Gestor do legado nega abandono, mas cita demora do país em pensar no pós-Rio-2016



Paulo Márcio Dias Mello, presidente da AGLO (Foto: Francisco Medeiros/ME)

Paulo Márcio Dias Mello, presidente da AGLO (Foto: Francisco Medeiros/ME)

Paulo Márcio Dias Mello, presidente Autoridade de Governança do Legado Olímpico (AGLO), responsável por gerir o futuro das instalações administradas pelo governo federal, refuta tese de que arenas sob tutela do Ministério do Esporte estão largadas, mas admite que país demorou a pensar no pós-Rio-2016

Gastar tanto volume de dinheiro na organização de Jogos Olímpicos para depois ter um problema grande para lidar é algo que vale a pena?
Ouço muito as pessoas dizerem que o legado é um problema porque os investimentos foram muitos. Não entendo dessa forma. O investimento é válido na Olimpíada. Só não é muito coerente quando não temos gestores públicos com seriedade. Não vejo investimento no esporte como desnecessário.

Dá para dizer que há um certo abandono quando o assunto é legado olímpico no Brasil? E nem cito a Copa do Mundo…
Mas é preciso fazer correções sobre abandono. Do ponto de vista material ou de calendário? Analisando os dois aspectos, não houve abandono. Por que? O ciclo de Olimpíada e Paralimpíada terminou em setembro. Havia uma necessidade de adequação do modo jogo para o modo legado. Em Londres, Pequim teve isso. Inicia-se então essa transformação. Quem foi aos Jogos viu a estrutura internamente e externamente. Não foi brincadeira. É preciso iniciar a desmontagem.

Mas não houve uma demora para mobilização dessa estrutura?
Toda essa desmontagem leva tempo. Levamos aproximadamente cinco meses para adequar o modo jogo ao modo legado. Não havia condição de fazer evento esportivos ou não esportivos, sem colocar em risco a população e os atletas. Era caminhão para todo lado. Quando viam fotos de cadeiras na área externa, pude observar que elas eram alocadas para retirada nos caminhões. Em janeiro, o grupo de trabalho que foi montado na transição para a gestão do Ministério do Esporte já focava em várias frentes de trabalho. A dificuldade era grande de criar um plano de legado consistente por causa do número de pessoas e também a verificação das instalações. A engenharia começou a fazer os laudos para verificar. Com a chegada da AGLO, em março, facilitou o trabalho. A equipe se dedica diuturnamente.

A Rio-2016, pelo que se vê atualmente, foi um fracasso?
Mesmo com todos os problemas, foi um sucesso. Mostramos que somos capazes de realizar grandes eventos. Agora, vamos provar que somos capazes de colocar o legado, em curto espaço de tempo, para funcionar.

A estratégia adotada pela AGLO na negociação de eventos é estabelecer contrapartidas, como reparos em algum ponto do Parque. Qual o motivo?
Todos os eventos que realizo, que são cobrados, pedimos uma contrapartida em prol do legado, com benfeitorias. Com isso, superamos um caminho grande de uma licitação, uma demora absurda. Entendi que esse é o caminho, uma parceria que pode dar certo: a utilização do legado em benfeitorias para as instalações. Legado não deve ser só usado para esportes de alto rendimento. Essa é nossa maior importância, mas temos que pensar na utilização da população, projetos de inclusão social.

Qual o tamanho do problema que o Velódromo virou por causa do incêndio?
Nosso Velódromo lamentavelmente foi atingido pelo balão. Vou ter mais esse desafio pela frente. Tive que interromper o treinamento de atletas de ciclismo terças, quintas e sábados lá. Outros eventos terão que ser remanejados, mas esse será mais um desafio. Espero que o problema seja resolvido no curto espaço de tempo.

O Brasil demorou demais a se mexer para definir como seria o legado?
Prova disso é que o TCU multou um ex-ministro por justamente não ter um plano de legado. Quando o ministro atual assumiu, providenciou a execução do plano de legado, ainda que ele não tivesse a consistência que deveria ter. Isso possibilitou a criação da AGLO e a absorção das quatro arenas da Barra e de Deodoro. Houve um erro. Acreditaram demais na parceria público-privada e não tiveram plano B. Hoje, me vejo na situação de lutar contra o tempo, O que fizermos até agora poderia estar muito melhor se tivessem, lá trás, a responsabilidade de criar um plano de legado mais consistente. Mas não posso viver de passado, lamentar muitas coisas que deixaram de ser feitas. Temos que avançar. Temos feito o possível e o impossível para que o legado dê certo.



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