontecer. Acredito na providência divina. Se não teve antes, não era para ter ocorrido, porque tinha que passar por processo de melhora, de estudos. Tenho certeza que o protocolo talvez não seja do ano que vem, porque tem sempre aprimoramento.

Equipe de instrutores e comissão de arbitragem da CBF (Foto: Lucas Figueiredo)

Como foi a receptividade da informação de que o presidente Marco Polo Del Nero tinha mandado introduzir o árbitro de vídeo “para ontem”?
Primeiro, temos a surpresa do imediatismo, mas não a preocupação com a competência, excelência. Árbitro de vídeo é algo que estamos discutindo nos cursos. Já vinha sendo falado antes, já vinha sendo discutida a implantação. Foram feitos dois testes. Claro que tem a primeira reação, mas depois a gente pensa: “Vamos fazer”. Confio na equipe de trabalho. Todo projeto quando é colocado em prática está sujeito a ajustes. Não tem como imaginar que vai sair perfeito, mas tenho certeza que vamos fazer um excelente trabalho.

Qual a importância dessa coincidência de haver o curso da Conmebol na mesma semana do “start” na CBF?
O treinamento que Sandro Meira Ricci, Wilton Sampaio e, por último, o Anderson Daronco já estavam participando, com Copa das Confederações, Copa do Mundo, Conmebol… Tudo vai sendo somado. Esses profissionais ajudam para os colegas entenderem melhor a ferramenta. Curso é investimento positivo.

Para você que conhece o Coronel Marinho há algum tempo, essa semana foi a mais tensa dele na arbitragem?
Eu acho que não. O Coronel viveu experiências quando era da comissão em São Paulo. Acho que essa é mais uma. A história dele o fortalece. Ele é muito tranquilo, firme, isso tem me chamado atenção. Ele confia na equipe que tem.



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