‘Se Del Nero for candidato, ele se reelege’, diz presidente da Federação Paulista



Presidente da Federação Paulista, diretor da CBF e membro do Comitê Executivo da Conmebol, Reinaldo Carneiro Bastos vê a torcida única como solução no momento para reduzir a violência nos clássicos paulistas, critica o Profut dizendo que a lei irá colocar a grande maioria dos clubes “na ilegalidade”, e diz o que acha do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não viajar para representar o futebol brasileiro no exterior.

Como avalia essa ação do Ministério Público do Rio que pede o cancelamento da Assembleia da CBf que deu peso maior no voto das federações em relação aos dos clubes?
Acho que a lei permite dar até peso seis nos votos. O que eu penso sobre esse assunto é que os clubes das Séries A e B são a grande vitrine do futebol brasileiro mas temos 1060 clubes no país que são a grande força do nosso futebol. Todos eles vestem as mesmas 11 camisas em campo, seja o grande ou o pequeno. Essa quantidade de clube e a oferta de camisas é que faz a força do futebol brasileiro. Os clubes devem participar sim, até mais do que já participam, nas decisões voltadas às competições que participam, seja em relação ao seu marketing ou na venda de seus direitos de transmissão. Essa sim deve ser a participação efetiva dos clubes. Já no colégio eleitoral, o poder não pode estar na mão dos clubes. O tamanho de nosso país é continental e o poder do futebol brasileiro está no Brasil inteiro, não podemos ouvir apenas 20 clubes. É muito importante que os pequenos e mais humildes, e que fazem futebol sem essa vitrine, sejam representados e incentivados, e quem faz isso são as federações.

Mesmo que o peso de federações com futebol pouco expressivo como Roraima e Rondônia sendo maior que clubes que arrastam multidões como Flamengo e Corinthians?
Se for analisar, os grandes clubes brasileiros já têm um poder muito maior. A legislação, por exemplo, foi feita para um pequeno grupo de grandes clubes. O Profut, por exemplo, foi um avanço? Foi. Tem coisas para serem corrigidas? Tem, e muitas. Mas aconteceu para resolver um problema dos grandes clubes brasileiros. Já a grande maioria dos pequenos clubes tem sérias dificuldades para aderir. Porque para o clube grande o presidente da Caixa vai lá fazer apresentação para eles. E o time pequeno lá do interior? É uma grande injustiça com os clubes pequenos no Brasil. Outro exemplo, as exigências para fazer um Palmeiras e Corinthians na capital são as mesmas para fazer um jogo da 4ª divisão do Paulista, que muitas vezes não chega a ter mil torcedores no estádio. Não é justo. A realidade é completamente diferente. O mesmo ocorre para a apresentação dos balanços financeiros, que são as mesmas para o clube que fatura centenas de milhões para o time pequeno que movimenta alguns mil reais, como ter auditoria independente para fazer a análise. No mercado não tem a micro, pequena, média e grande empresa cujas exigências mudam conforme o seu faturamento? Por que no futebol não pode ser assim? O Profut vai empurrar a grande maioria para a ilegalidade e o anonimato, tendo que fazer sem ser oficial.

Ainda sobre a Assembleia da CBF, não foi um erro não ter convocado os clubes?
Eu não sou advogado, mas os advogados da CBF leram a lei e interpretaram da forma que acharam mais correta pois o artigo que aborda essa participação dos clubes não está claro. Mas eu não posso julgar o assunto mas foi essa a informação que todos receberam e que seria o mais correto para fazer.

Caso o pedido do MP de afastar a diretoria da CBF seja aceito, o senhor tem intenção em se tornar presidente da entidade?
Se a atual diretoria for afastada eu também sou pois sou diretor da CBF. Mas nesse momento isso não faz parte do que estou analisando. Estou trabalhando internamente para apresentar um projeto para os próximos quatro anos da FPF. Hoje, para ser candidato, é preciso apresentar um projeto aos clubes mostrando onde nós estamos e onde queremos chegar. Não acredito mais na forma antiga de ser presidente de entidade sem ouvir os clubes. Tem que apresentar a eles uma proposta e é nisso que a equipe inteira está trabalhando.

Você acredita em uma reeleição de Marco Polo Del Nero?
É uma decisão pessoal dele e ele tem todo o direito de ser candidato. E se o Marco Polo for candidato ele se reelege.

Você acha certo o Marco Polo Del Nero não viajar?
Eu acho. A dona Fifa não diz por que, quando, como e nem que prazo vai terminar essa investigação. Isso não é justo. Uma pessoa não pode ser condenada sem julgamento. Tem que pagar se deve, se não deve não pode pagar. Por isso ele tem que se preservar sim.

O fato dele não viajar para representar o país. Até que ponto isso prejudica o futebol brasileiro?
Independente de quem seja, o país está sendo representado no exterior, seja comigo na Conmebol ou com o Fernando (Sarney, vice da CBF) na Fifa. Nós conseguimos estar muito mais presente do que se fosse no modelo antigo onde o presidente era tudo. Isso não é mais possível pois tem que dirigir a CBF, resolver questões de competições, tem a Seleção Brasileira… não há tempo hábil para conseguir exercer bem todas essas funções tendo ainda os compromissos na Conmebol e na Fifa. E o Brasil tem tido uma presença maior no exterior em cargos com atuação, não são mais cargos honoríficos. O (Wilson) Seneme é presidente da Comissão de Arbitragem da Conmebol e vice da Comissão de Arbitragem da Fifa, o Marcos Senna é diretor comercial da Conmebol, o Daniel (Nepomuceno), do Atlético-MG, é da Comissão de Clubes da Fifa. Há uma atuação muito maior hoje.

