‘Tivemos que cortar 80% da verba de patrocínio ao esporte’, diz presidente dos Correios



À frente dos Correios, o ex-deputado Guilherme Campos fala nesta entrevista à coluna sobre a relação da estatal com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) após o escândalo de fraudes na entidade, do impacto da crise financeira da empresa nos investimentos em esporte e do fim da parceria com o futsal.

Como foi saber das fraudes na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), entidade em que os Correios mais investem em patrocínio no esporte?
É horrível pois compromete sua reputação e imagem. Ainda mais de uma confederação que os Correios tem uma relação de mais de 26 anos. A imagem da empresa junto às modalidades aquáticas é muito forte. Quando colocamos a nossa posição de preocupação, e que se não houvesse uma solução rápida para esse problema nós teríamos que retirar o patrocínio, os próprios atletas foram até a empresa e se manifestaram publicamente pela manutenção do acordo.

Como está relação da empresa com a CBDA após o escândalo?
Desde o início da encrenca, no começo deste ano, nós comunicamos a CBDA sobre a dificuldade em continuar com o patrocínio após tantas notícias e denúncias envolvendo a entidade. Hoje, estamos aguardando uma visita do novo presidente para conhecer o seu plano de trabalho para que eles possam estar se enquadrando na prestação de contas em tudo aquilo que existe de compromisso com os Correios. O novo presidente Miguel Cagnoni já solicitou uma data para mim mas eu não pude, o dia que eu podia ele tinha compromisso… era pra ter sido nesta semana mas não aconteceu.

A verba da CBDA hoje é apenas 25% do que foi investido em 2016. O foco era apenas os Jogos Rio-2016?
Vou ser até mais drástico do que isso. Na virada do ano, nós chamamos as três confederações parceiras que eram CBDA (Esportos Aquáticos), CBT (Tênis) e CBHd (Handebol), e dizemos o seguinte: “Acabou!”. Na reunião reclamaram muito e é duro acabar uma relação de 26 anos com a CBDA, de 9 anos com o tênis e mais 5 com o handebol. Acabar isso do dia para a noite não é inteligente. E nossa opção, de comum acordo com as entidades, foi de reduzir os investimentos na ordem de 80% para ter uma continuidade na relação e aguardar um melhor momento da empresa. Essa redução não foi pelo resultado na Rio-2016, mas sim pela capacidade financeira da empresa.

E por que deixaram o futsal?
Quando apareceu aquele monte de denúncia na Confederação de Futsal, no ano passado, nós aproveitamos e saímos. Ao mesmo tempo temos o rúgbi como uma nova modalidade parceira. E por que o rúgbi? Primeiro que é a referência na questão de transparência e governança. E segundo que é uma questão de mercado pois temos uma grande concorrente internacional que patrocina o rúgbi mundo afora e queria vir para o Brasil. Então nós aproveitamos a oportunidade e já ocupamos espaço.

Se as outras entidades tivessem esse perfil do rúgbi a verba seria mantida?
Seria mais fácil, mas na situação que a empresa está, pode ter transparência, ter governança… se não tiver dinheiro não tem como investir.

A crise política também influenciou nas mudanças de atuação no esporte?
As negociações de patrocínio para o esporte ocorreram no início deste ano e isso já está feito. Independente da questão política neste momento, a política para o esporte dentro dos Correios já está definida.

Qual a importância do Rating lançado pelo Pacto pelo Esporte, nesta semana em São Paulo, para o investimento das empresas em confederações esportivas?
Esse é um processo de qualificar todas aquelas entidades esportivas, seja confederação, clube ou federação, para que estejam adequadas às novas regras de governança, transparência e relação entre um patrocinador e o patrocinado. É bom pois nossas regras de governança e prestação de contas a respeito dos valores investidos são muito rígidos e acompanhados de forma inteligente por parte do TCU.

Qual o retorno obtido pelos Correios com os investimentos no último ciclo olímpico?
Ousaria dizer que, se não houvesse o patrocínio dos Correios, as Olimpíadas não teriam acontecido no país. Foram mais de R$ 300 milhões colocados pela empresa como patrocinadora, sendo mais de R$ 100 milhões investidos em modalidades esportivas do país.



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