‘Perdi o contato’, diz presidente da Federação Paulista sobre relação com Ricardo Teixeira



Nesta segunda parte da entrevista à coluna, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, conta que foi levado para a CBF pelo ex-presidente da entidade, Ricardo Teixeira, mas não encontra com o dirigente há muito tempo. Ele fala também da articulação para os clubes brasileiros não terem participado da Liga Sul-Americana, das investidas da FPF em transmitir jogos na internet e sobre a profissionalização dos árbitros.

O pedido de prisão do Ricardo Teixeira pela Justiça da Espanha. Como a CBF reagiu a isso?
Eu não estive na CBF depois que isso ocorreu. Mas é um fato pessoal dele e não pode e nem deve influenciar nas atividades da CBF. São coisas distintas.

O senhor tem conversado com o Ricardo Teixeira?
Faz tempo que não converso com ele. Gostou muito do Ricardo e foi ele quem me levou para a CBF. Mas eu não sou muito social. Com o tempo fui perdendo o contato, não me lembro a última vez que encontrei com ele.

A Federação Paulista teve papel central na articulação com os dirigentes paulistas para não participarem de ligas e associações de clubes nos últimos anos. Por que?
O objetivo da Liga Sul-Americana, por exemplo, não era o de melhorar o futebol. Eu não acredito nas pessoas que estavam lá.

Quem por exemplo?
O presidente do Boca (Daniel Angelici), pois o objetivo dele era fazer política. Os dirigentes brasileiros têm que se preocupar em melhorar o futebol como um todo, fazer política não é o melhor caminho. O Brasil tem um canal direto com o presidente da Conmebol, eu fui recebido lá e ele (Alejandro Domínguez) veio aqui várias vezes. Você acha que os clubes serão mais ouvidos através do presidente do Boca? Você acha que era bom para os clubes brasileiros? O Brasil é o maior país de futebol do mundo, qualquer associação ou liga que se crie, a sede precisa ser no Brasil e com presidente brasileiro. Não podemos ir a reboque de ninguém e de nada.

Sobre a Copa América de 2019 no Brasil, como está a organização em São Paulo? Já há um estádio definido?
Pelo que eu tenho conhecimento, não tem nenhuma definição sobre isso ainda. Eu não participo da comissão de Copa América, mas o que eu sei é que ainda estão cuidando de toda a parte legal da organização, como o COL (Comitê Organizador Local), que é a parte envolvendo Conmebol e CBF. A parte técnica sobre quantos estados e quais estádios acredito que ainda não esteja definido.

Recentemente a Globo notificou a Conmebol pelos direitos da Copa América de 2019 apresentando um contrato antigo. Como o Comitê da entidade vai resolver essa questão?
Vamos nos reunir em Assunção no próximo dia 8 para resolver isso. O departamento jurídico está analisando o contrato para saber a validade para tratarmos do assunto.

A FPF tem apostado nas transmissões de jogos pela internet. Já transmitiu partidas da 4ª divisão e também o futebol feminino. Qual o plano da entidade para essa mídia?
Temos que fazer diferente. Pela internet é possível assistir os jogos em qualquer lugar do mundo. Quanto mais divulgar e criar o hábito entre os torcedores, melhor. No exterior, ninguém assiste o futebol brasileiro, e um esporte que não é visto lá fora, fica mais difícil alguém investir na camisa de um time daqui. Por que nos clubes europeus os patrocínios são de empresas que não são de seus países? Porque os jogos são veiculados em todo o mundo. Então, temos que passar a mostrar o que temos aqui e uma maneira é por meio da internet. Esse é o futuro e temos que testar para aprender.

E quando a transmissão pela internet vai chegar na elite do Paulistão?
Temos conversado muito mas ainda não consigo te dar uma data em relação a isso. Mas com certeza os direitos do futebol vão se modificar. Quando chegar o Paulista, já vamos ter uma forma diferente de vender e de valores negociados. Pouco tempo atrás, o maior valor era o da TV aberta, e hoje é o inverso.

Mas já pode mudar para a edição de 2018?
Há um contrato. Pelos próximos três anos será mantido o contrato que está assinado. Acho que as mudanças virão na renovação. Os resultados na experiência que fizemos no Facebook foram muito bons, temos transmitido jogos pelo mycujoo (site de transmissões online) também com ótimos resultados. Então estamos aprendendo a lidar com isso e ajudando a capacitar os clubes, pois uma coisa é fazer aqui da Federação e outra é o clube entender como funciona. É começar a criar o hábito.

Não há nenhuma possibilidade de ocorrer o mesmo que na final do Paranaense deste ano?
Nenhuma chance. Lá os clubes não tinham contrato com ninguém e podiam transmitir do jeito que eles quisessem. O direito dos clubes precisa ser respeitado, pois a imagem é do clube. Por isso que as decisões precisam ser em conjunto. Aqui sentamos e decidimos os prós e contras para definir o que é melhor para todos.

Os árbitros têm entrado com ações para receber parte do valor de patrocínio que é exposto em seus uniformes. Como a Federação vê essa questão?
Nós temos uma relação boa com o Sindicato de São Paulo. Vamos ter uma reunião nos próximos dias pois precisamos entender um pouco melhor isso. Minha opinião pessoal é que, se paga para o atleta, também deveria se pagar para os árbitros. Mas isso precisa ser conversado com os clubes e a categoria dos árbitros e vamos analisar. Fazer só porque “sempre foi assim” não funciona.

E sobre a profissionalização dos árbitros. O senhor acha que esse é melhor caminho?
Eu já pensei muito nisso. Tenho um carinho muito grande pela arbitragem pois os profissionais são a parte mais fraca e desprotegida do futebol. Nós somos um dos poucos países que tem centenas de milhares de analistas de arbitragem e aqui o jogador respeita menos o árbitro dentro de campo. Lá fora o árbitro também erra e o respeito é muito maior. Mas ainda não consegui achar um caminho para a profissionalização dos árbitros.

Por que?
Nós fizemos uma experiência aqui em que o árbitro recebia um fixo por mês. O atleta quando assina seu contrato é para jogar futebol e entrar em campo pra vencer, mas sempre acerta uma premiação. Nenhum clube que ganha título deixa de pagar premiação pois é o estímulo para ele fazer mais. Se for pagar um fixo para os árbitros, precisa ter também uma premiação pois senão haverá um desestimulo natural. Aí ele vira funcionário da Federação e temos um campeonato de 100 dias. E os outros 260 dias do ano? Aí a CBF resolve fazer pois tem torneio o ano inteiro mas ela usa 10% do quadro de árbitros que há no Brasil. Por isso eu ainda não consegui achar um modelo aceitável para isso, mas sou favorável a capacitar, treinar, apoiar e remunerar melhor os árbitros.



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