E a final única da Libertadores, isso já ocorrerá em 2018? Se sim, o Rio é favorito?
Certo ainda não está mas há grandes chances. E há outros favoritos. Não sei se favoritos, mas entre os pretendentes estão Lima, Rio de Janeiro, São Paulo e Miami. Quando falam em final única muitos dão o exemplo da final passada entre Atlético Nacional (COL) e Independiente Del Valle (EQU) para falar que não teria um grande público caso ocorresse no Maracanã. O conceito não é esse. Quando se põe à venda uma final da Liga dos Campeões, ninguém sabe quem vai fazer a final. Mas se dá uma cota para os países envolvidos, contrata agências de turismo e a partida vira um negócio. E a ideia com a Libertadores é a mesma, é para ser vendido em todo lugar, inclusive nos Estados Unidos. Fazendo do jogo um produto, se vende 75%, 80% dos ingressos antes. E os que sobram são vendidos para os times que chegam à final, não há a possibilidade de ter o estádio vazio.

Qual foi o impacto do escândalo da Fifa na atuação da Federação Paulista?
Não sei se foi influência por conta desse caso, mas os profissionais que chegaram para compor o time da Federação vieram por conta do currículo, competência e capacidade na área. O Mauro Silva, por exemplo, que é extremamente atuante junto aos clubes e atletas, tem a Aline (Pellegrino) no futebol feminino. As pessoas vieram para ocupar setores onde tinham conhecimento e competência para exercer a função. E montei uma comissão jurídica com os advogados dos clubes e começamos a analisar estatuto, adotamos ações de compliance, a eleição já é mais democrática e clara… e isso tudo sendo decidido em conjunto sobre o que fazer. Estamos dando passos mais modernos, claros e transparentes.

Na reunião sobre torcidas organizadas no início desta semana, qual foi a sua posição sobre torcida única nos clássicos paulistas?
Eu sou contra esse modelo de deixar apenas 1.500 lugares pra isolar uma torcida no estádio, sendo necessário chegar em um comboio para o jogo. Mas clubes, entidades, órgãos segurança, Polícia Militar e Ministério Público estão trabalhando para o que é melhor para o torcedor. Eu não acredito nesse modelo de isolar uma pequena parte de torcedores em um espaço.

Então é um caminho irreversível pois dificilmente os estádios voltarão a ter mais do que 10% da capacidade para a torcida adversária.
Os números são muito fortes à favor da torcida única. A arrecadação dos clubes nos clássicos paulistas cresceu 45%, o público nos estádios aumentou, a incidência de violência nos jogos é zero, os custos com policiamento diminuiram. E as pesquisas mostram que a sensação de segurança dos torcedores nesses jogos aumentou. Então, os indicadores são muito fortes para manter essa medida. E estamos no Brasil e temos as dificuldades que o país está vivendo, como ter segurança em todo o lugar. Hoje, vejo que essa atitude é a melhor que se pode ter.

Mas no último clássico entre Palmeiras e Corinthians teve a morte de um torcedor.
Mas toda a investigação da Polícia Civil sobre este caso, a briga não teve nenhuma ligação com jogo de futebol. Nenhum dos envolvidos tinham ido à partida e não eram de organizadas. Foi uma tristeza o que aconteceu por conta dos problemas sociais que há no país.

E o que a Federação Paulista tem feito para tentar reduzir a violência no futebol? 
As ações para conter a violência melhoraram muito nos últimos anos e os órgãos de segurança tem trabalhado muito em relação a isso. A identificação dos torcedores é uma coisa importante sim mas com o advento de que os punidos têm que ir aos Batalhões de Choque e às unidades do Corpo de Bombeiros no horário dos jogos, você não precisa tentar identificar se ele está no estádio. E as informações que temos é que são raros os casos dos torcedores que não comparecem. Mas vai chegar uma hora que esse investimento na identificação do torcedor passará a ser necessário sim, mas no momento não há dinheiro para isso e nem empresa ou parceiro que possa ajudar com isso. Mas com o tempo isso será uma realidade.

Que contrapartidas serão dadas às torcidas de São paulo para poderem usar faixas e instrumentos nos jogos?
São atitudes que podem gerar ou problema de segurança ou punição ao clube. Agora parou mas quando a torcida acende sinalizadores durante a partida a punição é para o clube. É um problema de segurança, há um desgaste para a PM, atrapalha a partida e o clube é punido. São essas atitudes que podem interferir na segurança do torcedor comum e no jogo que serão os grandes compromissos do torcedor para ter esses benefícios.

*A segunda parte da entrevista será publicada nesta segunda-feira.



  • Diego Dantas Amaranto

    Se este pilantra se reeleger, teremos mais um período de corrupção generalizada na CBF.

  • José mangangá Monforte de Lemo

    Grande Parmerense, se for no Paraguai, vai engana, falar o que!?

  • Claudio

    Esse corrupto já deveria ter sido preso ou banido da CBF; mas como no Brasil as coisas são assim, ele vai ficando, pqp!
    Eita cambada nojenta!.

  • Marcos Oliveira

    CARTOLA DO PALMEIRAS ESSE CU DE BURRO

  • ALESSANDRO MOTTA

    Tem que colocar essa corja toda na rua.

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